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28/11/2017

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28 novembro, 2017
PRESENTES | Costumes e tabus: o que não dar para um chinês
Compras, Cultura, Curiosidades, DICAS

E num piscar de olhos, mais um ano está chegando ao fim, o Natal se aproxima, a palavra “presente” já começa a rondar nossos pensamentos e aí surge aquela dúvida: o que dar de presente?!

Os chineses, culturalmente, não celebram o Natal, mas a troca de presentes é um ato muito importante entre eles em qualquer época do ano. É uma forma de agradecimento e simboliza admiração e interesse em manter um relacionamento, seja esse pessoal ou profissional.

Mas na China existem alguns tabus, costumes e regras de etiqueta na hora de presentear alguém. Os chineses são pessoas extremamente supersticiosas e por isso alguns tipos de presentes devem ser evitados.

presente china

A fonética das palavras é muito importante no mandarim e assim, grande parte dos presentes que, digamos, não seriam de bom grado, tem a ver com o som da palavra, que se assemelha a outra de significado ruim.

Portanto, continue lendo e descubra o que você NÃO deve dar de presente para um chinês:

GUARDA-CHUVA / SOMBRINHA

Em mandarim, guarda-chuva é yǔsǎn 雨伞 que tem a pronuncia bem parecida com sàn 散, que significa “terminar, dispersar, se separar”. Seja terminar um relacionamento ou acordo de negócios, reunião, etc… Por isso, por mais que as chinesas adoram usar sombrinhas (leia mais aqui), nada de presentear alguém que você goste ou um parceiro de negócios com esse objeto.

SAPATOS

Ta aí uma coisa que mulheres amam ganhar de presente, embora esse talvez não seria tão bem recebido pelas chinesas mais tradicionais. No mandarim, sapato é xié 鞋 que tem a mesma pronuncia da palavra que remete ao diabólico ou demôniaco, xié 邪. A geração mais antiga acredita que presentear alguém com um par de sapatos é o mesmo que mandar a pessoa embora.

Essa regra talvez não valha para familiares. Os chineses dizem que quando você presenteia alguém da família ou com quem tem um relacionamento mais próximo com um par de sapato, é comum receber uns trocados de volta da pessoa presenteada para simbolizar que ela não esta ganhando o sapato, mas sim, comprando.

RELÓGIO

Outro presente que tem a ver com a fonética. Relógio em mandarim é zhōng钟 que também pode significar “fim” cuja pronuncia é a mesma, só muda o ideograma, 

FACAS E TESOURAS

Quaisquer objetos cortantes devem ser evitados. Para os chineses, simboliza o fim de um relacionamento. Faz sentido né?!

FLORES BRANCAS

O branco é a cor oficial do luto na cultura chinesa e as flores brancas remetem à morte e lembram as decorações usadas nos funerais. Quando for presentear algum chinês, o melhor a se fazer é evitar qualquer item branco, até mesmo embalagem ou pacote de presente na cor.

CRISÂNTEMOS

Falando em flores (e em funerais), os crisântemos não são bem vistos, exatamente por isso. São as flores usadas em funerais e rituais de passagem. Por outro lado, os cravos são uma das flores mais bem vindas, especialmente no Dia das Mães.

BONÉ VERDE

Já ouvi duas versões sobre a história de que não se deve dar boné verde de presente para homens, uma tem a ver com a fonética e outra com uma lenda chinesa. No post que escrevo sobre o significado das cores, conto em mais detalhes. Mas resumindo: presentear um homem com boné verde é o mesmo que chama-lo de corno. Mantas, camisetas com gola verde ou qualquer peça de roupa nessa cor e que fique perto da cabeça deve ser evitado.

PRESENTES EM CONJUNTO DE 4

Os chineses tem superstição com tudo, especialmente com números. E como eu contei no post sobre o significados dos números, o quatro é o mais temido. Isso porque a pronúncia (lá vem a história da fonética de novo…rsrs) do quatro, que é Sì 四 tem o mesmo som da palavra “morte”, Sǐ死.

——-

Como podem perceber, as superstições que cercam os chineses não são poucas, né. Trocar presentes tem um valor muito importante para eles, principalmente em datas comemorativas, festivais e entre parceiros de negócios. E hoje em dia, com tantos negócios entre China e Brasil, chineses e brasileiros, é sempre bom prestar atenção aos costumes e regras de etiqueta que é para não cometer gafes.

Gostou das dicas? Dá um like ou deixe seu comentário.

Zàijiàn

 

SaveMe!
21 novembro, 2017
AS MODELOS CHINESAS DO VICTORIA’S SECRET FASHION SHOW EM SHANGHAI
BELEZA, MODA

Chega essa época do ano e o mundo da moda e das lingeries fica voltado para o mesmo assunto, todo santo ano: o Victoria’s Secret Fashion Show.

Não é a toa, esse é o desfile mais assistido no mundo inteiro anualmente. Só para se ter uma ideia, em 2016 foram cerca de 6.650 milhões de espectadores somente nos Estados Unidos e estima-se que mais de 800 milhões (!!!) de pessoas assistiram ao desfile do Victoria’s Secret 2016 ao redor do mundo.

Para quem está por fora, o desfile de 2017 acontecerá no dia 20 de novembro, pela primeira vez em SHANGHAI!!!

modelos victoria's secret fashion show shanghai 2017

E nessa última semana o assunto foi a ausência da modelo Gigi Hadid no desfile deste ano e da cantora Kate Perry, que já havia sido anunciada como possível atração do evento. Segundo a imprensa, ambas tiveram o visto chinês negado. Muita gente nas redes sociais {segue lá @evelynpinheiro} está criticando a posição do governo chinês. Eu, sinceramente, compreendo o lado deles. A China tem uma cultura milenar ainda muito viva e fortes crenças enraizadas e eles não querem ninguém no país deles que, de alguma forma, agrida ou se posicione contra o que eles acreditam. Não concordam?!

Bom, mas hoje não quero falar sobre assuntos polêmicos, mas sim sobre coisas boas e belas. Beldades.

As modelos brasileiras são presença confirmada na passarela do VSFS todos os anos e isso já não é novidade para quem acompanha as notícias da marca, mas gente, e as modelos chinesas? Já que o desfile desse ano será no país delas, nada mais justo do que dar ainda mais destaque para essas meninas.

Dentre as 55 modelos que vão desfilar neste ano, sete são chinesas (quase o dobro do ano passado).  Sui He, Ming Xi e Liu Wen já são nomes conhecidos nas passarelas do Victoria’s Secret Fashion Show, mas outras vão fazer a sua estreia no show ali mesmo, na passarela do Mercedes Benz Arena, em Shanghai.

victoria's secret fashion show 2017 shanghai modelos chinesas

LIU WEN

A chinesa de 29 anos foi a primeira modelo asiática a desfilar para a Victoria’s Secret, em 2009. Este ano, a angel fará sua sexta aparição na passarela do VS.

Liu Wen é considerada a primeira supermodel da China conhecida mundialmente e está entre as modelos mais bem pagas do mundo, de acordo com a Forbes. Sua carreira começou em 2005, quando participou do concurso Silk Road World Model Contest. Em 2007, a carreira deslanchou quando ela passou a desfilar para grifes como Chanel, Burberry, Givenchy, entre outras.

Em 2009 ela bateu o recorde de desfiles nas Semanas de Moda de Outono/Inverno de Nova Iorque, Paris, Milão e Londres, participando de 74 desfiles de Inverno e mais 70 na temporada seguinte. Isso rendeu à ela a segunda posição como modelo com mais desfiles agendados naquele ano.

E o currículo dela não para. Além de ser o primeiro rostinho asiático na passarela do VS, ela também foi a primeira modelo da Ásia a estampar uma campanha de cosméticos da renomada marca Esteé Lauder, em 2010.

