21 julho, 2017
Shanghai Calling | Comédia romântica sobre a vida de um estrangeiro na China
DICAS, LIFESTYLE

O desafio de se mudar para um país como a China pode ser assustador para muita gente. Assim como foi para Sam Chao.

É verdade que a vida de um expatriado recém chegado na China pode não ser muito fácil, especialmente quando estamos falando da cultura, do idioma e das tradições do país. Num primeiro momento, tudo parece tão diferente e até estranho para nós. E Shanghai Calling ou O Chamado de Xangai, evidência exatamente isso: em meio a um enredo de comédia romântica clichê, o filme mostra, de forma divertida, os choques culturais que sofre um ocidental quando chega ao maior país do mundo. Sam Chao, na verdade, é o personagem vivido por Daniel Henney, um americano moderno que mesmo sendo de descendência chinesa, nada sabe sobre a China e muito menos sobre a cultura do país. Advogado de Nova Iorque, ele é transferido por seus chefes para fazer negócios em Shanghai e embarca para a China, totalmente contrariado, mas na esperança de cumprir o seu dever e ser promovido quando voltar à sua cidade natal nos Estados Unidos.

Shanghai Calling filme cultura China

Já no aeroporto de Shanghai, ele conhece a também americana Amanda (Eliza Coupe). Ela é responsável pela recolocação de expatriados na cidade e apresenta Sam à comunidade de Americatown (uma espécie de Chinatown ao contrário) e à dois expats americanos que tornam-se seus amigos ao longo da trama (um deles vivido por Bill Paxton). Na sede de sua empresa em Shanghai, Sam conhece sua assistente chinesa Fang Fang e o seu principal cliente – um americano que o procura pedindo ajuda para tratar de assuntos legais com um empreendedor chinês. É a partir daí que a história começa a se desenrolar e os problemas começam a surgir. Sam não faz o menor esforço para compreender e aceitar os costumes locais, o que torna os problemas ainda maiores – e o filme mais engraçado.

Mas deixando um pouco da história em si de lado, os confrontos do personagem principal com a cultura local e os “perrengues” que ele passa ao chegar na China são os fatos que deixam o filme mais interessante e divertido. E não há como qualquer estrangeiro que tenha se mudado para a China não se identificar com as situações que ocorrem no filme.

Algumas cenas são impagáveis, como: quando Sam dá de cara com a empregada doméstica (chamada em chinês de ayi), dentro de seu apartamento, e ela, sem qualquer descrição, desanda a falar em mandarim sem parar, enquanto ele não entende nada; e quando ele discute horrores com o taxista achando que ele está querendo tirar vantagem sua por ser estrangeiro e não falar o idioma, mas no fundo ele só está tentando ajudar; e a melhor: quando um chinês marca de encontrar Sam em um restaurante comum de comida chinesa e a cada momento senta um chinês na mesa deles, na maior cara dura e com um pote de noodles para comer. E Sam ainda fica preocupado que alguém ali poderia estar entendendo sua conversa secreta, sendo que ninguém sequer sabia falar inglês. Ok, falando assim até parece não ter muita graça, mas quem nunca passou por isso na China? Fazer uma simples pergunta em mandarim e receber uma resposta de 5 minutos, em que você não compreende absolutamente nada? Ou ter que lidar com a falta de privacidade do chinês que gosta de se intrometer em qualquer situação sua? Quando você se identifica e se dá conta que passou pelas mesmas situações do americano no filme, é inevitável segurar a risada.

Essas são situações engraçadas que a maioria dos estrangeiros na China já sentiu na pele… mas também há cenas interessantes que retratam mais detalhes da cultura chinesa. A importância de dar e receber o cartão de visitas com as duas mãos (assim como o dinheiro, o troco, a nota fiscal…) e o modo como os jovens chineses são recebidos pela família da amada, são algumas particularidades culturais mostradas no filme. E além da história, que tem seu toque divertido e charmoso, é importante destacar as cenas capturadas em Shanghai, que mostram uma cidade moderna (repleta de prédios arranha-céu), o The Bund e a Pearl Tower (dois dos principais pontos turísticos) e ainda o lado humilde e tranquilo dos locais.

