O desafio de se mudar para um país como a China pode ser assustador para muita gente. Assim como foi para Sam Chao.

É verdade que a vida de um expatriado recém chegado na China pode não ser muito fácil, especialmente quando estamos falando da cultura, do idioma e das tradições do país. Num primeiro momento, tudo parece tão diferente e até estranho para nós. E Shanghai Calling ou O Chamado de Xangai, evidência exatamente isso: em meio a um enredo de comédia romântica clichê, o filme mostra, de forma divertida, os choques culturais que sofre um ocidental quando chega ao maior país do mundo. Sam Chao, na verdade, é o personagem vivido por Daniel Henney, um americano moderno que mesmo sendo de descendência chinesa, nada sabe sobre a China e muito menos sobre a cultura do país. Advogado de Nova Iorque, ele é transferido por seus chefes para fazer negócios em Shanghai e embarca para a China, totalmente contrariado, mas na esperança de cumprir o seu dever e ser promovido quando voltar à sua cidade natal nos Estados Unidos.

Shanghai Calling filme cultura China

Já no aeroporto de Shanghai, ele conhece a também americana Amanda (Eliza Coupe). Ela é responsável pela recolocação de expatriados na cidade e apresenta Sam à comunidade de Americatown (uma espécie de Chinatown ao contrário) e à dois expats americanos que tornam-se seus amigos ao longo da trama (um deles vivido por Bill Paxton). Na sede de sua empresa em Shanghai, Sam conhece sua assistente chinesa Fang Fang e o seu principal cliente – um americano que o procura pedindo ajuda para tratar de assuntos legais com um empreendedor chinês. É a partir daí que a história começa a se desenrolar e os problemas começam a surgir. Sam não faz o menor esforço para compreender e aceitar os costumes locais, o que torna os problemas ainda maiores – e o filme mais engraçado.

Mas deixando um pouco da história em si de lado, os confrontos do personagem principal com a cultura local e os “perrengues” que ele passa ao chegar na China são os fatos que deixam o filme mais interessante e divertido. E não há como qualquer estrangeiro que tenha se mudado para a China não se identificar com as situações que ocorrem no filme.

Algumas cenas são impagáveis, como: quando Sam dá de cara com a empregada doméstica (chamada em chinês de ayi), dentro de seu apartamento, e ela, sem qualquer descrição, desanda a falar em mandarim sem parar, enquanto ele não entende nada; e quando ele discute horrores com o taxista achando que ele está querendo tirar vantagem sua por ser estrangeiro e não falar o idioma, mas no fundo ele só está tentando ajudar; e a melhor: quando um chinês marca de encontrar Sam em um restaurante comum de comida chinesa e a cada momento senta um chinês na mesa deles, na maior cara dura e com um pote de noodles para comer. E Sam ainda fica preocupado que alguém ali poderia estar entendendo sua conversa secreta, sendo que ninguém sequer sabia falar inglês. Ok, falando assim até parece não ter muita graça, mas quem nunca passou por isso na China? Fazer uma simples pergunta em mandarim e receber uma resposta de 5 minutos, em que você não compreende absolutamente nada? Ou ter que lidar com a falta de privacidade do chinês que gosta de se intrometer em qualquer situação sua? Quando você se identifica e se dá conta que passou pelas mesmas situações do americano no filme, é inevitável segurar a risada.

Essas são situações engraçadas que a maioria dos estrangeiros na China já sentiu na pele… mas também há cenas interessantes que retratam mais detalhes da cultura chinesa. A importância de dar e receber o cartão de visitas com as duas mãos (assim como o dinheiro, o troco, a nota fiscal…) e o modo como os jovens chineses são recebidos pela família da amada, são algumas particularidades culturais mostradas no filme. E além da história, que tem seu toque divertido e charmoso, é importante destacar as cenas capturadas em Shanghai, que mostram uma cidade moderna (repleta de prédios arranha-céu), o The Bund e a Pearl Tower (dois dos principais pontos turísticos) e ainda o lado humilde e tranquilo dos locais.

O filme de Daniel Hsia, é de 2012, mas não deixa de ser bem atual. Pois acredite, todas as situações curiosas (algumas no mínimo, engraçadas) que Sam vive ao chegar na China, qualquer estrangeiro recém chegado ao país estará sujeito a passar. Até porque nada muda muito em cinco anos. No caso de Shanghai, “apenas” algumas dezenas de prédios gigantes a mais, para completar o moderno e grande horizonte da cidade. Um filme leve, engraçado e com toque de romantismo, que faz o telespectador mergulhar no entendimento de como pode ser a vida de um estrangeiro nessa louca e curiosa China.

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Separa o saco de pipoca, acessa o filme no Netflix ou baixa no Youtube, pois vale a pena! Depois me contem o que acharam 😀

Zài Jian!