Com certeza Liu Wen é um ícone da história da moda na China, representando o país no cenário fashion mundial. Acho que podemos dizer que ela é para os chineses o que a Gisele Bundchen é para nós brasileiros. Só tenho mais uma coisa a dizer: MA RA VI LHO SA!

liu wen modelo china angel victoria's secret fashion show

Siga no insta @liuwenlw

SUI HE

Mais uma beldade chinesa veterana das passarelas do VSFS. A modelo de 28 anos participa dos desfiles da marca desde 2011 e foi o segundo rostinho asiático a desfilar para tal (depois da Liu Wen).

Ela é nativa de Wenzhou na província de Hebei, norte da China e começou a carreira de modelo em 2006 após vencer um concurso de modelos exibido na TV chinesa. Já desfilou para renomadas grifes europeias e foi o primeiro rosto chinês a estampar uma campanha da gigante marca japonesa de cosméticos Shiseido.

Ah, ela também já começou a dar seus primeiros passos como atriz e em 2016 passou a fazer parte do time de angels da Victoria’s Secret. Poderosa!!!

liu wen victoria's secret fashion show

Siga no insta @hesui923

MING XI

Com 28 anos vividos, mas carinha de 18, preciso dizer que sou apaixonada pelo jeitinho fofo da Ming Xi. Adoro seguir ela no instagram… Mas apesar da carinha de menina, ela tem um currículo de dar inveja!

Descoberta em um programa de TV em 2009, sua carreira de modelo internacional começou mesmo em 2010 em um desfile de alta-costura da Givenchy e ao estampar uma das campanhas da marca. E foi um boom! Nos dois primeiros anos como modelo, ela já tinha feito desfiles para Dior, Chanel, Vivienne Westwood, entre outras grifes tops sediadas em Paris e Nova Iorque.

Rostinho já conhecido nos desfiles da Victoria’s Secret, especialmente, na “irmã mais nova” PINK, esse será seu quinto desfile para a marca. Nascida e criada em Shanghai, com certeza ela se sentirá em casa na passarela do VSFS 2017.

ming xi victoria's secret fashion show shanghai

Siga no insta @mingxi11

XIAO WEN JU

Descoberta pela IMG Model em 2010, a modelo já desfilou para grandes nomes da moda, como Louis Vuitton, Hermès, Prada, entre outros e foi a primeira modelo chinesa a estampar a campanha de Marc Jacobs. O ano de 2016 foi bem produtivo para Wen Ju, já que ela se tornou a estrela da campanha da L’Oreal Paris e fez sua estreia na passarela do VSFS. Ou seja, 2017 será seu segundo ano desfilando pela marca de lingeries.

Acho que ela tem um rosto diferente das demais modelos chinesas, parece frágil e ao mesmo tempo tão poderosa. Acho ela uma gracinha!

xiao wen ju victoria's secret fashion shanghai china pink

Siga no insta @jujujuxiaowen 

XIN XIE

A modelo de 22 anos é da província de Guangdong (aquela onde a maioria dos brasileiros mora) e ela se divide entre trabalhos em Nova Iorque, Londres e China. Presença constante em editorias de moda de revistas como Vogue, Elle e Bazar, ela fará seu debut nas passarelas do VSFS neste ano e com isso, acredita na ascensão da sua carreira como modelo internacional.

xin xie modelo china victorias secret desfile

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ESTELLE CHEN

Nascida na China e criada na França, Chen é a mais novinha nas passarelas e na vida também. Com apenas 19 anos de idade e quatro de carreira, a modelo já desfilou para labels como Dior, Fendi, Louis Vuitton, Miu Miu e Elie Saab e fará sua estreia na passarela do VS neste ano. Tão novinha e quanta responsa!!

estelle chen modelo chinesa victoria's secret shanghai

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WANG YI

Anunciada aos 45 segundos do segundo tempo, ela tem apenas 20 anos e ficou conhecida após vencer o 10º China Super Model Final Contest em Beijing em 2015. Vai estrear na passarela do VSFS em grande estilo em Shanghai. Ainda não tem em seu currículo grandes trabalhos internacionais, mas com tão pouco tempo de carreira, já começou bem e promete se tornar um grande nome na industria fashion. Esperamos que sim!

wang yi newface passarela victoria secret shanghai

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O desfile do Victoria’s Secret Fashion Show 2017 vai ao ar no dia 28 de Novembro no canal CBS. Mas enquanto eu finalizava esse post, o desfile estava sendo gravado em Shanghai. Ficou curioso (a)?! Na rede social chinesa Weibo já tem as ultimas news e imagens do desfile, confere aqui!

Ah, e neste ano, outra estreia! Pela primeira vez no show, uma cantora chinesa será atração. Jane Zhang, ao lado de Harry Styles, Miguel e Leslie Odom Jr. Achei ótimo que os chineses aproveitaram o momento de sediar um dos fashion shows mais assistidos do mundo, para divulgar sua música em âmbito internacional!

Gostou de conhecer mais as maravilhosas modelos chinesas? Então curte o post e segue eu também no insta @evelynpinheiro 😉

 

30 setembro, 2017
FESTIVAIS DA CHINA | GOLDEN WEEK + FESTIVAL DA LUA OU DO MEIO DO OUTONO
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

Se você está na China, provavelmente, já está de malas prontas para viajar ou esperando seu trem/voo junto de milhões de chineses. Se não está, então tem um tempinho para descobrir o que está acontecendo num dos maiores países do mundo…

É que neste ano de 2017, dois dos maiores festivais nacionais caem na mesma semana! Ou seja, uma semana inteirinha para celebrar o GOLDEN WEEK + o MID-AUTUMN FESTIVAL! Para quem nunca ouviu falar, eu explico:

O 1º de Outubro é o Dia Nacional Chinês ou Chinese National Day {soa mais bonito em inglês, né!?}. Para celebrar essa data tão especial, o governo decreta um feriado nacional de SETE dias (!!) que é a chamada GOLDEN WEEK/SEMANA DE OURO/HUÁNGJīN ZHOU黄金周 (a gente é muito poliglota por aqui rsrsrs)… A China se tornou um país independente em 1949, mais precisamente no dia 21 de Setembro de 1949. Mas a grande cerimônia só aconteceu no dia 1º de outubro do mesmo ano, na gigantesca Tiananmen Square, em Beijing. Por isso, o 1º de outubro ficou sendo a data oficial. 

Até os dias de hoje, é realizado um evento solene na Praça Tiananmen em Beijing para comemorar a independência. Desde 2011, é colocado um enorme vaso com flores (artificiais, claro) no centro da Praça com o tema “Boa Sorte”. O vaso de 2017 tem 17 metros de altura e 50 metros de diâmetro. Coisa pouca…

golden week dia nacional china beijing pequim

Fonte: Xinhuanet

Os chineses tem alguns costumes comuns nessa data, mas viajar para destinos turísticos ou para visitar a família na cidade natal é a principal atividade. Não preciso nem comentar que as estações de trem e os aeroportos ficam lotados, né?! Bem importante se organizar com antecedência.

golden week viagens china multidao

 

Lotados, tipo assim. Porque né, estamos falando do segundo maior feriado do país mais populoso do mundo! Essa foto é de uma estação de trem em Beijing em 2014.

 

 

 

 

Já o MID-AUTUMN FESTIVAL,  o Festival do Meio do Outono, também conhecido como o Festival da Lua, sempre cai no 15º dia do oitavo mês do ano de acordo com o calendário lunar. Como o calendário lunar muda todo ano, a data desse festival, idem. E em 2017, cairá justamente no meio do feriado nacional e será celebrado no dia 04 de outubro. Esse é o segundo festival mais importante da China (depois do Ano Novo Chinês). Como o próprio nome sugere, a data celebra o meio do outono que, segundo os chineses antigos, é a melhor época do ano para a colheita. É nesse momento que a lua fica mais cheia e brilhante, por isso o festival também é conhecido como Festival da Lua.