O filme de Daniel Hsia, é de 2012, mas não deixa de ser bem atual. Pois acredite, todas as situações curiosas (algumas no mínimo, engraçadas) que Sam vive ao chegar na China, qualquer estrangeiro recém chegado ao país estará sujeito a passar. Até porque nada muda muito em cinco anos. No caso de Shanghai, “apenas” algumas dezenas de prédios gigantes a mais, para completar o moderno e grande horizonte da cidade. Um filme leve, engraçado e com toque de romantismo, que faz o telespectador mergulhar no entendimento de como pode ser a vida de um estrangeiro nessa louca e curiosa China.

shanghai calling comedia romantica china

Separa o saco de pipoca, acessa o filme no Netflix ou baixa no Youtube, pois vale a pena! Depois me contem o que acharam 😀

Zài Jian!

 

SaveMe!
21 dezembro, 2016
Dica de leitura | Laowai – Histórias de uma repórter brasileira na China
Comportamento, Cultura, Curiosidades, DICAS

Sabe quando o mundo vira de cabeça para baixo, quando você não conhece mais ninguém a sua volta, não compreende nada do que falam e o que sempre pareceu certo já não parece mais?! Foi exatamente assim que me senti quando cheguei pela primeira vez na China. Sabia que seria uma experiência MUITO diferente, mas é na vivência do dia a dia, lidando com os chineses e com a grande diferença cultural, que as coisas, até então, inimagináveis, acontecem. Ficava eu e Rodrigo nos questionando: será que isso só acontece com nós? Quem – na verdade, o que – me ajudou a responder essa pergunta foi o livro da repórter brasileira Sônia Bridi. Entitulado “Laowai – Histórias de uma repórter brasileira na China”, o livro conta as aventuras dela, do marido Paulo Zero e do filho, Pedrinho ao viverem deste lado do mundo. A família se mudou para a capital, Beijing, em 2005 para montar a primeira base da TV Globo no Oriente.

Eles moraram durante dois anos na China e o livro foi lançado em 2008, baseado nas experiências que a família viveu no país, desde situações comuns do cotidiano, como: alugar apartamento, encontrar escola para o filho, solicitar cartão bancário, se comunicar com os locais e com as autoridades, tirar carteira de motorista até os grandes choques culturais. Coisas simples, mas que na China podem se tornar uma história a parte, daquelas para contar para os filhos, netos e quem sabe, até escrever um livro – como Sônia fez. Btw, o livro não poderia ter um título mais adequado. Laowai significa “estrangeiro” em mandarim e se você for um ocidental na China, provavelmente vai ouvir alguém chamando-o assim.

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Em Laowai, a repórter conta de forma leve e engraçada histórias super interessantes, emocionantes e até chocantes. Muitas delas eu me identifiquei totalmente, pois já havia passado pelo mesmo. É engraçado pensar que já se passaram quase 10 anos que eles viveram na China e em uma região tão distante de onde moro e ainda hoje as histórias se repetem. Estrangeiro ter cartão de crédito em banco chinês ou celular de linha era inviável, segundo ela. E isso se estende até os dias atuais {aliás, se alguém souber o contrário, por favor, me conte}. O fato de os chineses evitarem se comprometer com respostas concretas era uma coisa que me tirava do sério no início da minha jornada por aqui e Sônia cita o mesmo. “Should be fine” era uma das respostas que ela mais escutava, nunca um “sim” ou um “não”. Alguém lidando com chineses se identifica?

