Desde novinha tenho o desejo de morar fora do país. O destino acabou me trazendo para a China, mas até então minha primeira opção era a Austrália. Quem nunca ouviu falar de um amigo ou amigo de amigo que largou um bom emprego no Brasil para estudar e tentar a vida na terra dos cangurus?! Acredito que esse destino seja tão popular entre os brasileiros em função das praias, das belas paisagens e do lifestyle australiano e também pelo clima e pela cultura serem consideravelmente semelhantes aos do Brasil. Além disso, a Austrália tem alguns bons plus que são a segurança, a qualidade de vida e a infraestrutura.

Desde que vim morar na China, meu conhecimento de inglês melhorou consideravelmente. Mesmo que no dia a dia a gente mal se depara com chineses que saibam falar o idioma, a convivência com estrangeiros e o fato de assistir programas de TV e notícias em inglês não deixam de ser ótimos meios para improvisar. No fim das contas, a gente acaba aprendendo através do listening. O lado negativo é que deixamos a gramática um pouco de lado e ficamos sujeitos a cometer vários erros gramaticais. Pensando assim, decidi que era hora de desenterrar aquela vontade que vinha desde os meus tempos de adolescente e me dedicar a um curso de inglês num dos países onde a educação é considerada de excelência.

Como esse era um desejo meu desde que eu tinha, sei lá, uns 16/17 anos, eu achava que fazer intercâmbio na Austrália fosse coisa de garotada super jovem, recém saídos da escola, sabe?! Mas para minha surpresa, a média de idade dos alunos da escola onde estudei é de 25 a 35 anos. Tem alguns alunos de 40 e conheci até uns estudantes na faixa dos 50, o que eu achei muito legal, afinal, nunca é tarde para pararmos de estudar.

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• O PRIMEIRO PASSO

Na minha opinião, a primeira coisa a fazer é entrar em contato com uma agência de intercâmbio, de preferência, já com a cidade da Austrália que você gostaria de morar em mente. Paralelamente, sugiro pesquisar as opções de escolas de idiomas presentes nessa cidade para já ter uma ideia de quais te agradam mais. No caso das principais cidades da Austrália, como Sydney, Canberra, Melbourne, Gold Coast e Brisbane, há diveeeersas opções de escolas.

Fazer todos os trâmites iniciais através de uma agência de intercâmbio é fundamental, pois eles te fornecem sugestões de escolas e orçamentos, ajudam com o visto, orientam quanto aos esquemas da viagem e acomodações e podem te dar suporte caso você precisar, quando estiver lá do outro lado do mundo. E o valor que você paga de taxa para a agência é muito pequeno se comparado com o tempo e com as preocupações que você deixa de gastar e ter.

Mesmo morando na China, eu fiz tudo através da Australian Centre, uma agência de intercâmbio do Brasil. Não tenho o que reclamar deles, pois sempre foram prestativos e respondiam os emails com agilidade. Mas deixo como sugestão outras opções de escolas de intercâmbio no Brasil que são especializadas em levar estudantes para a Austrália e também Nova Zelândia, tais como: Hello Austrália; World Study e; Ozzy Study Brazil.

Outra dica legal é que várias escolas de idiomas tem sede em mais de uma cidade australiana. Geralmente o aluno pode começar estudando em uma cidade e continuar o curso na mesma escola, porem em local diferente e assim experienciar o estilo de vida em diferentes lugares da Austrália.

• VISTO

duas opções de vistos mais comuns nesse caso: o de turista e o de estudante.

Com o visto de turista, que tem duração de um ano e é de múltiplas entradas, é possível estudar durante três meses na Austrália. Depois, você deve sair do país, mas quando retornar, pode voltar aos estudos por mais três meses. Mas claro que nesse caso, seria melhor ter logo um visto de estudante. Além disso, o visto de estudante permite que você trabalhe por até 20 horas por semana. A grande maioria dos brasileiros que vai para a Austrália com o objetivo de ficar por mais tempo, solicita o visto de estudante.