As tradições principais da data são as reuniões familiares e as oferendas à lua, como forma de agradecimento. E a mais deliciosa delas?! Comer mooncakes!! Os famosos bolinhos são o maior símbolo do Festival do Meio de Outono. Para saber mais sobre o festival e sobre os deliciosos mooncakes, dá uma clique aqui!

mooncake festival do meio de outono china

Então, se você está na China, aproveite o feriado e não esqueça de comer alguns mooncakes. Segundo os chineses, traz sorte e fortuna! uhuulll

Zhōngqiū jié kuàilè 中秋节快乐 (FELIZ FESTIVAL DO MEIO DO OUTONO)

 

21 julho, 2017
Shanghai Calling | Comédia romântica sobre a vida de um estrangeiro na China
DICAS, LIFESTYLE

O desafio de se mudar para um país como a China pode ser assustador para muita gente. Assim como foi para Sam Chao.

É verdade que a vida de um expatriado recém chegado na China pode não ser muito fácil, especialmente quando estamos falando da cultura, do idioma e das tradições do país. Num primeiro momento, tudo parece tão diferente e até estranho para nós. E Shanghai Calling ou O Chamado de Xangai, evidência exatamente isso: em meio a um enredo de comédia romântica clichê, o filme mostra, de forma divertida, os choques culturais que sofre um ocidental quando chega ao maior país do mundo. Sam Chao, na verdade, é o personagem vivido por Daniel Henney, um americano moderno que mesmo sendo de descendência chinesa, nada sabe sobre a China e muito menos sobre a cultura do país. Advogado de Nova Iorque, ele é transferido por seus chefes para fazer negócios em Shanghai e embarca para a China, totalmente contrariado, mas na esperança de cumprir o seu dever e ser promovido quando voltar à sua cidade natal nos Estados Unidos.

Shanghai Calling filme cultura China

Já no aeroporto de Shanghai, ele conhece a também americana Amanda (Eliza Coupe). Ela é responsável pela recolocação de expatriados na cidade e apresenta Sam à comunidade de Americatown (uma espécie de Chinatown ao contrário) e à dois expats americanos que tornam-se seus amigos ao longo da trama (um deles vivido por Bill Paxton). Na sede de sua empresa em Shanghai, Sam conhece sua assistente chinesa Fang Fang e o seu principal cliente – um americano que o procura pedindo ajuda para tratar de assuntos legais com um empreendedor chinês. É a partir daí que a história começa a se desenrolar e os problemas começam a surgir. Sam não faz o menor esforço para compreender e aceitar os costumes locais, o que torna os problemas ainda maiores – e o filme mais engraçado.

Mas deixando um pouco da história em si de lado, os confrontos do personagem principal com a cultura local e os “perrengues” que ele passa ao chegar na China são os fatos que deixam o filme mais interessante e divertido. E não há como qualquer estrangeiro que tenha se mudado para a China não se identificar com as situações que ocorrem no filme.

Algumas cenas são impagáveis, como: quando Sam dá de cara com a empregada doméstica (chamada em chinês de ayi), dentro de seu apartamento, e ela, sem qualquer descrição, desanda a falar em mandarim sem parar, enquanto ele não entende nada; e quando ele discute horrores com o taxista achando que ele está querendo tirar vantagem sua por ser estrangeiro e não falar o idioma, mas no fundo ele só está tentando ajudar; e a melhor: quando um chinês marca de encontrar Sam em um restaurante comum de comida chinesa e a cada momento senta um chinês na mesa deles, na maior cara dura e com um pote de noodles para comer. E Sam ainda fica preocupado que alguém ali poderia estar entendendo sua conversa secreta, sendo que ninguém sequer sabia falar inglês. Ok, falando assim até parece não ter muita graça, mas quem nunca passou por isso na China? Fazer uma simples pergunta em mandarim e receber uma resposta de 5 minutos, em que você não compreende absolutamente nada? Ou ter que lidar com a falta de privacidade do chinês que gosta de se intrometer em qualquer situação sua? Quando você se identifica e se dá conta que passou pelas mesmas situações do americano no filme, é inevitável segurar a risada.

Essas são situações engraçadas que a maioria dos estrangeiros na China já sentiu na pele… mas também há cenas interessantes que retratam mais detalhes da cultura chinesa. A importância de dar e receber o cartão de visitas com as duas mãos (assim como o dinheiro, o troco, a nota fiscal…) e o modo como os jovens chineses são recebidos pela família da amada, são algumas particularidades culturais mostradas no filme. E além da história, que tem seu toque divertido e charmoso, é importante destacar as cenas capturadas em Shanghai, que mostram uma cidade moderna (repleta de prédios arranha-céu), o The Bund e a Pearl Tower (dois dos principais pontos turísticos) e ainda o lado humilde e tranquilo dos locais.

O filme de Daniel Hsia, é de 2012, mas não deixa de ser bem atual. Pois acredite, todas as situações curiosas (algumas no mínimo, engraçadas) que Sam vive ao chegar na China, qualquer estrangeiro recém chegado ao país estará sujeito a passar. Até porque nada muda muito em cinco anos. No caso de Shanghai, “apenas” algumas dezenas de prédios gigantes a mais, para completar o moderno e grande horizonte da cidade. Um filme leve, engraçado e com toque de romantismo, que faz o telespectador mergulhar no entendimento de como pode ser a vida de um estrangeiro nessa louca e curiosa China.

shanghai calling comedia romantica china

Separa o saco de pipoca, acessa o filme no Netflix ou baixa no Youtube, pois vale a pena! Depois me contem o que acharam 😀

Zài Jian!

 

13 julho, 2017
Shanghai Fashion Week AW17 | As tendências do outono inverno 2017
MODA, Tendências

Na China agora estamos no auge no verão, um calor escaldante de norte a sul do país e a gente só pensa em usar roupas leves: regatas, vestidos e shortinhos… Não é?! Pois é, mas como as tendências mudam num piscar de olhos, enquanto só pensamos em looks de verão, as lojas já estão trocando a coleção antiga pelas novidades da próxima estação – o Outono/Inverno 2017! E assim, a gente já sente que está na hora de falar das próximas tendências… tô certa? kkkkk

Nesta temporada, participei mais uma vez do Shanghai Fashion Week. Adoro (!!!), pois é o momento que os chineses desfilam suas grandes produções, tanto nas passarelas quanto nas ruas, e é quando a gente percebe como eles podem ser tão criativos e ousados. As apresentações da temporada Outono/Inverno rolam em abril de cada ano, enquanto a Primavera/Verão acontece em outubro, mas vamos falar do inverno, ok?! Os desfiles são realizados tanto no pavilhão principal do descolado bairro XinTianDi, quanto no Bailian Fashion Center.

Esta edição do Shanghai Fashion Week contou com cerca de 85 shows e apresentações, em setes dias de evento, e mais de 1000 marcas envolvidas entre desfiles, showrooms e trade shows. O destaque vai para o grande número de marcas estreantes nas passarelas (chinesas e de outros países asiáticos), enquanto diversas 0utras mais tradicionais ficaram de fora do lineup.

Por um lado, acho a iniciativa bacana, pois é uma oportunidade de jovens designers mostrarem o seu trabalho. Ao mesmo tempo, acredito que isso desvaloriza um pouco a imagem do evento, uma vez que as marcas não tem muito apelo, o que pode gerar pouco engajamento por parte do público. De qualquer maneira, não há como negar que, com tantas marcas e tantos profissionais envolvidos, Shanghai está se tornando o centro em negócios de moda da China (já a frente da capital Beijing) e o evento sempre traz muito movimento, burburinho e figuras estilosas ao XinTianDi, bairro onde se concentra a meca de fotógrafos, showrooms e imprensa.

Mas vamos a parte que interessa… A partir do que rolou nas passarelas do Shanghai Fashion Week Autumn Winter 2017, já podemos ter uma ideia das tendências e do que vamos encontrar nas araras das lojas fashionistas em breve, no que depender dos estilistas chineses. Abaixo, vejas as apostas de algumas das principais grifes da China:

 

MUSEUM OF FRIENDSHIP

A label de Momo Wang é responsável por um dos shows mais disputados da temporada. Veterana no SFW, a marca sempre foi uma das queridinhas (leia mais sobre a designer e ID da marca aqui). Essa já é a terceira temporada que Momo adota um formato diferente para apresentar a coleção – as modelos ficam estáticas, fazendo poucos movimentos – e o show acontece no Bailian Fashion Center.