Você sabia que a posição de descanso do chinês é de cócoras? Que eles preferem fazer as necessidades fisiológicas de cócoras a sentar no vaso sanitário? Que escarram e cospem nas ruas ou qualquer outro lugar público? Que eles acham super estranho cumprimentar outras pessoas com beijos e abraços? Que eles tomam água quente em qualquer estação do ano? E que as refeições são feitas em mesas redondas e giratórias e consideradas quase como um ritual sagrado? Essas são apenas algumas curiosidades citadas por Sônia e que nos deparamos no dia a dia vivendo na China. Além de outras que já comentei por aqui, como: as crianças que andam com bumbum de fora (leia mais aqui); a importância da família na sociedade chinesa e os diversos nomes dos membros familiares (aqui); o uso de sombrinhas para evitar a pele bronzeada (aqui) e; o chá visto como uma instituição (aqui). Por essas e outras situações, me admiro que em um país onde a economia é a que mais cresce no mundo atualmente, a tecnologia e a globalização invadem a todo vapor, muitas tradições milenares são mantidas ao pé da letra por tantos e tantos anos e gerações.

Além de narrar situações cômicas, Sônia conta também sobre as ameaças e dificuldades que ela e sua equipe passaram ao tentar gravar certas matérias e com o uso da internet, e ainda o preconceito que ela viveu em alguns momentos, por ser estrangeira. Situações que, felizmente, não acontecem com tanta freqüência hoje em dia. Em quase três anos de China nunca senti preconceito nenhum, pelo contrário, noto como os chineses admiram os ocidentais, seja pela estética ou pelo status que carregam. E não escondem a curiosidade quanto a nós. E isso, com certeza, torna a vivência por aqui mais leve.

Posso dizer que esse livro contribuiu para minha rápida adaptação neste país, o mais populoso do mundo e com costumes e tradições tão diferentes das nossas. Enquanto lia as palavras da jornalista, escutava a voz dela em minha mente narrando cada uma (daquele mesmo jeito que estamos acostumados a assistir no Globo Repórter) e imaginava veemente o cenário descrito por ela. Eu não só compreendi mais sobre a cultura chinesa, como também embarquei em uma viagem à cidades do interior da China, onde o povo leva uma vida muito mais simples e diferente e mantém as tradições muito mais enraizadas do que nas grandes cidades, onde nós expatriados estamos acostumados a morar. Embarquei também para a Índia, onde tive o prazer de saber sobre as experiências de Sônia ao entrevistar o Dalai Lama. E à outros países da Ásia, como Vietnã e Coréia do Sul.

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Eu super indico a leitura, pois além de ser um ótimo guia para os estrangeiros recém chegados ao país, esse livro tem humor, histórias interessantíssimas e muita informação sobre cultura, costumes, história, modo de vida e economia. Ela traduz em palavras humoradas como é a vida de um expatriado na China e a leitura é gostosa e fácil de compreender. Vem para a China, tem negócios com clientes chineses ou apenas se interessa pela cultura? Então já pode incluir o Laowai na sua lista de livros desejo. E boa leitura!

 

24 novembro, 2016
O padrão de beleza oriental
Beleza, BELEZA, Cultura, Curiosidades

conceito de beleza nada mais é a visão de mundo que cada cultura tem e um pouco do que a sociedade impõe ser bonito. Esse conceito muda de região para região. Devido a facilidade de comunicação na sociedade atual, muitos costumes ocidentais e orientais se misturam, mas ainda assim, os orientais mantém forte alguns padrões de beleza.

Enquanto no Brasil as mulheres torcem para a chegada do verão para poder tomar banho de sol e fazem até bronzeamento artificial para ficar da “cor do pecado”. Enquanto frequentam a academia diariamente e mantém uma alimentação saudável para ter aquele corpo malhado, as orientais fazem, praticamente, o oposto.

Então, qual o conceito de beleza entre as chinesas?

Pele branca | Muitas fazem tratamentos estéticos ou usam produtos clareadores para parecem ainda mais brancas. Se protegem do sol e dos raios solares a todo custo, usando sombrinha nas áreas externas, até em dias nublados. É comum vermos as chinesas usando meia-calça branca para dar a sensação de ter as pernas esbranquiçadas. Há diversos aplicativos chineses de fotos em que ao apontar a câmera para o rosto, para tirar a famosa selfie, o app automaticamente mostra a pele lisa e branca e os olhos grandes. Quase um facetune pré-clique. {Photoshop é coisa do passado}

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Em tempo: saiba mais sobra a cultura da pele branca e a moda das sombrinhas em dia de sol nesse post.

