25 janeiro, 2018
Cinco costumes que aprendi com os chineses (e quero levar pra vida toda!)
Comportamento, Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

Todo mundo concorda que os costumes chineses podem ser um tanto quanto estranhos aos olhos de nós ocidentais, não é?! O choque cultural é, praticamente, inevitável quando chegamos pela primeira vez à China. Mas sempre acreditei que morar fora é um aprendizado constante e uma forma de expandir os horizontes, aprender novas culturas e enriquecer nosso conhecimento.

Depois de alguns anos vivendo e convivendo com chineses, aprendemos a compreender seus costumes, aceitar e até nos render a alguns deles. Foi o que aconteceu comigo. Sabe os chamados “hábitos saudáveis”?! Pois é, os chineses tem vários e é quase impossível não incluir alguns deles na nossa rotina. Vou contar um pouco da história por trás de cada um e assim fica fácil entender porque eu me rendi:

costume chineses tirar os sapatos em casa

TIRAR OS SAPATOS AO ENTRAR EM CASA

Um hábito secular que continua sendo praticado nos tempos modernos, não só pelos chineses, mas pela grande maioria de asiáticos ao redor do mundo. Segundo a história, antigamente as casas asiáticas eram construídas a quase um metro do chão, e era comum as pessoas tirarem os sapatos antes de adentrar à casa. Não apenas por isso, a limpeza da casa é outra grande razão para essa prática. Os orientais acreditam que deixar os sapatos do lado de fora evita que o lixo da rua e as más energias entrem porta adentro de suas casas. E até não muito tempo atras, o estilo de vida chinês era centralizado no chão (eles faziam refeições, reuniões, brincadeiras e até relaxavam sentados no chão), por isso, manter o piso limpo era essencial.

Os chineses sempre tiram os sapatos ao entrar em casa e esperam que as visitas façam o mesmo. E normalmente oferecem meias, chinelos ou pantufas para os convidados. Os sapatos podem ser deixados na frente da porta de entrada ou guardados em um armário próximo da entrada da casa (praticamente toda casa chinesa possui um armário especial para guardar sapatos na área interna ou externa da casa).

As ruas da China costumam ser bem sujas, principalmente com restos de comida e eu me sentia muito mal caminhando pela minha casa com o mesmo solado que pisou nessas ruas. Por isso, esse foi um hábito que inseri com muita naturalidade em minha rotina, e hoje acho até estranho quando uso sapatos dentro de casa. Falando do ponto de vista científico, há pesquisas que comprovam que uma sola de sapato pode carregar mais de 420 mil (!!!) tipos diferentes de bactérias. Algumas dessas bactérias são causadoras da pneumonia, infecções renais e respiratórias. Então não é apenas uma questão de costume, mas também de higiene e saúde e eu aprendi a ser totalmente adepta!

BEBER ÁGUA QUENTE

Um estrangeiro que recém chegou à China vai estranhar o fato de que qualquer restaurante daqui, seja esse de culinária local ou internacional, servirá água de cortesia aos clientes. Sim, essa é uma prática suuuper comum no país. Até aí tudo bem, já que é cortesia… Mas estranho mesmo é o fato de que a água servida é quente!

Os chineses tem o costume de beber água quente, independente da hora do dia, da estação do ano e da temperatura que está na rua. Este é um costume que vem dos tempos em que os moradores não tinham acesso a água tratada. Então a água era fervida para matar as bacterias prejudiciais à saúde. Esse hábito se mantêm forte até hoje, pois os chineses acreditam que a água quente faz bem para a saúde, ajuda na digestão, entre outros benefícios. Segundo eles, a água ingerida deve estar na temperatura do nosso corpo, caso contrário, o corpo gastará muito energia para esquenta-la. Mulheres grávidas ou que estão no período menstrual, por exemplo, não devem tomar nada gelado, nem água e muito menos sorvete!

Confesso que no início eu torcia o nariz para esse hábito, mas depois de algum tempo morando na China a gente acaba desistindo de tentar ser diferente e adere aos hábitos deles. Até porque tem diversos restaurantes, cafés e bares que nem comercializam água mineral (acredite, já passei por cada uma tentando pedir uma garrafa d’água para o garçom, parecia que estava pedindo dinheiro emprestado!). E caso você se aventure e peça água gelada, tem garçom que fica surpreso, não entende o porquê de você querer isso… E tem os mais espertinhos que trazem um copo de gelo e pedem pra gente esperar a água gelar
(kkkkkk
 haja paciência)
! Até na academia, em dias quentes de verão, eles bebem água fervendo enquanto se exercitam. Então na persistência dos chineses quanto a esse hábito, acabei aderindo e hoje ja me acostumei a beber água quente. No fundo, mesmo que essa crença não seja cientificamente comprovada, eu acredito sim que a água quente possa fazer bem para o funcionamento do meu corpo tanto quanto a água natural faz.

TOMAR CHÁ

Seguindo a mesma linha de raciocínio de beber água quente, tem-se o hábito de tomar chá, várias vezes ao dia, especialmente antes e depois das refeições. A China é o país de origem do chá e o costume de beber chá é uma herança carregada a mais de 5 mil anos.

Sabe-se que os chás oferecem inúmeros benefícios, entre eles: melhoram a imunidade, ajudam na digestão e na concentração e tem alguns que até tem o poder de cura. Cada tipo de chá tem um valor único para a medicina chinesa e possui peculiaridades específicas para cada necessidade do nosso corpo.

Conhecer diferente tipos de chá e incluí-los na minha vida tem feito com que eu diminua o hábito de tomar remédios. Quando surge um mal estar abdominal, uma azia ou má-digestão ou quando sinto o corpo cansado, com sintomas de gripe, já separo as ervas e esquento a água. Afinal, quanto mais natural, melhor para a saúde e para o corpo.

Já fiz um post contando mais sobre a relação dos chineses com o chá, dá uma olhada aqui nesse link.

JANTAR CEDO

Não estranhe se algum dia receber um convite de um chinês para jantar com hora marcada para as… seis da tarde!! Na maioria das famílias chinesas, os pais chegam em casa do trabalho por volta das seis horas da tarde, mesmo horário que as crianças voltam da escola. E é hábito dos chineses chegar em casa e logo se reunirem a mesa para fazer a principal refeição do dia preparada por algum membro da família. Nos restaurantes não é diferente, o horário de pico é em torno das 7 horas e em cidades chinesas menos internacionais, os restaurantes fecham as 10h da noite.