A coleção intitulada NEXT PASSPORT está um pouco mais madura e as modelos, que nas temporadas anteriores costumavam apresentar as produções dançando e pousando como menininhas, dessa vez apareceram mais contidas e seguras de si. Enquanto as coleções anteriores tinham inspiração colegial, a de Outono Inverno 2017 tem uma pegada mais gótica. Destaque para os vestidos pretos na altura do tornozelo feitos de nylon e seguindo a tendência midi, e ainda para os casacos de grandes proporções, com fitas e tops nas mangas. Uma das grandes apostas de Momo é a linha exclusiva de tricot com lã de merino (aquela lã bem grossa), que deu um efeito muito bacana às peças. As botas pretas de borracha estilo Wellington completaram os looks. Já a cartela de cores é baseada no preto, vermelho e off white.

Museum of Friendship fall 2017

Museum of friendship MOF inverno shanghai 2017

 

LU YANG BY YANG LU

A coleção foi inspirada na fantasia poética e no elo entre o homem e a natureza, representado por elementos abstratos com animais. Foi uma das coleções que eu mais gostei. A marca trouxe para a passarela várias tendências atuais que vimos recentemente nos desfiles internacionais e nos looks de street style de fashionistas. Tais como o veludo molhado, as calças flares e pantalonas (como as pantacourts), a mistura de tecidos e texturas, os tecidos metalizados, as listras e estampas geométricas. Acho que usaria praticamente todas as peças, alias, as listradas estão maravilhosas! Minha preferida? O vestido roxo ombro a ombro com mangas longas (outra modinha que os chineses adoram – mangas exageradamente longas).

Shanghai Fashion week inverno passarela winter 2017

passarela moda china shanghai outono inverno

looks outono inverno 2017 semana de moda china fashion week

lu yang shanghai fashion week 2017 china

tendencias moda lu yang shanghai fashion week 2017

 

LOUUIF STUDIO

A marca, que assume o estilo psicodélico, foi criada em abril de 2016 e em menos de um ano depois já estreou nas passarelas do Shanghai Fashion Week. Confesso que foi um pouco difícil traduzir e entender o tema da coleção, mas no geral a estilista procurou imprimir nas peças a alma feminina, um sonho, uma história a ser contada. A designer acredita que as mulheres não devem se preocupar com o exterior, pois o poder feminino vem de dentro e ela procurou retratar os sonhos e as histórias do interior feminino em cada peça.

O que mais chamou a atenção na coleção foi a mistura de materiais: muito tecido rústico e pesado (como a juta e como o couro e a lã), combinados com a leveza da organza e a elegância do veludo molhado, que está super em alta. Essa mistura quase que inédita de materiais tem o objetivo de refletir o sentido das contradições da mente feminina.

O peso das cores também destoou entre si. Destaque para os leves tons pastel, como o rosa e o nude e para os pesados e terrosos, marrom e verde escuro.

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C.J. YAO

Graduada na Central Saint Martins de Londres, em 2012, CJ Yao é uma das veteranas do SFW. Conhecida por suas criações pra lá de criativas e ousadas e pelo uso de materiais não-convencionais, a coleção Outono/Inverno 2017, apesar de bem colorida, está mais ready-to-wear do que as anteriores.

O tema desta coleção é a cultura antiga de Dongba, um grupo étnico de Lijiang, região que fica no nordeste da província de Yunnan. Textos e padrões gráficos referentes a essa cultura foram impressos nas roupas. A cartela de cores bem definida foi o que mais chamou a atenção. Cores fortes, como o burgundy, azul royal, azul marinho e verde musgo combinaram muito bem entre si e ainda com as cores mais vivas como o amarelo, o laranja e o azul turquesa. Apesar de exótico, as cores estavam em harmonia e criaram um visual bonito.

As diferentes combinações de tecidos também estavam em sintonia. No geral, os looks de passarela parecem ser over, mas se for analisar cada peça separadamente, a grande maioria pode ser bem aplicada nas produções casuais do dia a dia. Foi uma das apresentações que mais me agradou e pelo que li dos críticos, essa foi considerada uma das coleções mais consistentes desta temporada.

moda china passarela shanghai fashion week inverno 17

cj yao passarela inverno 2017 china

shanghai fashion week semana moda china cj yao

 

MAIS TENDÊNCIAS

Olha aí o veludo molhado mais uma vez!! Tem gente que torce o nariz, mas pelo jeito, o tecido continua em alta no próximo inverno. Transparência, tule, motivos florais e veludo molhado foram as apostas da grife de vestidos de noiva WeCouture.

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Tons pastel e elementos infantis foram as apostas da marca 嫵WOO. As chinesas adoram elementos e estampas infantis no vestuário.

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Já a Siastella abusou das variações de branco – branco, nude, bege e off white. Ousado para inverno, não?! Mas eu particularmente acho super elegante. Silhuetas largas, sobreposições e recortes desencontrados também foram destaque.

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E a Cindy Soong entrou no clima invernal mesmo! A coleção 2017 abusou dos tecidos pesados, como a lã e de estampas xadrez e a pied de poule (a tradicional da Chanel), além dos recortes assimétricos e babados. E olha ele ali de novo, o veludo molhado…

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E então, qual sua opinião sobre as apostas do próximo Outono/Inverno? Deixa aí seu comentário que vou adorar lê-lo!

Vale ressaltar que não só marcas de vestuário feminino participam do Shanghai Fashion Week, mas também marcas de acessórios, vestuário masculino e infantil.

Zài jiàn :)

11 julho, 2017
Companhia aérea chinesa lança uniformes de alta-costura… em Paris!
Look do Dia, MODA, Tendências

Eu sempre insisto na tecla de que a moda chinesa pode ser conceitual e estilosa, sim! E alguns dos assuntos mais presentes na minha vida – China, moda e aviação – foram destaque fashion internacional nessa semana. Uma das maiores empresas aéreas da China e também conhecida por fazer parte da lista das 10 companhias mais seguras do mundo, a Hainan Airlines, fez uma parceria inédita e inovadora com o renomado fashion designer chinês Laurence Xu.

O resultado? Uniformes de alta-costura para os comissários de bordo!! A parceria começou a dois anos e o estilista Laurence Xu desenhou mais de 1000 modelos e testou mais de 100 amostras de roupas e acessórios até chegar ao resultado final. O novo uniforme foi apresentado no evento 2017 Laurence Xu Haute Couture Show, no Salão de Baile do InterContinental Paris LeGrand, no ultimo 4 de Julho, durante a Semana de Alta-Costura de Paris. Mais chic impossível!

hainan airlines novo uniforme alta costura moda china paris

A inspiração principal para o novo uniforme foi o CHEONGSAM – estilo de vestido tradicional chinês, normalmente usado em ocasiões mais formais. O nome popular do vestido é Qipao, que já apresentei nesse post. Algumas alterações foram feitas no uniforme em relação ao traje tradicional, ainda que poucas. O designer acrescentou elementos modernos de modo a deixar o modelito mais atual, mas manteve as principais características do Cheongsam – justo e fechado, com colarinho alto e leve fenda na saia.

Hainan Airlines New Uniform Cheongsam qipao moda china

A estampa foi outro processo a parte e que merece destaque. Os padrões coloridos que remetem às nuvens e ao céu no colarinho e ao mar e às montanhas na barra, fazem alusão ao novo avião da Hainan e ao Roc, um pássaro místico que representa força. Ainda tem mais, de acordo com a Hainan, as mangas 3/4 denotam simplicidade e a quantidade certa de modéstia. O avental é projetado como um vestido em forma de tulipa, afim de enfatizar elegância, feminilidade, estética apurada e praticidade. Na cartela de cores, o cinza, cor já adotada nos uniformes anteriores da Hainan, predomina.