Magreza | Pernas finas, bumbum pequeno e sabe aquela “pochete” na área do abdômen que toda mulher quer perder? Na China é bonito ter! Para dar um exemplo real, quem me conhece pessoalmente sabe: tenho o biotipo magra, faço bem o tipo mignon. Para se ter uma ideia, tem algumas marcas brasileiras em que dificilmente encontro roupa para o meu tamanho. Mas quando comecei a fazer academia na China, na minha primeira avaliação física, a orientadora – chinesa, por sinal – após ver meu resultado, falou o seguinte “Você está com muita massa muscular nas pernas e por isso não precisa mais malhar membros inferiores. E está com o percentual de gordura abdominal baixo, mulheres precisam ter mais barriga”. Eu só pensei: oi?! Musculosa eu? Me empenho horrores para aumentar a massa magra e continuo magrinha, como limpo para evitar a gordurinha abdominal e escuto isso!? Só na China mesmo. Imagina se ela conhecesse a Sabrina Sato… no mínimo, cômico. Ou seja, ter coxão, bundão, barriga sarada e peito grande não é tão bem visto por aqui. Usar um simples tomara que caia já é considerado sensual demais para os costumes chineses.

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Já para os homens, um cara normal, de 1,80m e cerca de 85kg, com músculos, pode ser considerado obeso. Esse é o padrão de beleza na China.

Pálpebra dupla | Há uma cirurgia estética que promete deixar os olhos maiores e consequentemente, mais parecido com os das ocidentais, pois marca o côncavo. Alguns chamam esse efeito de “olhos amendoados”. As chinesas mais vaidosas costumam ir para a Coréia do Sul fazer essa cirurgia, pois os médicos coreanos são os mais conceituados quando o assunto é tratamento de beleza. Quem não tem condições financeiras ou não quer se submeter a uma cirurgia, usa um tipo de adesivo/fita especial para marcar o côncavo. É bem comum na Coréia, pois as coreanas são as mais antenadas em beauty.

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Rosto redondo e feições delicadas | Rosto limpo e oval, semelhante ao formato de um melão, é a preferência dos chineses. É chamado de guāzǐliǎn (臉) sendo que “guāzǐ” significa “semente de melão” e “liǎn” significa “rosto”, em mandarim. Por isso, as orientais nem ligam muito para a moda do contorno da face. Dificilmente você encontrará paletas de contorno nas lojas de maquiagens, quem sabe, com sorte, na Sephora.

Cabelos longos e pretos | Noto que as mais despreocupadas com os padrões de beleza cortam o cabelo bem curtinho, por ser fácil de cuidar. E algumas pintam o cabelo de loiro, amarelo ou colorido, para ser diferente do resto, já que todos os chineses tem cabelo escuro. Mas as revistas de moda e profissionais da área da beleza ainda ditam que o cabelo longo e preto é o mais bonito.

Em contrapartida, há alguns conceitos que nós, brasileiros, damos muito valor quando o assunto é estética, mas que estão no fim da lista de prioridades dos chineses – o sorriso e a depilação. Os chineses não são muito preocupados com o cuidado com os dentes. A maioria tem os dentes tortos e é muito raro ver alguém usando aparelho ortodôntico. Aliás, higiene bucal quase não existe entre os chineses. Certa vez li uma pesquisa que dizia que o brasileiro é o povo que mais escova os dentes por dia, enquanto os chineses estão na ultima colocação, sendo os que menos escovam.

As mulheres também não se importam em mostrar os pêlos, seja eles do buço ou das axilas. Cansei de ver as meninas levantando os braços na academia e mostrando um amontoado de pêlos. Ninguém liga. Elas também não tem o costume de depilar a virilha e nem tirar os pêlos pubianos.