O jantar se tornou a refeição mais importante do dia para os chineses, exatamente por ser o momento de reunir a família em volta da mesa. Eles costumam comer sopas, vegetais cozidos, carnes e noodles. As refeições são bem servidas e com muito carboidrato, por isso, a importância de jantar cedo (e também de tomar chá após comer). Mais tempo para a digestão…

No início eu achava muito estranho. Chegava em casa no fim da tarde e já sentia o cheirinho de comida vindo da casa do vizinho. Passava em frente aos restaurantes com o dia ainda claro e as mesas estavam lotadas de chineses e de pratos de comida. Já aconteceu várias vezes de chegar em um restaurante as 9h da noite e a cozinha estar fechada. Ou de os funcionários do restaurante estarem limpando e empilhando as cadeiras nas mesas as 10h enquanto eu e meus amigos terminávamos o jantar (tão desagradável…). Mas com o tempo (e esses percalços) fui compreendendo o hábito deles e me acostumando a jantar cedo. Afinal, não dizem que dormir de barriga cheia faz mal!? Então, assim como nos meus vizinhos chineses, a janta passou a ser servida cedo aqui em casa e na marra, tive que aprender a chegar mais cedo nos restaurantes para não correr o risco de ficar sem comer rsrsrs.

ALONGAR O CORPO

Além de serem mestres em usar de práticas e técnicas, como a dança e series de movimentos e exercícios, para cuidar do corpo e da mente, os chineses, no geral, são super ativos, inclusive os idosos. Eles não fazem o tipo que ficam horas na academia levantando peso, mas sim, se reúnem em praças e parques para se exercitar, correr, dançar, praticar o Tai Chi Chuan e tantas outras atividades que movimentam o corpo. Para eles, se exercitar é um dos segredos para uma vida longa. E eu concordo plenamente!

Além desses exercícios que citei, eu reparei o quanto os chineses gostam de se alongar. Exercícios de alongamento são práticas muito antigas, herança da ginástica terapêutica chinesa e os orientais acreditam que o ato de se alongar fortalece as energias que circulam no nosso corpo e na nossa mente e tem o poder de harmonizar o nosso yin e yang. Dao Yin é o nome dado a uma das práticas chinesas que envolve o alongamento, juntamente com a respiração.

Falando das minhas experiências, nos longos voos entre Brasil e China, por exemplo (que parecem não acabar nunca!), eu notei como os chineses são muito mais ativos dentro do avião do que os ocidentais. Eles costumam se levantar, caminhar pelo avião, e param num cantinho para se alongar. E vou te falar, como isso faz diferença no nosso bem estar e na hora de evitar as indesejáveis dores no corpo. As meninas que frequentam a academia… já me surpreendi com várias, o tanto que esse povo tem elasticidade!! Acredito que o alongamento seja inserido na vida do chinês desde cedo, e por isso a facilidade para pratica-lo.

Eu sempre fui adepta de atividades físicas, mas passei a me alongar mais depois que comecei a reparar nos chineses e aprender novas técnicas com eles! E sério, não tem contra-indicações… rsrs

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Bom, diante das inúmeras diferenças culturais entre ocidentais e orientais, esses cinco costumes são alguns dos principais aprendizados que tive com os chineses. E olha só como é fácil aderir a certos hábitos deles… Se identificar ou não com esses costumes é questão de ponto de vista, mas acredito que eles vieram para agregar valor à minha vida, à minha saúde e ao meu bem-estar.

E tem tantos outros que ainda não aderi completamente, mas já se tornaram tão comuns pra mim, como comer de palitinho, andar de sombrinha em dia de sol (leia mais aqui) e dormir em qualquer canto (post aqui!)…

E você, já aderiu a algum hábito chinês? Qual? Me conta aqui nos comentários!

谢谢你,再见

Xièxiè nǐ, zài jiàn 😉

SaveMe!
28 novembro, 2017
PRESENTES | Costumes e tabus: o que não dar para um chinês
Compras, Cultura, Curiosidades, DICAS

E num piscar de olhos, mais um ano está chegando ao fim, o Natal se aproxima, a palavra “presente” já começa a rondar nossos pensamentos e aí surge aquela dúvida: o que dar de presente?!

Os chineses, culturalmente, não celebram o Natal, mas a troca de presentes é um ato muito importante entre eles em qualquer época do ano. É uma forma de agradecimento e simboliza admiração e interesse em manter um relacionamento, seja esse pessoal ou profissional.

Mas na China existem alguns tabus, costumes e regras de etiqueta na hora de presentear alguém. Os chineses são pessoas extremamente supersticiosas e por isso alguns tipos de presentes devem ser evitados.

presente china

A fonética das palavras é muito importante no mandarim e assim, grande parte dos presentes que, digamos, não seriam de bom grado, tem a ver com o som da palavra, que se assemelha a outra de significado ruim.

Portanto, continue lendo e descubra o que você NÃO deve dar de presente para um chinês:

GUARDA-CHUVA / SOMBRINHA

Em mandarim, guarda-chuva é yǔsǎn 雨伞 que tem a pronuncia bem parecida com sàn 散, que significa “terminar, dispersar, se separar”. Seja terminar um relacionamento ou acordo de negócios, reunião, etc… Por isso, por mais que as chinesas adoram usar sombrinhas (leia mais aqui), nada de presentear alguém que você goste ou um parceiro de negócios com esse objeto.

SAPATOS

Ta aí uma coisa que mulheres amam ganhar de presente, embora esse talvez não seria tão bem recebido pelas chinesas mais tradicionais. No mandarim, sapato é xié 鞋 que tem a mesma pronuncia da palavra que remete ao diabólico ou demôniaco, xié 邪. A geração mais antiga acredita que presentear alguém com um par de sapatos é o mesmo que mandar a pessoa embora.

Essa regra talvez não valha para familiares. Os chineses dizem que quando você presenteia alguém da família ou com quem tem um relacionamento mais próximo com um par de sapato, é comum receber uns trocados de volta da pessoa presenteada para simbolizar que ela não esta ganhando o sapato, mas sim, comprando.

RELÓGIO

Outro presente que tem a ver com a fonética. Relógio em mandarim é zhōng钟 que também pode significar “fim” cuja pronuncia é a mesma, só muda o ideograma, 

FACAS E TESOURAS

Quaisquer objetos cortantes devem ser evitados. Para os chineses, simboliza o fim de um relacionamento. Faz sentido né?!

FLORES BRANCAS

O branco é a cor oficial do luto na cultura chinesa e as flores brancas remetem à morte e lembram as decorações usadas nos funerais. Quando for presentear algum chinês, o melhor a se fazer é evitar qualquer item branco, até mesmo embalagem ou pacote de presente na cor.

CRISÂNTEMOS

Falando em flores (e em funerais), os crisântemos não são bem vistos, exatamente por isso. São as flores usadas em funerais e rituais de passagem. Por outro lado, os cravos são uma das flores mais bem vindas, especialmente no Dia das Mães.