Hainan-Airlines

 

hainan alta costura china paris

moda china paris Hainan-Airlines

Os idealizadores tiveram o cuidado de combinar clássicos da arte oriental com a silhueta ocidental moderna e essa fusão de elementos chineses tradicionais com a moda internacional, resultou em modelos lindos e muito fashionistas. Segundo eles, essa parceria representa muito mais que o resultado de uma combinação entre moda e aviação. Representa a experiência de moda durante as viagens jornadas e o compromisso que a companhia tem para com as expectativas dos seus passageiros, que estão em constante mudança.

Esse é o quinto modelo de uniforme da companhia aérea, que não lançava um novo padrão de uniforme desde 2010. Sem dúvida alguma, esses novos modelos são os de maior sucesso na história da empresa e tem tudo para encabeçar a lista dos uniformes mais icônicos de todos os tempos. Uma bela estratégia para alçar a companhia a voos cada vez mais altos e levar seu nome ao mundo todo.

Se os uniformes são confortáveis, não sei dizer, mas são maravilhosos, não são?! Bateu até uma vontade de virar flight attendant só para poder vesti-lo…

 

19 junho, 2017
Intercâmbio na Austrália | Estudando Inglês em Sydney
Austrália, DICAS, VIAGENS

Desde novinha tenho o desejo de morar fora do país. O destino acabou me trazendo para a China, mas até então minha primeira opção era a Austrália. Quem nunca ouviu falar de um amigo ou amigo de amigo que largou um bom emprego no Brasil para estudar e tentar a vida na terra dos cangurus?! Acredito que esse destino seja tão popular entre os brasileiros em função das praias, das belas paisagens e do lifestyle australiano e também pelo clima e pela cultura serem consideravelmente semelhantes aos do Brasil. Além disso, a Austrália tem alguns bons plus que são a segurança, a qualidade de vida e a infraestrutura.

Desde que vim morar na China, meu conhecimento de inglês melhorou consideravelmente. Mesmo que no dia a dia a gente mal se depara com chineses que saibam falar o idioma, a convivência com estrangeiros e o fato de assistir programas de TV e notícias em inglês não deixam de ser ótimos meios para improvisar. No fim das contas, a gente acaba aprendendo através do listening. O lado negativo é que deixamos a gramática um pouco de lado e ficamos sujeitos a cometer vários erros gramaticais. Pensando assim, decidi que era hora de desenterrar aquela vontade que vinha desde os meus tempos de adolescente e me dedicar a um curso de inglês num dos países onde a educação é considerada de excelência.

Como esse era um desejo meu desde que eu tinha, sei lá, uns 16/17 anos, eu achava que fazer intercâmbio na Austrália fosse coisa de garotada super jovem, recém saídos da escola, sabe?! Mas para minha surpresa, a média de idade dos alunos da escola onde estudei é de 25 a 35 anos. Tem alguns alunos de 40 e conheci até uns estudantes na faixa dos 50, o que eu achei muito legal, afinal, nunca é tarde para pararmos de estudar.

SYDNEY intercambio ingles Harbour Bridge Opera House

• O PRIMEIRO PASSO

Na minha opinião, a primeira coisa a fazer é entrar em contato com uma agência de intercâmbio, de preferência, já com a cidade da Austrália que você gostaria de morar em mente. Paralelamente, sugiro pesquisar as opções de escolas de idiomas presentes nessa cidade para já ter uma ideia de quais te agradam mais. No caso das principais cidades da Austrália, como Sydney, Canberra, Melbourne, Gold Coast e Brisbane, há diveeeersas opções de escolas.

Fazer todos os trâmites iniciais através de uma agência de intercâmbio é fundamental, pois eles te fornecem sugestões de escolas e orçamentos, ajudam com o visto, orientam quanto aos esquemas da viagem e acomodações e podem te dar suporte caso você precisar, quando estiver lá do outro lado do mundo. E o valor que você paga de taxa para a agência é muito pequeno se comparado com o tempo e com as preocupações que você deixa de gastar e ter.

Mesmo morando na China, eu fiz tudo através da Australian Centre, uma agência de intercâmbio do Brasil. Não tenho o que reclamar deles, pois sempre foram prestativos e respondiam os emails com agilidade. Mas deixo como sugestão outras opções de escolas de intercâmbio no Brasil que são especializadas em levar estudantes para a Austrália e também Nova Zelândia, tais como: Hello Austrália; World Study e; Ozzy Study Brazil.

Outra dica legal é que várias escolas de idiomas tem sede em mais de uma cidade australiana. Geralmente o aluno pode começar estudando em uma cidade e continuar o curso na mesma escola, porem em local diferente e assim experienciar o estilo de vida em diferentes lugares da Austrália.

• VISTO

duas opções de vistos mais comuns nesse caso: o de turista e o de estudante.

Com o visto de turista, que tem duração de um ano e é de múltiplas entradas, é possível estudar durante três meses na Austrália. Depois, você deve sair do país, mas quando retornar, pode voltar aos estudos por mais três meses. Mas claro que nesse caso, seria melhor ter logo um visto de estudante. Além disso, o visto de estudante permite que você trabalhe por até 20 horas por semana. A grande maioria dos brasileiros que vai para a Austrália com o objetivo de ficar por mais tempo, solicita o visto de estudante.

Como meu curso seria de curta duração (optei por seis semanas), tirei o visto de turista. Meu visto, particularmente, demorou mais que o normal para ficar pronto, já que sou uma brasileira que reside na China, então tive que providenciar mais documentos que o “geralmente necessário”. Segundo a agência me informou, o visto de turista demora em torno de três semanas para ficar pronto, enquanto que o de estudante pode demorar de um a três meses. Mais informações quanto aos tipos de visto e valores, a agência de intercâmbio é a mais indicada para te orientar.

• O CURSO

Bom, a Australian Centre me passou sugestão e orçamento de cinco escolas de intercâmbio em Sydney (Langports, Greenwich, Kaplan, Embassy e ILSC) mas desde o início eu estava inclinada a me inscrever na Langports Language College, que tinha sido indicação de uma amiga e também por ser bem rankeada entre as escolas de idiomas do país. Dois dos pontos que mais me agradaram na Langports foi a metodologia de ensino e o fato de você pode começar o curso de inglês geral em qualquer segunda feira do ano (que na verdade também ocorre em outras escolas de inglês do país).

A Langports oferece todos estes cursos de inglês, sendo o UFO (referente ao General English) o mais procurado, além do IELTS e Cambridge. No caso do UFO, o aluno terá diferentes classes para cada skill – writing, listening, reading e speaking e poderá estar em um nível diferente em cada habilidade. Por exemplo, o aluno que sabe ler inglês melhor do que falar, ficará em um nível mais alto na classe de Reading do que na de Speaking. Compreende? Os níveis vão do 1 ao 6, sendo que o 1 é para iniciantes e 6 é o avançado.

No primeiro dia, é feito um teste de nivelamento referente a cada uma dessas skills. Portanto, são quatro testes diferentes no total. Os resultados são avaliados pelos professores e o aluno é direcionado ao nível de acordo com o seu conhecimento.

A primeira semana de aula costuma ser a semana de teste, para ver se o aluno se adapta ao nível de ensino, se estiver muito fácil pode passar para um nível acima ou mudar para um nível anterior, caso tenha dificuldades. No meu caso, comecei no nível 4 do UFO (General English) e logo mudei para o nível 5 . Geralmente, o tempo de permanência em cada nível é de oito a dez semanas, até passar para o nível superior. No meu caso, como sou o tipo de aluna nerd, que vai para estudar e aprender mesmo (afinal é o meu dinheiro e meu conhecimento que está em jogo) depois de três semanas no nível 5, mudei para o curso de Cambridge, com a permissão do meu professor, claro. Os cursos de Cambridge e IELTS são turmas fechadas, o professor é sempre o mesmo e a metodologia é um pouco diferente (não tem classes de habilidades específicas como acontece no General English). No de Cambridge ainda há bastante revisão de conteúdo, já o IELTS é mais focado nas técnicas para se fazer um bom exame, portanto indico apenas para quem quiser prestar o exame do IELST e claro, já tem um bom nível de inglês.