Ao mesmo tempo em que os chineses mantém seus padrões de beleza, que são tão diferentes dos nossos, ocidentais, é incrível como eles admiram a beleza ocidental. Percebo que eles gostam dos olhos grandes, quando são claros então, nem se fala. Minha mãe, que tem o cabelo escuro e olhos verdes fez muito sucesso entre os chineses. Eles nos pararam e pediam para tirar fotos inúmeras vezes. Além da cor e formato dos olhos, o cabelo loiro também chama muito a atenção. Por isso, quando vier à China, prepare-se para receber muitos elogios e pedidos para tirar fotos, você se sentirá quase uma celebridade por aqui. Chega a ser engraçado…

29 julho, 2016
Costumes chineses que qualquer estrangeiro vai estranhar quando chegar a China
Comportamento, Curiosidades, LIFESTYLE

Depois de passar algum tempo fora da China a gente até esquece um pouco de como é a vida por esse lado do mundo e as cenas “bizarras” as quais nos deparamos no cotidiano. Mas basta aterrissar em qualquer aeroporto internacional do país e ver aquele monte de gente de olho puxado e cabelo escuro na maior pressa para sair do avião ou quase atropelando uns aos outros para chegar bem perto da esteira de bagagens.  No meu caso, nem precisei chegar a China para dar de cara com eles, os chineses. Ainda no Brasil, no voo que peguei para ir de Porto Alegre à Guarulhos, havia dois chineses (chinês mesmo, conversando em mandarim). No terminal novo do aeroporto de Guarulhos eles aparecem aos montes e quase sempre em grupos. Eu sei que os chineses são a maior população do mundo e estão por todo canto, mas fico impressionada com a quantidade de chineses que costumo encontrar em GRU. Bom, na primeira etapa do voo, que era Brasil-Dubai, já veio um taiwanês do meu lado e uma chinesa atrás, ou seja, estava praticamente rodeada por eles antes mesmo de sair do Brasil. O que quero dizer é que nem precisei chegar na China para relembrar alguns hábitos chineses, que quem é de fora pode estranhar, e muito. Agora, que hábitos são esses?

Cuspir, arrotar, peidar…

Muita gente me questiona sobre os chineses: é verdade que eles arrotam e peidam por aí? No fundo, acho que a pessoa quer que eu responda “não”. Mas sim, é verdade. Cuspir é a coisa mais comum que você verá os chineses fazendo (fora comer). Eles cospem o tempo todo, na rua e as vezes até em ambientes fechados, como no metrô, no ônibus. O pior é quando antes do cuspe vem o catarro, que eles puxam lá do fundo da alma e depois expelem. No início é difícil não olhar e fazer cara de nojo, mas hoje em dia, já não ligo mais tanto.

Placa: por favor, não cuspa
Placa: por favor, não cuspa

Arroto tem também, viu. Eles arrotam sem constrangimento nenhum, porque isso tudo é muito normal. E quando alguém dá um arroto em público, ninguém liga. Eu já levei arroto na cara. E sabe quando acontece e você fica esperando a pessoa pedir desculpas ou ficar constrangida? Esqueça! Para os chineses isso é sinal de saúde.

E o pior dos costumes, o peido. Não vou dizer que não acontece com frequencia, mas Graças a Deus, não me lembro de ter passado por essa situação com chineses. Talvez porque as flatulências podem ser silenciosas e essas, vixi… são as piores.

Mas para explicar melhor: na cultura chinesa, o correto é eliminar tudo o que faz mal para o corpo e os chineses respeitam os sinais que o corpo manda e na hora que ele manda. Por isso, cuspir, arrotar e peidar não é sinônimo de falta de educação.

Falar alto…

Tá bom, não vou mentir. Eles não falam alto. Eles gritam!