BONÉ VERDE

Já ouvi duas versões sobre a história de que não se deve dar boné verde de presente para homens, uma tem a ver com a fonética e outra com uma lenda chinesa. No post que escrevo sobre o significado das cores, conto em mais detalhes. Mas resumindo: presentear um homem com boné verde é o mesmo que chama-lo de corno. Mantas, camisetas com gola verde ou qualquer peça de roupa nessa cor e que fique perto da cabeça deve ser evitado.

PRESENTES EM CONJUNTO DE 4

Os chineses tem superstição com tudo, especialmente com números. E como eu contei no post sobre o significados dos números, o quatro é o mais temido. Isso porque a pronúncia (lá vem a história da fonética de novo…rsrs) do quatro, que é Sì 四 tem o mesmo som da palavra “morte”, Sǐ死.

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Como podem perceber, as superstições que cercam os chineses não são poucas, né. Trocar presentes tem um valor muito importante para eles, principalmente em datas comemorativas, festivais e entre parceiros de negócios. E hoje em dia, com tantos negócios entre China e Brasil, chineses e brasileiros, é sempre bom prestar atenção aos costumes e regras de etiqueta que é para não cometer gafes.

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Zàijiàn

 

30 setembro, 2017
FESTIVAIS DA CHINA | GOLDEN WEEK + FESTIVAL DA LUA OU DO MEIO DO OUTONO
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

Se você está na China, provavelmente, já está de malas prontas para viajar ou esperando seu trem/voo junto de milhões de chineses. Se não está, então tem um tempinho para descobrir o que está acontecendo num dos maiores países do mundo…

É que neste ano de 2017, dois dos maiores festivais nacionais caem na mesma semana! Ou seja, uma semana inteirinha para celebrar o GOLDEN WEEK + o MID-AUTUMN FESTIVAL! Para quem nunca ouviu falar, eu explico:

O 1º de Outubro é o Dia Nacional Chinês ou Chinese National Day {soa mais bonito em inglês, né!?}. Para celebrar essa data tão especial, o governo decreta um feriado nacional de SETE dias (!!) que é a chamada GOLDEN WEEK/SEMANA DE OURO/HUÁNGJīN ZHOU黄金周 (a gente é muito poliglota por aqui rsrsrs)… A China se tornou um país independente em 1949, mais precisamente no dia 21 de Setembro de 1949. Mas a grande cerimônia só aconteceu no dia 1º de outubro do mesmo ano, na gigantesca Tiananmen Square, em Beijing. Por isso, o 1º de outubro ficou sendo a data oficial. 

Até os dias de hoje, é realizado um evento solene na Praça Tiananmen em Beijing para comemorar a independência. Desde 2011, é colocado um enorme vaso com flores (artificiais, claro) no centro da Praça com o tema “Boa Sorte”. O vaso de 2017 tem 17 metros de altura e 50 metros de diâmetro. Coisa pouca…

golden week dia nacional china beijing pequim

Fonte: Xinhuanet

Os chineses tem alguns costumes comuns nessa data, mas viajar para destinos turísticos ou para visitar a família na cidade natal é a principal atividade. Não preciso nem comentar que as estações de trem e os aeroportos ficam lotados, né?! Bem importante se organizar com antecedência.

golden week viagens china multidao

 

Lotados, tipo assim. Porque né, estamos falando do segundo maior feriado do país mais populoso do mundo! Essa foto é de uma estação de trem em Beijing em 2014.

 

 

 

 

Já o MID-AUTUMN FESTIVAL,  o Festival do Meio do Outono, também conhecido como o Festival da Lua, sempre cai no 15º dia do oitavo mês do ano de acordo com o calendário lunar. Como o calendário lunar muda todo ano, a data desse festival, idem. E em 2017, cairá justamente no meio do feriado nacional e será celebrado no dia 04 de outubro. Esse é o segundo festival mais importante da China (depois do Ano Novo Chinês). Como o próprio nome sugere, a data celebra o meio do outono que, segundo os chineses antigos, é a melhor época do ano para a colheita. É nesse momento que a lua fica mais cheia e brilhante, por isso o festival também é conhecido como Festival da Lua.

As tradições principais da data são as reuniões familiares e as oferendas à lua, como forma de agradecimento. E a mais deliciosa delas?! Comer mooncakes!! Os famosos bolinhos são o maior símbolo do Festival do Meio de Outono. Para saber mais sobre o festival e sobre os deliciosos mooncakes, dá uma clique aqui!

mooncake festival do meio de outono china

Então, se você está na China, aproveite o feriado e não esqueça de comer alguns mooncakes. Segundo os chineses, traz sorte e fortuna! uhuulll

Zhōngqiū jié kuàilè 中秋节快乐 (FELIZ FESTIVAL DO MEIO DO OUTONO)

 

01 fevereiro, 2017
A importância do Ano Novo para as famílias chinesas e o reencontro entre pais e filhos
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

Bom, no próprio título do post já fica claro os dois assuntos que quero tratar nesse texto. Mas os que esses dois assuntos tem em comum? Na verdade, tem tudo a ver. 

Talvez muitos que estão de fora não compreendam a verdadeira importância desse feriado de Ano Novo para os chineses, também conhecido como Festival de Primavera. Eles esperam ansiosamente o ano inteiro por essa data. A China praticamente para: os restaurantes e lojas fecham, as empresas entram em recesso por alguns dias e a maioria da população se desloca. Ou seja, é o momento que os trabalhadores tem para descansar do trabalho puxado do ano inteiro. Mas mais importante do que isso, essa é a época do ano que eles conseguem reunir a família e rever os entes queridos. Pessoas importantes que, na maioria das vezes, moram muito longe.

familia chinesa tradição cultura ano novo

Isso porque, se você conversar com algum chinês que mora em cidade grande, como Beijing, Shanghai, Hangzhou, Chongqin, Xian, Guangzhou, Shenzhen e muitas outras, incluindo Xiamen, muito provavelmente ele não é dessa cidade, originalmente. 

A grande maioria da população que vive e trabalha nessas cidades desenvolvidas vem do interior. Eles vem para cá a procura de trabalho. A procura de dinheiro para sustentar a família, que mora no campo. Mãe, pai e até filhos. Porque na cultura chinesa funciona assim: enquanto os pais trabalham, as crianças são cuidadas pelos avós (paternos, geralmente) e se os pais tem que trabalhar em outra cidade, os filhos ficam com os avós na sua terra natal.

E aí entra a questão das crianças e jovens chineses serem conhecidos como egoístas. Uma porque são filhos único e outra por serem criados por avós, que na maioria das vezes não impõe limites e nem dão a atenção necessária que uma criança precisa (não é regra, mas acontece). 

Esses dias estava em um restaurante de Xiamen que costumo frequentar e a chinesa que sempre me atende sentiu-se confortável para desabafar comigo. Eu perguntei à ela se iria viajar no Ano Novo chinês e ela disse que iria para a cidade natal de seu marido, para ver sua filha de oito anos, que mora com os avós paternos. Infelizmente ela não poderia ver os seus pais, que moram em outra cidade. Afinal, ela precisava decidir entre a sua filha e os seus pais. 