Na parte da tarde tem as chamadas Optional Classes, em que o aluno pode escolher a aula que irá participar de acordo com o assunto. Eu fiz aulas de Conversation, Business and Administration e Optional for IELTS. E para quem não cansou de estudar, ainda tem os Workshops. O mais popular entre os alunos é, com certeza, o de Aussie English and Slangs, em que o professor ensina gírias e expressões usadas pelos Australianos.

Sobre a Langports: a sede de Sydney tem boa infraestrutura e localização. Os professores são super gente boa. Ensinam, mas não cobram muito dos alunos. Não surpreendente, a maioria dos alunos são brasileiros, o que é um problema para quem vai lá para aprender inglês, porque querendo ou não, da porta pra fora, as conversas acabam sendo em português.

Quanto ao tempo de estudodepende muito do objetivo de cada um e do budget também. Eu fiquei apenas seis semanas, mas há muitos alunos que estudam quatro, seis, oito meses… Tem alunos que chegam lá sem falar nada de inglês e saem já sabendo desenvolver uma conversa inteligente com nativos da língua.

Australia Intercambio ingles SYDNEY

• TRABALHO

A grande maioria dos brasileiros que vai para a Austrália estudar, também trabalha. Afinal, se manter em uma cidade com altos custos de vida como Sydney, por exemplo, não é fácil. O que muitos não sabem é que, provavelmente, nossa experiência no Brasil não conta pontos na hora de arranjar um bom trabalho no país. A grande maioria faz trabalho braçal ou labor work. Começa como faxineira, garçom, ajudante de cozinha, ajudante de pedreiro, controlador de trafego, barista, etc… Dizem que os trabalhos braçais que mais pagam bem são como babá e controlador de trafego, que paga de 25 a 30 AUD por hora. Ambos exigem curso preparatório que é feito na Austrália mesmo, basta se informar com a sua agência de intercâmbio. Vale ressaltar que é bem comum montar um currículo diferente para cada tipo de vaga a qual você se candidatar. Ou seja, um currículo para a vaga de garçom, outro para a vaga de controlador de trafego…

• ACOMODAÇÃO

Viver na Austrália, especialmente em Sydney, não é barato… mas há solução para driblar os preços altos. Minha sugestão é viajar para o país já com a acomodação reservada para os primeiros 10, 15 dias. E de lá pesquisar uma moradia para passar o resto da sua estadia. Por que aí você já estará familiarizado com a cidade e provavelmente terá dicas valiosas de amigos e colegas que já moram mais tempo pela área.

Na Austrália é suuuper comum as pessoas dividirem casa (e até quartos), muitas vezes com roomies que mal conhecem. Então não é nada de se estranhar quando seu amigo brasileiro contar que divide o teto com um australiano, um asiático, um europeu, ou seja lá quais nacionalidades, que acabou de conhecer. Diversidade cultural bem interessante, não?! Os Aussies usam, especialmente, dois sites para anunciar moradias ou arranjar roommates: o Flatmates.com.au e o Gumtree.com.au.

Em ambos você cria um perfil gratuitamente e pode procurar por acomodações compartilhadas ou colegas para compartilhar uma acomodação. No Flatmates é preciso fazer o upgrade e pagar um taxa caso queira enviar mensagem para os perfis fechados (aqueles que só aceitam mensagem de quem tem conta paga) ou ver o contato de alguém. O Gumtree até onde eu sei é gratuito e ainda tem oferta de empregos.

Outra opção é pesquisar através de grupos fechados no Facebook, como o Brasileiros em Sydney.

As acomodações em Sydney ficam em tordo de AUD 150 a AUD 650, mas o valor varia muito de acordo com a localização e o tipo de quarto. A média costuma ser de 300 a 350 AUD para quarto privativo com banheiro compartilhado.

Nas minhas duas ultimas semanas em Sydney, aluguei um quarto na casa de um local que achei pelo AirBnb e também pelo Flatmates. Foi a primeira vez que fiquei na casa de um desconhecido, mas o dono era tão de boa, que me senti em casa e adorei a experiência.

E por fim, qual foi meu aprendizado com essa experiência? 

A melhor possível. Sydney é uma cidade incrível para visitar e para morar. As pessoas são educadas, bem receptivas, tudo funciona, a infraestrutura é ótima, o transporte público te leva para qualquer canto da cidade e todo lugar é seguro. Isso sem falar do clima ameno, da beleza das praias, dos inúmeros parques arborizados e das incontáveis opções de cafés, restaurantes e bares. Para mim, o lifestyle do australiano é demais! Conheci lugares incríveis e pessoas do mundo inteiro, reencontrei amigos que não via a anos (como disse, muitos brasileiros em Sydney) e fiz boas amizades que pretendo levar para a vida. 

Quanto aos estudos, meu curso durou apenas seis semanas, pois como disse anteriormente, meu objetivo principal era revisar a gramática. E posso dizer que valeu a pena. Improvisei meu conhecimento, corrigi erros gramaticais que eu nem sabia que cometia e voltei para a China muito mais confiante com meu inglês. 

Australia Sydney cenario praia

Australia canguru sydney

Australia intercambio colegas ingles amizade

05 abril, 2017
Alimentos e outros produtos brasileiros na China? Sim, temos o Taobao
Compras, DICAS, LIFESTYLE, Redes Sociais

Uma das coisas que nós brasileiros mais sentimos falta quando moramos fora é a boa e velha comida típica brasileira: arroz, feijão, aquela farofa feita no capricho, guaraná gelada, o nosso querido pão de queijo, entre tantas outras coisas que são a cara da nossa terra.

Na China, até tem o Latina Grill (que eu já contei aqui), um restaurante brasileiro presente em grandes cidades chinesas que quebra um galho quando bate aquela vontade de comer um bom churrasco, com coração de galinha, polenta frita, maionese, caipirinha bem gelada e tudo que temos direito hmmm

Mas nem sempre dá pra ir né?! E também, o que fazer quando você está na China e bate aquela vontade de comer uma comida brasileira e bem caseira? Ahhh nessas horas, ainda bem que tem o TAOBAO!!

Eu já falei sobre ele aqui – o maior site de compras da China (se não do mundo), onde a gente encontra de tudo. Mas tudo mesmo! Inclusive produtos brasileiros e o melhor, produzidos no Brasil e não made in china.

Nas minhas primeiras vindas à China, a mala vinha cheia de mantimentos – tapioca, erva mate para chimarrão, feijão preto (não que na China não tenha, mas o gostinho do brasileiro é melhor) e mais um monte de coisas que não achava por aqui. Mas graças ao Taobao, hoje em dia as malas vem bem menos pesadas haha

E navegando pelo site chinês por algum tempo, cada vez mais, fui encontrando produtos com os quais me identificava. E a felicidade em encontrar comida brasileira acessível na China?! Nossa…. Então aqui vai uma listinha dos produtos brasileiros que podemos encontrar (mantive o nome das lojas em mandarim, para facilitar a busca):

巴西食品在綫 (Brazil Food Online)

Essa é a loja real oficial de produtos brasileiros. Só vende marcas brasileiras e várias coisas gostosas, como: tapioca, Guaraná Antártica, massa para pão de queijo, erva-matebatata palha, biscoito Passatempo {eu nem comia mais quando estava no Brasil, mas tive que encomendar só para matar a saudade}, paçoquinha, suco de açaí, farofa de mandioca, goiabada, cerveja Brahma e até Miojo (que eu não sei quem compraria, já que na China tem uma infinidade de tipos de noodles… mas enfim, tem!). As vezes, algumas mercadorias não tem a pronta-entrega, como é o caso da tapioca, que é um dos campeões de venda, por isso é bom sempre ficar ligado. Quando tem a pronta-entrega chega em casa rapidinho, de dois a três dias. Já comprei diversas vezes e recomendo!