Você pode até se assustar quando ver dois o mais chineses gritando um com o outro, achando que está rolando a maior briga. Mas na maioria das vezes, eles estão apenas “conversando” sobre o tempo, sobre comida ou outras coisas simples da vida. O costume de gritar falar alto, dizem vir dos tempos de ditadura, onde só quem gritava era ouvido (ou não, vai saber…). Além de falar alto, tem mulheres que falam com a voz tão aguda, que como dizem os gaúchos: parece uma taquara rachada. Chega a doer os ouvidos, mas tudo é questão de se acostumar ou de aprender a mandar baixar o tom rsrsrs

Andar com sombrinha em dia de sol

Imagina que você vai sair de casa, olha pela janela e se depara com um dia lindo de sol e céu azul. Você jamais vai cogitar pegar uma sombrinha, certo!? Pois na China, sol e sombrinha são inseparáveis. O acessório, como o nome já diz, é para fazer sombra, ou seja, ajudar a proteger do sol e do bronze. O uso da sombrinha pelas chinesas é um costume totalmente voltado para a estética, pois os orientais preferem pele branca à bronzeada. Nesse post eu conto mais sobre esse costume tão forte entre as chinesas.

sombrinha dia de sol habitos chineses

Bebes e crianças andam de bumbum de fora…

…e fazem xixi e otras cositas más onde e quando bem entenderem. Dá uma olhada nesse post, onde conto mais dessa “mania” fofa.

amigos pijama bunda de fora

Dormir em qualquer canto

Eles dormem em qualquer canto mesmo, em público, sem vergonha e sem cerimônias. No banco da praça em plena tarde, com um multidão de gente passando. Dentro do carro estacionado num sol de 40 graus a pino e sem ar-condicionado ligado. Em pé no metrô, escorado na mesa do restaurante e até acocado no meio da calçada. A hora do sono é tão sagrada para os chineses que já perdi as contas de quantas vezes fui em algum comércio ou empresa perto do horário de almoço, e peguei o funcionário dormindo. Tenho a impressão que é só dar uma escoradinha e eles já entram em sono profundo. É tão comum se deparar com cenas de chineses dormindo em qualquer canto e de qualquer jeito, que um estrangeiro até criou o site Sleeping Chinese, onde as pessoas postam cliques dos adormecidos.

dormir em publico costume china

habitos chineses dormir qualquer lugar

Agora confessa… tem gente que ficou com inveja dessa facilidade para pegar no sono, ein!?

E por último e talvez o hábito que mais me tira do sério…

Mastigar de boca aberta

E isso não é questão de classe social. Gente que frequente restaurante chic também tem esse hábito. Imagina que desagradável você em um restaurante com o(a) companheiro(a) conversando sobre qualquer assunto do cotidiano e ouvindo cada mastigada da pessoa ao lado!? Minha dica é: assim que chegar em um restaurante, preste atenção nas pessoas que estão sentadas próximas da mesa disponível. Se estiverem comendo de boca aberta, fuja (!) e procure outras mesas vazias.

Está com viagem marcada para a China? Agora já sabe o que pode encontrar pela frente…

 

01 abril, 2016
Festival QingMing | Dia dos Finados e de celebrar a primavera
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

Parece contraditório, mas Qingming (清明), que em mandarim significa “claro, brilhoso”, é o nome dado ao festival que homenageia os mortos e, ao mesmo tempo, celebra a chegada da primavera. Em inglês é chamado de Tomb-Sweeping Day, ou seja, Dia de Varrer o Túmulo ou Chinese Memorial Day.

Qingming festival homenagem mortos tumulo china

O Festival Qingming é celebrado no dia 05 de abril, mas o feriado já começa no sábado, dia 03. O principal costume dos chineses é varrer o túmulo dos seus entes queridos, fazer a limpeza, enfeitar com flores e pinturas em mandarim. Os chineses também costumam rezar pelos parentes falecidos e prestar homenagens a eles. Comidas, especialmente os pratos preferidos do morto, vinho, chá, papeis imitando dinheiro e réplicas de bens materiais (como casas, carros e até iphones e ipads) são levados ao túmulo. Tudo isso é queimado, com a esperança de que não falte nada disso para o falecido na sua vida após a morte. dia dos mortos china festival qingming

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Em algumas regiões da China, quando um membro familiar récem faleceu, a família não deve celebrar nenhum festival ou data especial durante três anos, em sinal de respeito. A tradição de acender fogos de artifícios no Ano Novo Chinês é vetada, pois eles acreditam que pode ferir os olhos do morto, que ainda não deixou esse mundo. Nessa data, eles apenas rezam pelos entes que já se foram. E as famílias menos tradicionais ou cujos ancestrais foram cremados, oferecem flores e rezas para os falecidos. Durante este período, usar vermelho e outras cores vibrantes não é visto com bons olhos, como de costume.