Imagina, ela vê a filha apenas duas vezes por ano: uma no Ano Novo chinês e outra no feriado de Independência. E ela contou o quanto estava preocupada, pois a menina ia mal na escola e ninguém dava bola para a criança. Os avós cuidam dos outros netos que são mais novos (e homens!) e não dão muita atenção para a menina. Para nós pode ser uma surpresa saber que os pais só veem os filhos uma ou duas vezes ao ano, mas para os chineses isso é tão comum. Esse nosso papo me lembrou um trecho do livro Laoway, em que a Sônia Bridi relata o quanto ela ficou surpresa ao ver crianças soltas nas ruas do interior, sem qualquer supervisão de um adulto. (Aqui tem um review bem interessante desse livro, que por sinal, é ótimo). 

E a minha surpresa quando ela me perguntou: os ocidentais tem o costume de cuidar de seus próprios filhos, não é?! “É claro que nós cuidamos dos nossos próprios filhos, afinal, nós que escolhemos ter filhos e nós que colocamos eles no mundo” eu pensei na hora, mas a respondi apenas com um educado “sim”. 

Ela poderia trazer sua filha para morar em Xiamen, mas aqui as escolas públicas estão sem vagas e as particulares são caríssimas. Ela também poderia arranjar um emprego em Guangzhou (onde sua filha está) e morar lá, mas ela diz preferir o trabalho dela em Xiamen. Não há como julgar, mas enquanto ouço histórias assim, imagino o que eu ou qualquer outra pessoa criada na mesma cultura, faria em uma situação dessas. Para nós ocidentais é tão difícil pensar em colocar um filho no mundo e dar para outra pessoa criar, mesmo que sejam seus pais, mas na China ainda é muito comum os avós criarem os netos, muitas vezes longe dos pais. Alias, se você pesquisar no Google Imagens a frase “família chinesa” vão aparecer muitas fotos com um casal de idosos, um casal jovem e uma criança, pois os avós são parte muito presente no ambiente familiar. Sempre falo que adoro conhecer a cultura e as tradições deles e pensar em como podemos ser povos tão diferentes.

familia chinesa cultura ano novo chines

Assim como ela, já conheci outros chineses na mesma situação. Em um voo do Brasil para a China conversei com uma chinesa que morava no Brasil com o marido e tinha deixado os filhos na China. Quando perguntei porque, ela respondeu que a educação no Brasil era muito cara e que na China eles passavam o dia na escola e não era preciso se preocupar com alguém para cuida-los. Ela via os filhos a cada dois anos. Conseguem imaginar isso!? 

Quem tem melhores condições financeiras consegue trazer seus filhos e pais para morarem juntos no mesmo lar. No condomínio onde moro, todo dia vejo dezenas de avós cuidando dos netos, enquanto os pais trabalham, meus vizinhos de porta, inclusive. Mas no fim do dia, os pais estão de volta e podem curtir os filhos e dar a atenção que as crianças tanto precisam. Seriam eles sortudos? Acredito que sim. Pois na verdade, nem sempre isso acontece, já que a maioria dos idosos não querem sair do interior para morar na cidade grande e as creches e escolas infantis são realmente caras na China e claro, a maioria da população não tem como sustentar isso. A solução? Deixar as crianças com os avós no interior. 

Quando cheguei na China pela primeira vez e comecei a conhecer mais sobre a cultura do país, achei que histórias assim eram coisa do passado. Mas cada vez mais me convenço de que ainda faz parte da realidade de muita gente. E assim como para nós ocidentais, o Natal é tão esperado, é a época de reunir a família e agradecer, para os chineses, o Ano Novo Lunar tem o mesmo sentido e com um toque ainda mais especial, pois é o único momento do ano em que muitos deles podem voltar para casa e rever toda a família, a tão adorada família. 

12 janeiro, 2017
Ano Novo Chinês | O ano do Galo está chegando
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

Nǐ hǎo,

Primeiramente, desejo um Feliz 2017 à todos leitores!

Nós já estamos em clima de novo ano, mas para os chineses, 2017 ainda não chegou. O Ano Novo Chinês ocorre em uma data diferente a cada ano, pois é baseado no calendário lunar. Neste ano cairá no dia 28 de janeiro. Ou seja, o ano do macaco chega ao fim e dá espaço ao ano do galo. O animal do ano é definido de acordo com o ciclo do zodíaco chinês que conta com 12 animais diferentes (neste post eu conto como eles foram escolhidos, segundo a crença chinesa).

As comemorações começam no dia 27 de janeiro e normalmente duram de uma a duas semanas. Esse feriado – chamado de Chūnjié (春节) ou Festival de Primavera – é o mais longo da China e todo mundo se prepara para viajar. Agora, imagina: 1,4 bilhões de pessoas de um mesmo país se movimentando ao mesmo tempo! Os aeroportos, estações de trem e estradas ficam lotados, é um verdadeiro caos. Não é a toa que esse época do ano é considerada a temporada de viagens mais movimentada do mundo e os chineses tem até um nome para isso: Chūn yún (春云) que significa “movimento da primavera”. Segundo a imprensa internacional, no último ano foram registradas 2.9 bilhões de pessoas transportadas dentro da China. Tem noção do que é isso!?

chun yun ano novo chines

Ok, mas e como essa data é celebrada? Já contei as tradições neste post sobre o último Ano Novo Chinês, mas é sempre bom relembrar e compartilhar novos conhecimentos.

ano novo chines fogos de artificio cidade proibida beijing

• DECORAR AS RUAS, PRÉDIOS E CASAS: nas semanas que antecedem o Festival de Primavera já começamos a ver as ruas, casas, os shoppings e prédios comerciais enfeitados. Praticamente tudo a nossa volta recebe ornamentos vermelhos e amarelos e característicos ao animal do ano, nesse caso, o galo. O ornamento mais comum são as lanternas vermelhas, um dos símbolos da cultura chinesa. Além de dísticos e letreiros. Nest post eu explico mais sobre cada item de decoração usado pelos chineses.

REUNIR A FAMÍLIA NUM JANTAR ESPECIAL: essa é a época do ano que todo chinês volta para casa na sua cidade natal. Durante a noite de Ano Novo toda a família se reune em volta da mesa para fazerem juntos a refeição que eles consideram a mais importante do ano. Peixe e guioza não podem faltar de jeito nenhum.

SOLTAR/ASSISTIR FOGOS DE ARTIFÍCIOS: embora os fogos sejam proibidos na maioria das cidades chineses, devido á poluição, os shows de fogos de artifícios são dignos de comercial. Os chineses acreditam que o barulho dos fogos espanta os espíritos ruins e quanto mais bonitos e duradouros, mas sorte trarão ao novo ano. A comemoração oficial acontece em Beijing, em frente a Cidade Proibida e o show incrível de fogos é transmitido pela CCTV para todo o país.