Taobao loja produtos brasileiros compras china

 

巴西顶级有机绿蜂胶原

Essa outra loja também tem “Brazil” no nome (巴西 Bāxī) mas o negócio deles é outro. O principal produto é o extrato de própolis brasileiro, vendido de diversas marcas. Mas para a alegria do bom gaúcho, a loja vende cuia de chimarrão e também erva-mate (ou yerba mate, como esta descrito). Esses produtos são de origem argentina, mas na hora do aperto, é uma boa opção para quem gosta.

Alias, para minha surpresa, tem várias lojas do Taobao que vendem cuia de chimarrão, basta pesquisar por 马黛茶杯 (Mǎ dài chábēi – copo de mate).

E a fruta típica do nosso Brasil, o açaí, tem representante no site chinês. A fruta em si ainda não achei, mas sim o açaí em pó. Basta pesquisar por “acai powder” com “c” mesmo e verá que várias lojas comercializam. A marca é americana, mas claro que deve vir das terras tupiniquins.

Taobao compras açaí brasil

E por último, um alimento que não é somente especialidade brasileira, mas que tenho certeza que todo brasileiro, de norte a sul, adora. É o tal do aipim, também conhecido como mandioca e macaxeira. Aii que delícia!! Pior que nunca encontrava pra vender na China, nem nos maiores supermercados, como Carrefour e Walmart, e sentia a maior falta. Mas aí inventei de traduzir do inglês pro mandarim, pesquisei no Taobao é não é que eu achei!!? Em chinês se chama 木薯 (mùshǔ), então basta pesquisar por esse nome.

Taobao mandioca aipim comida tipica brasileira china

Mas não é só alimentos brasileiros que a gente encontra no Taobao, tem também marcas de cosméticos, como as famosas Boticário e Natura, que eu particularmente adoro! Especialmente os cremes hidratantes, super perfumados. Adorei ter encontrado essas belezinhas pelo site, pois isso era outra coisa que eu costumava trazer do Brasil. Para achar, basta pesquisar por “Boticario” e “Natura Brazil”.

Taobao cremes produtos beleza boticario china

Bom, esses são algumas coisas que eu mais sentia falta de comer depois que vim para a China. E pesquisando no site, conversando com um ali e outro aqui, acabei descobrindo onde achar. Se você conhece mais algum, sua dica será bem vinda nos comentários.

Para falar a verdade, depois que descobri o Taobao, não senti falta de mais nada nas minhas refeições. Claro que o preço dos produtos é mais alto do que os praticados no Brasil, afinal, estamos falando de produtos importados. Mas ainda assim é ótimo saber que temos a ‘quem’ recorrer quando acaba o nosso estoque, não é?!

 

05 fevereiro, 2017
Meu vestido de noiva Made in China
Beleza, BELEZA, Compras, DICAS, Look do Dia, MODA, Tendências

Hoje, três meses do dia da minha festa de casamento, estava revendo as fotos e resolvi compartilhar aqui sobre um assunto bem pessoal e especial – A ESCOLHA DO MEU VESTIDO DE NOIVA. Afinal, eu amei, muita gente amou e foi MADE IN CHINA.

Olha, vocês não sabem quanta gente ficou surpresa quando contei que mandei fazer meu vestido na China… Na verdade, eu vi diversos vestidos para alugar no Brasil e além de serem caros (os que mais gostei variavam de R$ 6mil a R$ 9 mil o valor do aluguel!), não me apaixonei por nenhum que provei. E como eu já tinha uma ideia bem clara do modelo de vestido de noiva que eu queria seria melhor mandar fazer. Como eu passo mais tempo na China do que Brasil, ficaria complicado mandar fazer um vestido no Brasil e acompanhar tudo de tão longe. Então eu pensei: por que não mandar fazer o vestido de noiva na China?

Acho que já está mais do que na hora de acabar com essa premissa de que tudo que é feito na China é de má qualidade. Até porque aquela bolsa que você pagou caríssimo ou a camiseta de marca que você comprou em Nova Iorque, podem muito bem terem sido produzidas na China.

Por aqui existem milhares de costureiras especializadas em vestidos de festas e de noivas. Nem todas são boas, claro e eu pesquisei muito, perguntei muito, pois sabia que precisava de alguém que pudesse confiar tanto na qualidade do serviço e mão de obra quanto na qualidade do material, comprometimento, prazo de entrega, etc.. São vários fatores a se analisar antes de escolher o responsável por confeccionar o modelito mais especial da sua vida.

Uma amiga que trabalha no ramo de roupas e já mora há muitos anos na China, me indicou um ateliê de noivas em Hangzhou. Entrei em contato com a dona, uma chinesa muito querida e simpática chamada Vivi, peguei um voo para Hangzhou e fui conhecer o ateliê. Claro que a maioria dos vestidos prontos que ela tinha eram bem no estilo chinês – muito tule, saia rodada cheia de camadas e até alguns modelos em vermelho, já que faz parte da tradição chinesa as mulheres se casarem de vermelho. Nada do meu agrado, mas eu já sabia que iria mandar fazer o vestido do jeito que eu imaginava.

Desde o início das pesquisas, já imaginava um modelo de vestido de noiva justo. E como estávamos planejando um casamento moderno e na praia, o modelo sereia seria perfeito para a ocasião e também para meu tipo de corpo, mignon. E tinha que ter um decote bem profundo nas costas. Acho lindo para as magrinhas e levemente sensual.

Depois de explicar como gostaria e mostrar algumas fotos, a Vivi fez um esboço do vestido e me deu algumas dicas do que podíamos mudar, para deixa-lo mais bonito e confortável. Achei ótimo que ela foi super sincera, mostrou que tinha bastante conhecimento no assunto e assim, me passou confiança. Pois além da barreira dos costumes e do idioma, afinal ela é uma chinesa e fala um inglês razoável, ela conseguiu captar minhas ideias e nos entendemos bem.

Minha outra exigência era usar renda. Amo vestido de noiva rendado e sempre sonhei com o meu assim. Ela me mostrou algumas rendas taiwanesas e além disso, eu tinha a opção de usar renda italiana ou francesa, o vestido ficaria quase o dobro do preço, mas mesmo assim sairia mais barato do que mandar fazer um vestido de mesmo nível no Brasil. Só consegui ver as rendas italianas e francesas por foto e foi difícil decidir por uma. Quando finalmente decidi, não teria mais tempo hábil para mandar a renda da Europa e confeccionar o vestido, então acabei optando por usar só rendas taiwanesas. E para falar a verdade, eu amei as rendas. As rendas de Taiwan são conhecidas pela boa qualidade, tão boas quanto a renda francesa, leves e com toque macio. Algumas partes da renda não foram costuradas no vestido, para dar um leve efeito 3D, em alta no universo dos casamentos atualmente.

No mais, ela usou três camadas de tule transparente no corpo do vestido e apenas duas na cauda, pois queria uma cauda leve e esvoaçante. A transparência é uma tendência de moda super atual e como o casamento seria durante o dia e na praia, teria tudo a ver. No dia, usei um shortinho justo de cintura alta cor da pele, para não mostrar demais. E um dos tecidos tinha um fundo de tela, o que eu achei que deu um detalhe a mais e super remete ao estilo praiano. Sobre a cauda, pedi que não fosse tão longa, pois iria usar véu na hora da cerimônia e cauda muito longa atrapalha para dançar. Na festa, prendi a cauda no vestido para aproveitar e dançar muito sem qualquer preocupação de pisarem nela. A cauda foi presa com botões transparentes que ela costurou no vestido, quase impossíveis de enxergar.

Para dar o toque final, ela usou pequenas miçangas transparentes e pérolas por cima da renda. As pérolas ficaram um charme e tem tuuuudo a ver com o clima praia, mar, romance… E ainda usei um cinto delicado para marcar a cintura e deixar a silhueta bem feminina. A renda e as pérolas dão um toque romântico ao estilo mais sexy do modelo sereia decotado. Achei na medida perfeita para meu tipo de corpo.