Mas o Qingming é uma mistura de tristeza com alegria. Nesta data, os chineses também celebram a chegada da primavera. Nessa época do ano, as temperaturas começam a subir e o clima fica mais gostoso. O cenário muda: as árvores voltam a ter folhas, as flores nascem novamente e o céu azul passa a aparecer com mais frequência (muitas regiões da China ficam meses com o céu cinza durante o inverno). Tudo fica mais colorido. E por isso, os chineses saem às ruas para celebrar a chegada dessa estação tão gostosa. Outro costume do festival é soltar pipas, que na verdade, é uma prática muito comum na China. Durante o dia são empinadas pipas dos mais diversos tamanhos e formatos. A noite, as pipas recebam pequenas lanternas que iluminam a escuridão. Os chineses costumam cortar a corda da pipa para que ela se perca nos céus. Dizem que isso traz boa sorte e leva embora as doenças.

Árvore com flores cerejeira em Kunming
Árvore com flores de cerejeira em Kunming

Esse festival é também relacionado com a agricultura, pois a primavera é a melhor época para reiniciar a lavoura. Algumas pessoas carregam ramos de salgueiro durante o festival ou colocam em frente a porta de casa, pois acreditam que os ramos espantam os espíritos do mau. Essa tradição ainda é praticada no interior da China e por aqueles mais tradicionais, mas muito já se perdeu. Nas cidades grandes, é difícil ver alguém com os ramos de salgueiro.

Muitos chineses aproveitam o feriado para viajar, mas a maioria não deixa de seguir as tradições. Eles veem esse festival como um tempo para refletir, homenagear os ancestrais e curtir a nova estação com a família. Alguns costumes podem parecer um tanto quanto estranho para nós (queimar réplicas de casa, iphone?!), mas admiro como os chineses valorizam suas crenças e como são fiéis às tradições.

Bom, como não é de bom tom desejar “Feliz Qingming”, provavelmente em respeito aos falecidos, me despeço por hoje com o de sempre “até logo” em chinês…

Zài jiàn

 

25 março, 2016
Como é celebrada a Páscoa na China
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

A primeira pergunta que você deve ter se feito ao ler o título do post é: existe Páscoa na China? Um país onde boa parte da população segue os princípios de Confúcio, reverencia o budismo e o taoísmo e não acredita em Deus, muito menos em Jesus Cristo, por que celebraria a Páscoa?

ovos pintados de pascoa cultura chinesa

Mesmo não sendo todas reconhecidas pelo governo, a China abriga diversas religiões, incluindo a católica, a evangélica e a ortodoxa. Para os chineses cristãos, a data tem um significado religioso, assim como para nós ocidentais. Eles celebram a ressurreição de Cristo, vão à Igreja e assistem as missas. Sim, na China tem Igrejas Católicas espalhadas por várias cidades. Eu ainda não tive a oportunidade de visitar nenhuma, mas já conheci um chinês cuja família é católica.

Mas para grande parte da população, a Páscoa tem apenas o apelo comercial. Até alguns anos atrás, não se encontravam, nos supermecados, ovos de páscoa ou chocolates com formatos especiais. E muitos chineses não-cristãos nem sabiam que essa data existia. Mas com a “invasão” de estrangeiros, o mercado e as marcas não perderam essa oportunidade. E mesmo não conhecendo o real significado da Páscoa, o comércio chinês aproveitou a procura dos ocidentais por doces e chocolates que representassem a data, para vender mais. Hoje, algumas grandes redes de supermercado, como Carrefour e Metro, e outros mercados menores de importados comercializam ovos de Páscoa da Nestlé, Lindt, Ferrerro Rocher, entre outras marcas, e chocolates em formatos de coelho, ovinhos e até galinhas. Tudo costuma voar das gondolas dos supermercados, pois até os chineses se renderam a essas delícias ocidentais.