ENTREGAR ENVELOPES VERMELHOS: os envelopes vermelhos recheados com notas de dinheiro simbolizam o desejo de boa sorte e fortuna. São entregues, principalmente, às crianças e jovens da família. Na era da tecnologia, há aplicativos com envelopes vermelhos simbólicos onde as pessoas podem trocar dinheiro de forma online.

LIMPAR A CASA: a tradição de varrer a casa antes da chegada do Ano Novo espanta as coisas ruins. Mas a casa deve ser varrida antes da noite de Ano Novo. Eles acreditam que limpar a casa nos primeiros dias do novo ano pode levar embora as coisas boas que recém chegaram.

O ANO DO GALO

ano novo chines galo ouro

O galo é o décimo animal do zodíaco chinês. Pessoas que nasceram nos anos: 1921, 1933, 1945, 1957, 1969, 1981, 1993, 2005 e 2017 são considerados galos. E por mais contraditório que pareça ser, a crença chinesa diz que o ano do galo não é um bom ano para quem nasceu no ano do galo. Se você é galo, aqui vão algumas dicas para atrair a sorte e evitar o azar.

Cores e números da sorte: amarelo, dourado e marrom; 5, 7 e 8.

Evitar cores e números: vermelho; 1, 3 e 9.

E já que estou na China, tento seguir as principais tradições (não custa nada né!? Vai que traz muita boa sorte no novo ano lunar…). E você, segue ou seguiria essas tradições chinesas?

21 dezembro, 2016
Dica de leitura | Laowai – Histórias de uma repórter brasileira na China
Comportamento, Cultura, Curiosidades, DICAS

Sabe quando o mundo vira de cabeça para baixo, quando você não conhece mais ninguém a sua volta, não compreende nada do que falam e o que sempre pareceu certo já não parece mais?! Foi exatamente assim que me senti quando cheguei pela primeira vez na China. Sabia que seria uma experiência MUITO diferente, mas é na vivência do dia a dia, lidando com os chineses e com a grande diferença cultural, que as coisas, até então, inimagináveis, acontecem. Ficava eu e Rodrigo nos questionando: será que isso só acontece com nós? Quem – na verdade, o que – me ajudou a responder essa pergunta foi o livro da repórter brasileira Sônia Bridi. Entitulado “Laowai – Histórias de uma repórter brasileira na China”, o livro conta as aventuras dela, do marido Paulo Zero e do filho, Pedrinho ao viverem deste lado do mundo. A família se mudou para a capital, Beijing, em 2005 para montar a primeira base da TV Globo no Oriente.

Eles moraram durante dois anos na China e o livro foi lançado em 2008, baseado nas experiências que a família viveu no país, desde situações comuns do cotidiano, como: alugar apartamento, encontrar escola para o filho, solicitar cartão bancário, se comunicar com os locais e com as autoridades, tirar carteira de motorista até os grandes choques culturais. Coisas simples, mas que na China podem se tornar uma história a parte, daquelas para contar para os filhos, netos e quem sabe, até escrever um livro – como Sônia fez. Btw, o livro não poderia ter um título mais adequado. Laowai significa “estrangeiro” em mandarim e se você for um ocidental na China, provavelmente vai ouvir alguém chamando-o assim.

laowai-historias-de-uma-reporter-brasileira-na-china-dica-livro-sonia-bridi

Em Laowai, a repórter conta de forma leve e engraçada histórias super interessantes, emocionantes e até chocantes. Muitas delas eu me identifiquei totalmente, pois já havia passado pelo mesmo. É engraçado pensar que já se passaram quase 10 anos que eles viveram na China e em uma região tão distante de onde moro e ainda hoje as histórias se repetem. Estrangeiro ter cartão de crédito em banco chinês ou celular de linha era inviável, segundo ela. E isso se estende até os dias atuais {aliás, se alguém souber o contrário, por favor, me conte}. O fato de os chineses evitarem se comprometer com respostas concretas era uma coisa que me tirava do sério no início da minha jornada por aqui e Sônia cita o mesmo. “Should be fine” era uma das respostas que ela mais escutava, nunca um “sim” ou um “não”. Alguém lidando com chineses se identifica?

Você sabia que a posição de descanso do chinês é de cócoras? Que eles preferem fazer as necessidades fisiológicas de cócoras a sentar no vaso sanitário? Que escarram e cospem nas ruas ou qualquer outro lugar público? Que eles acham super estranho cumprimentar outras pessoas com beijos e abraços? Que eles tomam água quente em qualquer estação do ano? E que as refeições são feitas em mesas redondas e giratórias e consideradas quase como um ritual sagrado? Essas são apenas algumas curiosidades citadas por Sônia e que nos deparamos no dia a dia vivendo na China. Além de outras que já comentei por aqui, como: as crianças que andam com bumbum de fora (leia mais aqui); a importância da família na sociedade chinesa e os diversos nomes dos membros familiares (aqui); o uso de sombrinhas para evitar a pele bronzeada (aqui) e; o chá visto como uma instituição (aqui). Por essas e outras situações, me admiro que em um país onde a economia é a que mais cresce no mundo atualmente, a tecnologia e a globalização invadem a todo vapor, muitas tradições milenares são mantidas ao pé da letra por tantos e tantos anos e gerações.

Além de narrar situações cômicas, Sônia conta também sobre as ameaças e dificuldades que ela e sua equipe passaram ao tentar gravar certas matérias e com o uso da internet, e ainda o preconceito que ela viveu em alguns momentos, por ser estrangeira. Situações que, felizmente, não acontecem com tanta freqüência hoje em dia. Em quase três anos de China nunca senti preconceito nenhum, pelo contrário, noto como os chineses admiram os ocidentais, seja pela estética ou pelo status que carregam. E não escondem a curiosidade quanto a nós. E isso, com certeza, torna a vivência por aqui mais leve.

Posso dizer que esse livro contribuiu para minha rápida adaptação neste país, o mais populoso do mundo e com costumes e tradições tão diferentes das nossas. Enquanto lia as palavras da jornalista, escutava a voz dela em minha mente narrando cada uma (daquele mesmo jeito que estamos acostumados a assistir no Globo Repórter) e imaginava veemente o cenário descrito por ela. Eu não só compreendi mais sobre a cultura chinesa, como também embarquei em uma viagem à cidades do interior da China, onde o povo leva uma vida muito mais simples e diferente e mantém as tradições muito mais enraizadas do que nas grandes cidades, onde nós expatriados estamos acostumados a morar. Embarquei também para a Índia, onde tive o prazer de saber sobre as experiências de Sônia ao entrevistar o Dalai Lama. E à outros países da Ásia, como Vietnã e Coréia do Sul.