Como meu curso seria de curta duração (optei por seis semanas), tirei o visto de turista. Meu visto, particularmente, demorou mais que o normal para ficar pronto, já que sou uma brasileira que reside na China, então tive que providenciar mais documentos que o “geralmente necessário”. Segundo a agência me informou, o visto de turista demora em torno de três semanas para ficar pronto, enquanto que o de estudante pode demorar de um a três meses. Mais informações quanto aos tipos de visto e valores, a agência de intercâmbio é a mais indicada para te orientar.

• O CURSO

Bom, a Australian Centre me passou sugestão e orçamento de cinco escolas de intercâmbio em Sydney (Langports, Greenwich, Kaplan, Embassy e ILSC) mas desde o início eu estava inclinada a me inscrever na Langports Language College, que tinha sido indicação de uma amiga e também por ser bem rankeada entre as escolas de idiomas do país. Dois dos pontos que mais me agradaram na Langports foi a metodologia de ensino e o fato de você pode começar o curso de inglês geral em qualquer segunda feira do ano (que na verdade também ocorre em outras escolas de inglês do país).

A Langports oferece todos estes cursos de inglês, sendo o UFO (referente ao General English) o mais procurado, além do IELTS e Cambridge. No caso do UFO, o aluno terá diferentes classes para cada skill – writing, listening, reading e speaking e poderá estar em um nível diferente em cada habilidade. Por exemplo, o aluno que sabe ler inglês melhor do que falar, ficará em um nível mais alto na classe de Reading do que na de Speaking. Compreende? Os níveis vão do 1 ao 6, sendo que o 1 é para iniciantes e 6 é o avançado.

No primeiro dia, é feito um teste de nivelamento referente a cada uma dessas skills. Portanto, são quatro testes diferentes no total. Os resultados são avaliados pelos professores e o aluno é direcionado ao nível de acordo com o seu conhecimento.

A primeira semana de aula costuma ser a semana de teste, para ver se o aluno se adapta ao nível de ensino, se estiver muito fácil pode passar para um nível acima ou mudar para um nível anterior, caso tenha dificuldades. No meu caso, comecei no nível 4 do UFO (General English) e logo mudei para o nível 5 . Geralmente, o tempo de permanência em cada nível é de oito a dez semanas, até passar para o nível superior. No meu caso, como sou o tipo de aluna nerd, que vai para estudar e aprender mesmo (afinal é o meu dinheiro e meu conhecimento que está em jogo) depois de três semanas no nível 5, mudei para o curso de Cambridge, com a permissão do meu professor, claro. Os cursos de Cambridge e IELTS são turmas fechadas, o professor é sempre o mesmo e a metodologia é um pouco diferente (não tem classes de habilidades específicas como acontece no General English). No de Cambridge ainda há bastante revisão de conteúdo, já o IELTS é mais focado nas técnicas para se fazer um bom exame, portanto indico apenas para quem quiser prestar o exame do IELST e claro, já tem um bom nível de inglês.

Na parte da tarde tem as chamadas Optional Classes, em que o aluno pode escolher a aula que irá participar de acordo com o assunto. Eu fiz aulas de Conversation, Business and Administration e Optional for IELTS. E para quem não cansou de estudar, ainda tem os Workshops. O mais popular entre os alunos é, com certeza, o de Aussie English and Slangs, em que o professor ensina gírias e expressões usadas pelos Australianos.

Sobre a Langports: a sede de Sydney tem boa infraestrutura e localização. Os professores são super gente boa. Ensinam, mas não cobram muito dos alunos. Não surpreendente, a maioria dos alunos são brasileiros, o que é um problema para quem vai lá para aprender inglês, porque querendo ou não, da porta pra fora, as conversas acabam sendo em português.

Quanto ao tempo de estudodepende muito do objetivo de cada um e do budget também. Eu fiquei apenas seis semanas, mas há muitos alunos que estudam quatro, seis, oito meses… Tem alunos que chegam lá sem falar nada de inglês e saem já sabendo desenvolver uma conversa inteligente com nativos da língua.