Para não dizer que foi tudo perfeito, no meio do caminho tivemos alguns contratempos, o vestido era como eu havia passado pra ela, mas não tinha ficado bem no meu corpo, então ela fez um novinho com todas as alterações que eu pedi. No dia da ultima prova fiquei super aliviada, estava perfeito, como eu queria. E no dia do casamento, me senti linda e muita confortável com ele.

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Bom, mas para as noivas que pensam em encomendar vestido da China, eu sugiro pesquisar bem, entrar em contato com o vendedor, perguntar sobre a qualidade do material, do tecido usado e a procedência da renda, caso tenha. As rendas chinesas costumam ser mais duras e pouco maleáveis, não se moldam no corpo. Também já vi muito vestido costurado de qualquer jeito e até manchado. Nem sempre dá pra confiar nas fotos postadas pela loja em questão, pois as vezes eles copiam o modelo de alguma marca famosa ou de alguma celebridade e divulgam fotos não autorais como se fossem deles. O modelo pode ser lindo, mas a qualidade nem tanto, por isso fique atenta. E independente se for mandar fazer o vestido de noiva na China ou em qualquer outro lugar do mundo, acho importante ter em mente o modelo que deseja, o que ficará melhor no seu tipo de corpo, pois além de se sentir linda, tem que se sentir confortável, segura e de bem consigo mesma. Afinal, esse é o SEU DIA DE ARRASAR!

Quem tiver interesse (e algumas meninas já entraram em contato comigo perguntando) vou deixar o contato do ateliê da Vivi. Ela confecciona o vestido a distância, manda fotos a cada etapa de produção e quando pronto envia para o seu endereço, inclusive no Brasil.

V2 Wedding Dress Hangzhou | WeChat ID: oranpooh (Vivi). Ps: tem várias fotos do trabalho dela no wechat e ela prometeu que vai fazer um insta, atualizo por aqui quando souber.

Essa foi a minha experiência com vestido de noiva da China e a sua?

01 fevereiro, 2017
A importância do Ano Novo para as famílias chinesas e o reencontro entre pais e filhos
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

Bom, no próprio título do post já fica claro os dois assuntos que quero tratar nesse texto. Mas os que esses dois assuntos tem em comum? Na verdade, tem tudo a ver. 

Talvez muitos que estão de fora não compreendam a verdadeira importância desse feriado de Ano Novo para os chineses, também conhecido como Festival de Primavera. Eles esperam ansiosamente o ano inteiro por essa data. A China praticamente para: os restaurantes e lojas fecham, as empresas entram em recesso por alguns dias e a maioria da população se desloca. Ou seja, é o momento que os trabalhadores tem para descansar do trabalho puxado do ano inteiro. Mas mais importante do que isso, essa é a época do ano que eles conseguem reunir a família e rever os entes queridos. Pessoas importantes que, na maioria das vezes, moram muito longe.

familia chinesa tradição cultura ano novo

Isso porque, se você conversar com algum chinês que mora em cidade grande, como Beijing, Shanghai, Hangzhou, Chongqin, Xian, Guangzhou, Shenzhen e muitas outras, incluindo Xiamen, muito provavelmente ele não é dessa cidade, originalmente. 

A grande maioria da população que vive e trabalha nessas cidades desenvolvidas vem do interior. Eles vem para cá a procura de trabalho. A procura de dinheiro para sustentar a família, que mora no campo. Mãe, pai e até filhos. Porque na cultura chinesa funciona assim: enquanto os pais trabalham, as crianças são cuidadas pelos avós (paternos, geralmente) e se os pais tem que trabalhar em outra cidade, os filhos ficam com os avós na sua terra natal.

E aí entra a questão das crianças e jovens chineses serem conhecidos como egoístas. Uma porque são filhos único e outra por serem criados por avós, que na maioria das vezes não impõe limites e nem dão a atenção necessária que uma criança precisa (não é regra, mas acontece). 

Esses dias estava em um restaurante de Xiamen que costumo frequentar e a chinesa que sempre me atende sentiu-se confortável para desabafar comigo. Eu perguntei à ela se iria viajar no Ano Novo chinês e ela disse que iria para a cidade natal de seu marido, para ver sua filha de oito anos, que mora com os avós paternos. Infelizmente ela não poderia ver os seus pais, que moram em outra cidade. Afinal, ela precisava decidir entre a sua filha e os seus pais. 

Imagina, ela vê a filha apenas duas vezes por ano: uma no Ano Novo chinês e outra no feriado de Independência. E ela contou o quanto estava preocupada, pois a menina ia mal na escola e ninguém dava bola para a criança. Os avós cuidam dos outros netos que são mais novos (e homens!) e não dão muita atenção para a menina. Para nós pode ser uma surpresa saber que os pais só veem os filhos uma ou duas vezes ao ano, mas para os chineses isso é tão comum. Esse nosso papo me lembrou um trecho do livro Laoway, em que a Sônia Bridi relata o quanto ela ficou surpresa ao ver crianças soltas nas ruas do interior, sem qualquer supervisão de um adulto. (Aqui tem um review bem interessante desse livro, que por sinal, é ótimo). 

E a minha surpresa quando ela me perguntou: os ocidentais tem o costume de cuidar de seus próprios filhos, não é?! “É claro que nós cuidamos dos nossos próprios filhos, afinal, nós que escolhemos ter filhos e nós que colocamos eles no mundo” eu pensei na hora, mas a respondi apenas com um educado “sim”. 

Ela poderia trazer sua filha para morar em Xiamen, mas aqui as escolas públicas estão sem vagas e as particulares são caríssimas. Ela também poderia arranjar um emprego em Guangzhou (onde sua filha está) e morar lá, mas ela diz preferir o trabalho dela em Xiamen. Não há como julgar, mas enquanto ouço histórias assim, imagino o que eu ou qualquer outra pessoa criada na mesma cultura, faria em uma situação dessas. Para nós ocidentais é tão difícil pensar em colocar um filho no mundo e dar para outra pessoa criar, mesmo que sejam seus pais, mas na China ainda é muito comum os avós criarem os netos, muitas vezes longe dos pais. Alias, se você pesquisar no Google Imagens a frase “família chinesa” vão aparecer muitas fotos com um casal de idosos, um casal jovem e uma criança, pois os avós são parte muito presente no ambiente familiar. Sempre falo que adoro conhecer a cultura e as tradições deles e pensar em como podemos ser povos tão diferentes.

familia chinesa cultura ano novo chines

Assim como ela, já conheci outros chineses na mesma situação. Em um voo do Brasil para a China conversei com uma chinesa que morava no Brasil com o marido e tinha deixado os filhos na China. Quando perguntei porque, ela respondeu que a educação no Brasil era muito cara e que na China eles passavam o dia na escola e não era preciso se preocupar com alguém para cuida-los. Ela via os filhos a cada dois anos. Conseguem imaginar isso!? 

Quem tem melhores condições financeiras consegue trazer seus filhos e pais para morarem juntos no mesmo lar. No condomínio onde moro, todo dia vejo dezenas de avós cuidando dos netos, enquanto os pais trabalham, meus vizinhos de porta, inclusive. Mas no fim do dia, os pais estão de volta e podem curtir os filhos e dar a atenção que as crianças tanto precisam. Seriam eles sortudos? Acredito que sim. Pois na verdade, nem sempre isso acontece, já que a maioria dos idosos não querem sair do interior para morar na cidade grande e as creches e escolas infantis são realmente caras na China e claro, a maioria da população não tem como sustentar isso. A solução? Deixar as crianças com os avós no interior. 

Quando cheguei na China pela primeira vez e comecei a conhecer mais sobre a cultura do país, achei que histórias assim eram coisa do passado. Mas cada vez mais me convenço de que ainda faz parte da realidade de muita gente. E assim como para nós ocidentais, o Natal é tão esperado, é a época de reunir a família e agradecer, para os chineses, o Ano Novo Lunar tem o mesmo sentido e com um toque ainda mais especial, pois é o único momento do ano em que muitos deles podem voltar para casa e rever toda a família, a tão adorada família.