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Eu super indico a leitura, pois além de ser um ótimo guia para os estrangeiros recém chegados ao país, esse livro tem humor, histórias interessantíssimas e muita informação sobre cultura, costumes, história, modo de vida e economia. Ela traduz em palavras humoradas como é a vida de um expatriado na China e a leitura é gostosa e fácil de compreender. Vem para a China, tem negócios com clientes chineses ou apenas se interessa pela cultura? Então já pode incluir o Laowai na sua lista de livros desejo. E boa leitura!

 

24 novembro, 2016
O padrão de beleza oriental
Beleza, BELEZA, Cultura, Curiosidades

conceito de beleza nada mais é a visão de mundo que cada cultura tem e um pouco do que a sociedade impõe ser bonito. Esse conceito muda de região para região. Devido a facilidade de comunicação na sociedade atual, muitos costumes ocidentais e orientais se misturam, mas ainda assim, os orientais mantém forte alguns padrões de beleza.

Enquanto no Brasil as mulheres torcem para a chegada do verão para poder tomar banho de sol e fazem até bronzeamento artificial para ficar da “cor do pecado”. Enquanto frequentam a academia diariamente e mantém uma alimentação saudável para ter aquele corpo malhado, as orientais fazem, praticamente, o oposto.

Então, qual o conceito de beleza entre as chinesas?

Pele branca | Muitas fazem tratamentos estéticos ou usam produtos clareadores para parecem ainda mais brancas. Se protegem do sol e dos raios solares a todo custo, usando sombrinha nas áreas externas, até em dias nublados. É comum vermos as chinesas usando meia-calça branca para dar a sensação de ter as pernas esbranquiçadas. Há diversos aplicativos chineses de fotos em que ao apontar a câmera para o rosto, para tirar a famosa selfie, o app automaticamente mostra a pele lisa e branca e os olhos grandes. Quase um facetune pré-clique. {Photoshop é coisa do passado}

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Em tempo: saiba mais sobra a cultura da pele branca e a moda das sombrinhas em dia de sol nesse post.

Magreza | Pernas finas, bumbum pequeno e sabe aquela “pochete” na área do abdômen que toda mulher quer perder? Na China é bonito ter! Para dar um exemplo real, quem me conhece pessoalmente sabe: tenho o biotipo magra, faço bem o tipo mignon. Para se ter uma ideia, tem algumas marcas brasileiras em que dificilmente encontro roupa para o meu tamanho. Mas quando comecei a fazer academia na China, na minha primeira avaliação física, a orientadora – chinesa, por sinal – após ver meu resultado, falou o seguinte “Você está com muita massa muscular nas pernas e por isso não precisa mais malhar membros inferiores. E está com o percentual de gordura abdominal baixo, mulheres precisam ter mais barriga”. Eu só pensei: oi?! Musculosa eu? Me empenho horrores para aumentar a massa magra e continuo magrinha, como limpo para evitar a gordurinha abdominal e escuto isso!? Só na China mesmo. Imagina se ela conhecesse a Sabrina Sato… no mínimo, cômico. Ou seja, ter coxão, bundão, barriga sarada e peito grande não é tão bem visto por aqui. Usar um simples tomara que caia já é considerado sensual demais para os costumes chineses.

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Já para os homens, um cara normal, de 1,80m e cerca de 85kg, com músculos, pode ser considerado obeso. Esse é o padrão de beleza na China.

Pálpebra dupla | Há uma cirurgia estética que promete deixar os olhos maiores e consequentemente, mais parecido com os das ocidentais, pois marca o côncavo. Alguns chamam esse efeito de “olhos amendoados”. As chinesas mais vaidosas costumam ir para a Coréia do Sul fazer essa cirurgia, pois os médicos coreanos são os mais conceituados quando o assunto é tratamento de beleza. Quem não tem condições financeiras ou não quer se submeter a uma cirurgia, usa um tipo de adesivo/fita especial para marcar o côncavo. É bem comum na Coréia, pois as coreanas são as mais antenadas em beauty.

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Rosto redondo e feições delicadas | Rosto limpo e oval, semelhante ao formato de um melão, é a preferência dos chineses. É chamado de guāzǐliǎn (臉) sendo que “guāzǐ” significa “semente de melão” e “liǎn” significa “rosto”, em mandarim. Por isso, as orientais nem ligam muito para a moda do contorno da face. Dificilmente você encontrará paletas de contorno nas lojas de maquiagens, quem sabe, com sorte, na Sephora.

Cabelos longos e pretos | Noto que as mais despreocupadas com os padrões de beleza cortam o cabelo bem curtinho, por ser fácil de cuidar. E algumas pintam o cabelo de loiro, amarelo ou colorido, para ser diferente do resto, já que todos os chineses tem cabelo escuro. Mas as revistas de moda e profissionais da área da beleza ainda ditam que o cabelo longo e preto é o mais bonito.

Em contrapartida, há alguns conceitos que nós, brasileiros, damos muito valor quando o assunto é estética, mas que estão no fim da lista de prioridades dos chineses – o sorriso e a depilação. Os chineses não são muito preocupados com o cuidado com os dentes. A maioria tem os dentes tortos e é muito raro ver alguém usando aparelho ortodôntico. Aliás, higiene bucal quase não existe entre os chineses. Certa vez li uma pesquisa que dizia que o brasileiro é o povo que mais escova os dentes por dia, enquanto os chineses estão na ultima colocação, sendo os que menos escovam.

As mulheres também não se importam em mostrar os pêlos, seja eles do buço ou das axilas. Cansei de ver as meninas levantando os braços na academia e mostrando um amontoado de pêlos. Ninguém liga. Elas também não tem o costume de depilar a virilha e nem tirar os pêlos pubianos.

Ao mesmo tempo em que os chineses mantém seus padrões de beleza, que são tão diferentes dos nossos, ocidentais, é incrível como eles admiram a beleza ocidental. Percebo que eles gostam dos olhos grandes, quando são claros então, nem se fala. Minha mãe, que tem o cabelo escuro e olhos verdes fez muito sucesso entre os chineses. Eles nos pararam e pediam para tirar fotos inúmeras vezes. Além da cor e formato dos olhos, o cabelo loiro também chama muito a atenção. Por isso, quando vier à China, prepare-se para receber muitos elogios e pedidos para tirar fotos, você se sentirá quase uma celebridade por aqui. Chega a ser engraçado…

29 julho, 2016
Costumes chineses que qualquer estrangeiro vai estranhar quando chegar a China
Comportamento, Curiosidades, LIFESTYLE

