Um novo ano começa e com ele vem novas esperanças, as promessas de melhorar o que não deu certo e o desejo por mudanças. E pensando nas mudanças que quero para 2016, me dei conta de que, provavelmente, nenhuma delas será maior do que a que fiz há dois anos atrás: mudar para o outro lado do mundo, mudar para a China.

Qual a primeira coisa que vem à sua mente quando você ouve a palavra “China”? Cultura muito diferente? Comida de espetinho? País antigo? Comunista?

vida na china shanghai

É tudo isso, sim! Mas é muito mais do que isso..
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Todos nós já estamos carecas de saber que a economia do Brasil não está lá essas coisas, grandes empresas estão fechando e o desemprego só aumenta. Enquanto isso, a economia da China está borbulhando e as empresas chinesas e internacionais com sede no país estão, cada vez mais, abrindo vagas de emprego e procurando mão de obra qualificada. Mas o que eu escuto (pelo menos na área de trabalho do meu noivo, que é a aviacao) é que muitos nem cogitam a possibilidade de vir pra cá. “Morar na China? Jamais!”. Preferem trabalhar anos e anos para pagar as contas do que enfrentar as mudanças e fazer o seu pé-de-meia (bem maior e em menos tempo, diga-se de passagem) do outro lado do mundo. Insegurança ou pré-conceito?

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Insegurança, não dá para negar, sempre rola. Até hoje ficamos com um pé atrás aqui na China, mas provavelmente, estaríamos com os dois pés átras se estivéssemos no Brasil (considerando o mercado atual). Mas é por causa do pré-conceito que resolvi escrever este texto. E não somente pensando nos trabalhadores e suas famílias que receiam vir morar na China, mas para os próprios turistas e interessados (ou não tão interessados assim).

Me dei conta da imagem defasada que os brasileiros tem da China depois que criei o blog. Muitos vieram me falar, surpresos, “Evelyn, eu não sabia que a China tinha lugares tão incríveis!”. E quando minha mãe e minha sogra vieram passar alguns meses aqui em casa, em períodos diferentes, ambas tiveram a mesma percepção e o mesmo sentimento: a China era muito diferente do que elas imaginavam, muito melhor, e elas ficaram chateadas de ter que ir embora. Mas eu não julgo quem tem esse pré-conceito, pois eu também tinha uma imagem totalmente diferente do país antes de vir para cá.

A China está anos luz a frente do Brasil quando o assunto é desenvolvimento econômico, estrutura e tecnologia. As principais cidades chinesas tem uma p* estrutura, que cidade nenhuma no Brasil tem: estradas boas, shoppings, parques e áreas de lazer aos montes, transporte público bom e acessível, arquitetura moderna e prédios tão altos que você quase quebra o pescoço para enxergar onde acaba. Só para citar alguns itens. Claro que as estradas costumam ter trânsito, claro que você encontra lixo no chão do parque e claro que os mêtros estão quase sempre lotados. Mas isso não acontece no Brasil também?!

Isso sem falar da segurança. Com a loucura que anda o Brasil (e o mundo), hoje em dia a gente tem dado mais valor a segurança. Na China, podemos sair de casa sem medo de ter uma arma apontada para a nossa cabeça. As mães podem deixar os filhos adolescentes ficarem até tarde na rua e dormirem tranquilas, ou levarem seus filhos pequenos para brincar no parque sem medo de que algum maluco vá tentar sequestrá-lo. Eu gostaria muito de criar meus (futuros) pequenos em um país como a China. Imagina seus filhos crescerem sabendo falar três idiomas fluentes?

Mas e quanto a comida? Shanghai e Beijing são cidades internacionais e tem diversos supermercados com produtos importados e restaurantes com culinária de todos os países que você possa imaginar. Muitas outras cidades que servem como moradia para expats também não ficam para trás. Aqui em Xiamen, por exemplo, eu não passo fome. Posso escolher se quero ir no francês, no espanhol, no australiano, no mexicano, no português, no japonês, no grego, e tantos outros.

O idioma pode ser uma grande barreira, mas tenho amigas que vivem aqui que não sabem nada mais além do “ni hao” e do “xie xie”. Não é uma mar de rosas, mas dá para se virar com a ajuda da tecnologia e de aplicativos de celular. No trabalho, normalmente, as empresas exigem apenas o inglês.

E como é viver em um país comunista? Olha, não posso negar que o bloqueio de alguns sites e redes sociais me tiram a paciência. Mas fora isso, sinto que tenho mais liberdade aqui do que no Brasil. Posso andar, sem medo, sozinha pelas ruas até tarde da noite. Posso me vestir como quiser, que ninguém vai me julgar pela roupa que estou. Posso usar shortinho curto no calor de 40 graus, que malandro nenhum vai me olhar de forma vulgar e soltar um “goxxxtosa” (odeio isso). Posso comer de boca aberta e arrotar na mesa do restaurante, que ninguém vai me olhar de cara feia (não que eu faça isso, mas eu posso).

Enfim, mudar-se para a China pode ser emocionante, se você deixar. Não é fácil estar longe da família e dos amigos, muito menos viver em uma cultura bem diferente da sua. Mas colocando na balança, o lado bom ganha. A qualidade de vida é melhor, a facilidade de viajar então (não preciso nem comentar quantos países já conheci nesses últimos dois anos) e a experiência de viver lado a lado com pessoas dessa cultura tão rica e viva, em um país tão antigo e ao mesmo tempo tão moderno, é única. Os desafios e a convivência com pessoas que tem uma perspectiva de mundo tão diferente da nossa, só nos fazem crescer e aprender. Sei que viver do outro lado do mundo tem um prazo de validade e que um dia vou querer sair daqui, mas as experiências, os aprendizados, as pessoas e lugares que conheci, ninguém me tirará. Ficarão  comigo para sempre.

muralha da china pequim beijing

shanghai compras east nanjing road

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Meu conselho para quem pensa em mudar de país: cortem o cordão umbilical e venham de cabeça e coração abertos. Estar acomodado não significa estar feliz. Preparem-se para um lugar onde tudo é grande e onde tudo é mais. E se não der certo, se não se adaptarem, sempre há chance de voltar. Para mim, uma das piores coisas quando estamos com dúvidas é optar pelo “não” e ficar imaginando, pelo resto da vida, como teria sido se disséssemos “sim”.