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• TRABALHO

A grande maioria dos brasileiros que vai para a Austrália estudar, também trabalha. Afinal, se manter em uma cidade com altos custos de vida como Sydney, por exemplo, não é fácil. O que muitos não sabem é que, provavelmente, nossa experiência no Brasil não conta pontos na hora de arranjar um bom trabalho no país. A grande maioria faz trabalho braçal ou labor work. Começa como faxineira, garçom, ajudante de cozinha, ajudante de pedreiro, controlador de trafego, barista, etc… Dizem que os trabalhos braçais que mais pagam bem são como babá e controlador de trafego, que paga de 25 a 30 AUD por hora. Ambos exigem curso preparatório que é feito na Austrália mesmo, basta se informar com a sua agência de intercâmbio. Vale ressaltar que é bem comum montar um currículo diferente para cada tipo de vaga a qual você se candidatar. Ou seja, um currículo para a vaga de garçom, outro para a vaga de controlador de trafego…

• ACOMODAÇÃO

Viver na Austrália, especialmente em Sydney, não é barato… mas há solução para driblar os preços altos. Minha sugestão é viajar para o país já com a acomodação reservada para os primeiros 10, 15 dias. E de lá pesquisar uma moradia para passar o resto da sua estadia. Por que aí você já estará familiarizado com a cidade e provavelmente terá dicas valiosas de amigos e colegas que já moram mais tempo pela área.

Na Austrália é suuuper comum as pessoas dividirem casa (e até quartos), muitas vezes com roomies que mal conhecem. Então não é nada de se estranhar quando seu amigo brasileiro contar que divide o teto com um australiano, um asiático, um europeu, ou seja lá quais nacionalidades, que acabou de conhecer. Diversidade cultural bem interessante, não?! Os Aussies usam, especialmente, dois sites para anunciar moradias ou arranjar roommates: o Flatmates.com.au e o Gumtree.com.au.

Em ambos você cria um perfil gratuitamente e pode procurar por acomodações compartilhadas ou colegas para compartilhar uma acomodação. No Flatmates é preciso fazer o upgrade e pagar um taxa caso queira enviar mensagem para os perfis fechados (aqueles que só aceitam mensagem de quem tem conta paga) ou ver o contato de alguém. O Gumtree até onde eu sei é gratuito e ainda tem oferta de empregos.

Outra opção é pesquisar através de grupos fechados no Facebook, como o Brasileiros em Sydney.

As acomodações em Sydney ficam em tordo de AUD 150 a AUD 650, mas o valor varia muito de acordo com a localização e o tipo de quarto. A média costuma ser de 300 a 350 AUD para quarto privativo com banheiro compartilhado.

Nas minhas duas ultimas semanas em Sydney, aluguei um quarto na casa de um local que achei pelo AirBnb e também pelo Flatmates. Foi a primeira vez que fiquei na casa de um desconhecido, mas o dono era tão de boa, que me senti em casa e adorei a experiência.

E por fim, qual foi meu aprendizado com essa experiência? 

A melhor possível. Sydney é uma cidade incrível para visitar e para morar. As pessoas são educadas, bem receptivas, tudo funciona, a infraestrutura é ótima, o transporte público te leva para qualquer canto da cidade e todo lugar é seguro. Isso sem falar do clima ameno, da beleza das praias, dos inúmeros parques arborizados e das incontáveis opções de cafés, restaurantes e bares. Para mim, o lifestyle do australiano é demais! Conheci lugares incríveis e pessoas do mundo inteiro, reencontrei amigos que não via a anos (como disse, muitos brasileiros em Sydney) e fiz boas amizades que pretendo levar para a vida. 

Quanto aos estudos, meu curso durou apenas seis semanas, pois como disse anteriormente, meu objetivo principal era revisar a gramática. E posso dizer que valeu a pena. Improvisei meu conhecimento, corrigi erros gramaticais que eu nem sabia que cometia e voltei para a China muito mais confiante com meu inglês. 

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