Depois de passar algum tempo fora da China a gente até esquece um pouco de como é a vida por esse lado do mundo e as cenas “bizarras” as quais nos deparamos no cotidiano. Mas basta aterrissar em qualquer aeroporto internacional do país e ver aquele monte de gente de olho puxado e cabelo escuro na maior pressa para sair do avião ou quase atropelando uns aos outros para chegar bem perto da esteira de bagagens.  No meu caso, nem precisei chegar a China para dar de cara com eles, os chineses. Ainda no Brasil, no voo que peguei para ir de Porto Alegre à Guarulhos, havia dois chineses (chinês mesmo, conversando em mandarim). No terminal novo do aeroporto de Guarulhos eles aparecem aos montes e quase sempre em grupos. Eu sei que os chineses são a maior população do mundo e estão por todo canto, mas fico impressionada com a quantidade de chineses que costumo encontrar em GRU. Bom, na primeira etapa do voo, que era Brasil-Dubai, já veio um taiwanês do meu lado e uma chinesa atrás, ou seja, estava praticamente rodeada por eles antes mesmo de sair do Brasil. O que quero dizer é que nem precisei chegar na China para relembrar alguns hábitos chineses, que quem é de fora pode estranhar, e muito. Agora, que hábitos são esses?

Cuspir, arrotar, peidar…

Muita gente me questiona sobre os chineses: é verdade que eles arrotam e peidam por aí? No fundo, acho que a pessoa quer que eu responda “não”. Mas sim, é verdade. Cuspir é a coisa mais comum que você verá os chineses fazendo (fora comer). Eles cospem o tempo todo, na rua e as vezes até em ambientes fechados, como no metrô, no ônibus. O pior é quando antes do cuspe vem o catarro, que eles puxam lá do fundo da alma e depois expelem. No início é difícil não olhar e fazer cara de nojo, mas hoje em dia, já não ligo mais tanto.

Placa: por favor, não cuspa
Placa: por favor, não cuspa

Arroto tem também, viu. Eles arrotam sem constrangimento nenhum, porque isso tudo é muito normal. E quando alguém dá um arroto em público, ninguém liga. Eu já levei arroto na cara. E sabe quando acontece e você fica esperando a pessoa pedir desculpas ou ficar constrangida? Esqueça! Para os chineses isso é sinal de saúde.

E o pior dos costumes, o peido. Não vou dizer que não acontece com frequencia, mas Graças a Deus, não me lembro de ter passado por essa situação com chineses. Talvez porque as flatulências podem ser silenciosas e essas, vixi… são as piores.

Mas para explicar melhor: na cultura chinesa, o correto é eliminar tudo o que faz mal para o corpo e os chineses respeitam os sinais que o corpo manda e na hora que ele manda. Por isso, cuspir, arrotar e peidar não é sinônimo de falta de educação.

Falar alto…

Tá bom, não vou mentir. Eles não falam alto. Eles gritam!

Você pode até se assustar quando ver dois o mais chineses gritando um com o outro, achando que está rolando a maior briga. Mas na maioria das vezes, eles estão apenas “conversando” sobre o tempo, sobre comida ou outras coisas simples da vida. O costume de gritar falar alto, dizem vir dos tempos de ditadura, onde só quem gritava era ouvido (ou não, vai saber…). Além de falar alto, tem mulheres que falam com a voz tão aguda, que como dizem os gaúchos: parece uma taquara rachada. Chega a doer os ouvidos, mas tudo é questão de se acostumar ou de aprender a mandar baixar o tom rsrsrs

Andar com sombrinha em dia de sol

Imagina que você vai sair de casa, olha pela janela e se depara com um dia lindo de sol e céu azul. Você jamais vai cogitar pegar uma sombrinha, certo!? Pois na China, sol e sombrinha são inseparáveis. O acessório, como o nome já diz, é para fazer sombra, ou seja, ajudar a proteger do sol e do bronze. O uso da sombrinha pelas chinesas é um costume totalmente voltado para a estética, pois os orientais preferem pele branca à bronzeada. Nesse post eu conto mais sobre esse costume tão forte entre as chinesas.

sombrinha dia de sol habitos chineses

Bebes e crianças andam de bumbum de fora…

…e fazem xixi e otras cositas más onde e quando bem entenderem. Dá uma olhada nesse post, onde conto mais dessa “mania” fofa.

amigos pijama bunda de fora

Dormir em qualquer canto

Eles dormem em qualquer canto mesmo, em público, sem vergonha e sem cerimônias. No banco da praça em plena tarde, com um multidão de gente passando. Dentro do carro estacionado num sol de 40 graus a pino e sem ar-condicionado ligado. Em pé no metrô, escorado na mesa do restaurante e até acocado no meio da calçada. A hora do sono é tão sagrada para os chineses que já perdi as contas de quantas vezes fui em algum comércio ou empresa perto do horário de almoço, e peguei o funcionário dormindo. Tenho a impressão que é só dar uma escoradinha e eles já entram em sono profundo. É tão comum se deparar com cenas de chineses dormindo em qualquer canto e de qualquer jeito, que um estrangeiro até criou o site Sleeping Chinese, onde as pessoas postam cliques dos adormecidos.

dormir em publico costume china

habitos chineses dormir qualquer lugar

Agora confessa… tem gente que ficou com inveja dessa facilidade para pegar no sono, ein!?

E por último e talvez o hábito que mais me tira do sério…

Mastigar de boca aberta

E isso não é questão de classe social. Gente que frequente restaurante chic também tem esse hábito. Imagina que desagradável você em um restaurante com o(a) companheiro(a) conversando sobre qualquer assunto do cotidiano e ouvindo cada mastigada da pessoa ao lado!? Minha dica é: assim que chegar em um restaurante, preste atenção nas pessoas que estão sentadas próximas da mesa disponível. Se estiverem comendo de boca aberta, fuja (!) e procure outras mesas vazias.

Está com viagem marcada para a China? Agora já sabe o que pode encontrar pela frente…

 

02 junho, 2016
Comemorando o Dia das Crianças na China
Curiosidades, LIFESTYLE

Consideradas os futuros guardiões da nação, as crianças são surpreendentemente muito bem respeitadas na China. Idosos chegam a se levantar dos bancos do transporte público, para dar lugar à uma mãe com filho no colo ou até mesmo para crianças com idade (e energia) suficiente para ficar horas em pé. Já vi cenas assim diversas vezes, por isso tenho a impressão de que as crianças chinesas são mais respeitadas que o idosos. Por isso, o dia 1º de junho é uma data importante para os chineses, pois é comemorado o Dia das Crianças, conhecido como International Children Day ou Liù Yī Guójì Értóng Jié (六一国际儿童节), em mandarim.

Dia das criancas chinesas

A data é celebrada internacionalmente e foi definida em 1949 pela “Democratic Federation of Women”, com o objetivo de beneficiar e promover o bem-estar das crianças do mundo todo, ajudar aquelas em situação de pobreza, evitar o trabalho infantil e melhorar a educação dada aos pequenos. A China foi um dos primeiros países a apoiar e aderir a data.

