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E de repente, eu me dou conta de que faz exatamente um ano que cheguei à China, carregando uma mala lotada com os meus sapatos preferidos, a cabeça borbulhando de ansiedade e curiosidade sobre o que estava por vir e o coração apertado por deixar família, amigos e principalmente minha cachorra querida num país a 17 mil km de distância e interminavéis 25 horas de vôo (sem contar as escalas). Falando assim, parece que faz pouco tempo, mas tudo que já vivi nesse meio tempo, me fazem ter a impressão de que já se passaram anos.

Amigos, com frequência, me falam “aproveita, é uma experiência única!”. E eu sei. E aproveito cada momento, cada nova experiência. E esses dias, me peguei pensando em tudo que vi e vivi nesse último ano, nas pessoas do mundo inteiro que já conheci, nas situações engraçadas que passei e nos oito novos países que tive oportunidade de visitar. Morar fora do seu país é um aprendizado constante, na China então, onde a cultura, os costumes, a comida, a linguagem, entre tantos outros fatores são way too different para nós brasileiros (e acredito, para qualquer ocidental), o aprendizado é diário. E acho que, neste último ano, eu vivenciei mais situações novas e diferentes do que em toda a minha vida até então. Mas vamos lá, o que podemos aprender morando fora?

1. Um novo idioma

Essa é meio óbvia. Quando nos mudamos para outro país, em que o idioma é diferente do nosso, é preciso aprender a língua nativa para conseguir viver e se virar sozinho. Linguagem corporal ajuda as vezes, mas falar o idioma do país faz muita diferença. Eu já vim para a China decidida a estudar mandarim, não só para me comunicar com os chineses e conseguir me virar no dia a dia, mas também para poder exibir em meu currículo a habilidade de saber o segundo idioma mais falado do mundo. Aprender chinês não é fácil e requer pesistência e estudo, mas conseguir me virar no dia a dia e fazer os chineses me entenderem, me dão mais vontade de aprender. Além do mais, ao conviver com outros estrangeiros e estudar mandarim em inglês, é possível aperfeiçoar também o inglês.

2. Uma nova cultura

Qualquer país tem sua própria cultura, suas tradições e costumes. E aqui, claro, não seria diferente. Imgine, a China tem uma das civilizações mais antigas e é um dos maiores países do mundo. A história milenar da China resulta em uma riqueza cultural muito grande, que envolve arte, religião, culinária, danças e tantas outras tradições que ainda são seguidas a rigor nos dias atuais. Aprender e vivênciar essa “nova” cultura é muito enriquecedor.

Ela pode ser encantadora, mas algumas vezes o choque cultural é tão grande que é difícil saber como lidar. Por exemplo, a cultura é uma forma de ver o mundo e os chineses tem uma visão de mundo totalmente diferente da nossa (ou nós da deles? Vai saber…).  Mas o fato é que, alguns costumes comuns na cultura chinesa, para nós ocidentais, pode ser muito estranho ou até inadmissíveis. E, mesmo já vindo para a China preparada e consciente de algumas coisas que eu iria encontrar pela frente, o choque cultural é muito grande, os costumes são muito diferentes e além de você aprender uma nova cultura e vivênciar coisas tão novas, é preciso ter paciência para entender esses costumes tão diferentes dos nossos. E é aí que entra o próximo aprendizado.

3. Ter mais paciência

Quem acredita no ditado “…com a paciência de um chinês” está totalmente enganado. Chinês não é paciente, e sim, conformado (e não sou só eu que digo, mas a Sônia Bridi confirma isso no seu livro Laoway). E eu, como boa sagitariana, confesso que as vezes também me falta um pouco de paciência. Mas vivendo na China e lidando diarimente com os costumes do povo, a gente aprende aos poucos a entender a visão de mundo deles e ter paciência. Quando eles gritam falam alto ao meu lado, eu respiro fundo e conto até dez e pronto, no stress. E aos poucos, vamos nos acostumando com os hábitos deles sem nem perceber. Eu notei que já nem dava mais bola para o chinês perto de mim fazendo o maior barulho chupando noodles ou pigarreando e cuspindo no chão, quando as pessoas que estavam comigo fizeram algum comentário sobre tais comportamentos, enquanto eu nem os tinha notado. Aos poucos, vamos nos acostumando com os costumes do país e aprendendo a ser mais paciente com as pequenas e grandes coisas.

4. Amar a sua própria companhia

Bom, isso eu já amava quando ainda no Brasil, mas quando moramos fora é diferente, é preciso gostar mesmo de ficar sozinho e se desapegar das reuniões frequentes com os melhores amigos. Por mais que você tenha várias amizades no país (com estrangeiros e brasileiros), é diferente daquela amizade que você construiu durante anos na sua terra natal e da qual tem intimidade total. E outra, os estrangeiros, geralmente, vem à China (ou qualquer outro país), para trabalhar, fazer seu pé de meia e ir embora para outro lugar (a maioria não fica a vida inteira) e então, elas se focam nisso. Amigos e lazer estão em outro plano.

No meu caso, eu fico muitas dias da semana sozinha em casa, já que meu noivo viaja muito a trabalho e tem que dormir fora de casa com frequencia (vida de piloto não é fácil), e eu posso dizer que amo a minha companhia. Tenho tempo suficiente para mim, para cuidar das minhas coisas, focar nos estudos e no trabalho. E acho que quando nos damos esse tempo, aprendemos muita coisa sobre nós mesmos.

5. Descobrir novos lugares e novas pessoas

Taí a parte que eu mais gosto de morar fora: passear, viajar e fazer novas amizades. Tudo bem que quando moramos na nossa terra natal tem aqueles que nunca deixam de viajar, mas quando se está morando fora e não tem a família ou amigos por perto, a tendência é usar o tempo livre para viajar e conhecer novos destinos que talvez você nunca conheceria se continuasse morando no seu país. E quando mudamos a trabalho para outro país, geralmente, é para ganhar um salário melhor e com isso, ter mais condições para fazer aquelas viagens dos sonhos (no meu caso são váaarias rsrsrs). Faz sentido, não?! Em um ano, já conheci cinco países da Ásia, que provavelmente eu não conheceria em toda a minha vida morando no Brasil, e mais alguns na Europa. E não paro por aqui. Para mim, viajar é a maneira mais gostosa de adquirir conhecimento e novas experiências.

E as amizades que fazemos, com pessoas do mundo inteiro, nos ajudam a aumentar a nossa bagagem cultural e nosso conhecimento sobre outros lugares. Eu adoro aqueles encontros em que, as vezes conversamos em inglês, as vezes em português, de vez em quando sai um portunhol e quando tem chinês no meio, rola até um pouco de mandarim. É uma confusão, mas todo mundo se entende.

Enfim, tem tanta coisa que vamos aprendendo diariamente e que ajudam no nosso crescimento pessoal. Morar fora não se leva somente conhecimento, mas sim valores e claro, muitas experiências. Eu sempre quis morar fora e viver isso, mesmo quando outros me falavam “não seja tola, não há lugar como sua terra natal”. É claro que não há, mas há tantas coisas novas fora da nossa terra natal para descobrir. E por tudo que já vivenciei, eu me sinto na obrigação de deixar essa dica para quem teme sair do Brasil: vá em frente, corte o cordão umbilical e viva essas novas e incríveis experiências!

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