No dia de hoje, é feriado oficial nas escolas da China. Os pais aproveitam para levar os filhos nos parques para brincar, participar de jogos e espetáculos organizados. O governo realiza eventos de entretenimento para as crianças em várias partes do país e os muitos lugares públicos tem entrada gratuita. Os parques e shoppings ficam lotados! Pois vamos combinar: criança é o que não falta na China rsrsrs O 1º de junho é um dia de brincadeiras, muita alegria e diversão para as famílias chinesas.

crianca brincando dia das criancas

playground crianças (Copy)

28 maio, 2016
A celebração do casamento na cultura chinesa
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

Maio é conhecido como o mês das noivas e por isso, nada mais justo do que falar sobre o assunto por aqui. No post de hoje, vou contar curiosidades sobre a união entre casais chineses, as tradições e os costumes mais importantes.

Duas professoras de mandarim da escola onde estudo se casaram recentemente. E me contaram cada detalhe do casamento, desde os preparativos até o dia da celebração. E foi aquele tipo de conversa de ficar de queixo caído de tão surpresa, afinal, os costumes, mais uma vez, são muito diferentes do Brasil e do que estamos acostumados a vivenciar.
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Como comentei no post sobre as mães, a família tem um valor realmente muito importante na sociedade chinesa. Desde os tempos antigos, o casamento e o nascimento de um filho são os momentos mais significativos na vida de uma pessoa.
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A partir da Dinastia Qin (221 aC – 206 aC) até a Dinastia Qing (1644 – 1911) os casamentos eram arranjados. Formar uma família era muito mais importante do que encontrar a pessoa amada, por isso, os casamentos aconteciam de acordo com a vontade dos pais dos noivos. E a riqueza e o status social das famílias eram os principais quesitos a serem levados em consideração. Sendo assim, quando a família do noivo era rica, o jovem só poderia se casar com uma moça de mesmo nível social e uma jovem de família humilde jamais seria aceita em uma família com muitos bens.
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Nos dias atuais, há informações de que isso ainda aconteça nas famílias mais tradicionais e naquelas cheias do dinheiro. Na cultura chinesa, o casamento acontece cedo. Quanto mais cedo o jovem constituir família, mais respeito ele e seus pais terão perante a sociedade. Ou seja, quando o filho de família rica está ficando para titio, os pais tratam de arranjar uma esposa para ele, vinda de uma família de mesmo nível social, claro. E o casamento só sai após a família do noivo receber o dote da noiva. E quando duas famílias ricas se unem, a festa de casamento toma grandes proporções. Geralmente, são dois ou três dias de festa, com verdadeiros banquetes e muita pompa. Tudo pensado para mostrar o status e fortuna das famílias. Ostentação total.
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Mas nesse caso, estamos falando de uma pequena parcela da população chinesa. Segundo Ruby me contou, o casamento comum na cultura chinesa começa pelo noivado, que é uma etapa importante e geralmente acontece na cidade natal da noiva. Já o “grande dia” deve ser realizado na cidade natal do noivo, onde, provavelmente, boa parte de sua família ainda vive.
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Como a maioria esmagadora da população chinesa não é cristã, raramente uma cerimônia de casamento acontece na igreja. Se as famílias dos noivos são simples, o casamento pode acontecer na casa dos pais do noivo. Templos, hotéis e salão de festas são reservados para festas maiores. No caso da minha amiga Ruby, ela gostaria de fazer o casamento em um hotel, pois assim, a equipe de funcionários ficaria encarregada de várias questões importantes da organização. Mas acontece que a cidade natal do noivo é tão no interior da China, que não há hotéis na cidade (nós que somos de fora, acabamos conhecendo as maiores cidades da China, mas as cidades do interior, são ainda muito simples e pouco desenvolvidas, ou seja, nem hotel tem). O casamento, então, foi realizado dentro de um templo.
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E adivinha quem organizou todo o evento? A mãe do noivo! Na cultura chinesa é bem comum a mãe do noivo ficar encarregada de tudo: escolha do local, da comida, dos convidados e as vezes, até do vestido da noiva. E sem passar pelo consentimento da noiva, viu…
Ruby pôde escolher o modelo do seu vestido de noiva, mas a sogra quem escolheu a cor. A Ruby é uma chinesa de cabeça mais aberta, convive com muitos estrangeiros e já conhece diversas culturas. E ela queria usar um vestido branco no seu casamento, simples assim. Mas a mãe do noivo exigiu que fosse vermelho, a cor preferida dos chineses, pois representa sorte e fortuna. O vestido vermelho é ainda muito usado nos casamentos tradicionais da China e na maioria das vezes, o vestido de noiva é trocado pelo Qipao, o vestuário feminino característico da cultura chinesa.
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Para a cerimônia, além do vestido de noiva vermelho, ela usou muitos acessórios dourados. Essa cor representa o ouro e quanto mais ouro usar, mais sinal de riqueza e status. Durante a cerimônia, acontecem os rituais formais e os noivos pedem a benção aos deusese, aos ancestrais já falecidos, aos pais e parentes presentes.
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E a parte mais esperada pelos convidados é o buffet. Após a cerimônia, a festa se resume em muita comida, brinde dos noivos com os convidados e entrega dos envelopes vermelho para os recém-casados. O envelope vermelho é bem tradicional na China e é usado em casamentos e outras datas comemorativas para presentear com dinheiro.
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Em alguns casamentos, a família do noivo não permite que a família da noiva participe da celebração, afinal, a mulher, depois de casada, passa a fazer parte da família do marido e não pertence mais a sua antiga família. Imagina não ter seus pais presentes nesse momento tão especial?! No caso da Ruby, ela fez questão que seu pai e sua mãe participassem da cerimônia e os sogros dela concordaram. Segundo ela me contou, foram mais de 200 convidados, todos parentes e amigos da família do noivo. Os avós, tios, primos e outros parentes de Ruby não puderam ser convidados. E por isso, ela não conhecia a maioria dos convidados.
Falando em convidados, assim como no Brasil não é elegante os convidados usarem branco (a menos que o dress code peça), na China, o preto e o vermelho devem ser evitados: o preto é desrespeitoso e o vermelho é a cor da noiva.
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Culturalmente, os trâmites de casamento funcionam, mais ou menos assim, na China. Mas alguns costumes podem mudar de acordo com a região do país. O casamento da minha professora Susan, que é de uma região diferente da de Ruby, aconteceu na casa do noivo e o auge da celebração foram os convidados reunidos em uma mesa, jogando Mahjong, um tipo de jogo bem famoso na China. Assim como acontece no Brasil, a união é celebrada conforme o estilo dos noivos, suas condições financeiras e questões culturais da região. Mas uma coisa é certa nas celebrações chinesas: todos devem comer e se divertir muito.