Muitos restaurantes de Shanghai, Beijing e outras cidades maiores aproveitam a data e promovem almoços especiais e ceias, tudo para atrair o público que tem o costume de celebrar a Páscoa. Em Hong Kong, essa data recebe uma atenção ainda mais especial, por causa da influência da cultura inglesa {leia mais sobre a colonização de HK pelos ingleses} e pelo considerável número de estrangeiros cristãos vivendo por lá. Os hotéis e restaurantes oferecem menu especial e alguns parques e atrações turísticas promovem eventos e brincadeiras.

Influênciada pela cultura ocidental, algumas crianças chinesas se divertem com a caça e pintura dos ovos de Páscoa, no domingo de manhã. E assim como o coelho, os ovos pintados e os de chocolate simbolizam a Páscoa no ocidente, na China estes também tem um significado importante. Os chineses acreditam que a vida começou do ovo, portanto, é comum que eles presenteiem familiares e amigos com ovos coloridos, tanto no Festival de Primavera quanto na Páscoa. Os ovos representam a renovação da vida. E os coelhos simbolizam o nascimento e a vida e são vistos com frequência na pintura dos ovos.

pascoa na china crianças chinesas coelho ovos

Para meus leitores eu desejo uma doce e abençoada Páscoa e um espírito de renovação e crescimento, especialmente por este momento que nosso Brasil e nós brasileiros estamos passando.

Fùhuó Jié Kuàilè 复活节快乐 (Feliz Páscoa)!

 

03 fevereiro, 2016
Ano Novo Chinês | História, tradições e superstições
Cultura, Curiosidades

Enquanto no Brasil é hora de pular carnaval, aqui na China, o povo comemora o Ano Novo Chinês. Época do ano em que acontece o maior movimento de migração da face da terra. Sim, pois estamos falando do maior feriado do país mais populoso do mundo: a China!

chinese new year 2016 china

A data do Ano Novo Chinês muda a cada ano, pois é baseado no calendário lunar. Desta vez, o Ano Novo será comemorado no dia 07 de fevereiro, mas o feriado (estipulado pelo governo) começa no dia seis e dura uma semana, até 13 de fevereiro. A virada de ano sempre cai na segunda lua nova após o solstício de inverno, na chegada da primavera. E por isso o feriado de Xīn Nián, 新年 (xīn – novo; nián – ano) é também chamado de Chūn Jié, 春节 ou Festival da Primavera. O dia do Ano Novo é chamado de Guo Nián, 过年, que, em mandarim, pode significar “celebrar o ano” ou “superar o monstro”. A palavra “nián”, além de significar ano, é também o nome do monstro que deu origem à essa celebração. É isso mesmo, monstro!

A história é a de que há centenas de séculos passados, havia um monstro chamado Nián. Ele morava no fundo do mar durante o ano inteiro e só saía de baixo d’água na véspera de Ano Novo, para caçar pessoas e animais das aldeias vizinhas. Então, o povo se escondia nas montanhas, enquanto o monstro destruía as aldeias. Certa vez, um velho de cabelos brancos chegou a aldeia e se negou a subir para as montanhas. Ao invés disso, ele enfeitou a aldeia com papéis vermelhos nas portas, vestiu roupas da mesma cor, acendeu velas nas casas e preparou pedaços de bambu para fazer estalos (como se fossem fogos de artifícios). E sabe o que aconteceu? O monstro não apareceu. Por isso, até os dias de hoje essas tradições são mantidas. E enfeitar as portas com mensagens e desenhos em papel vermelho, pendurar lanternas e soltar fogos de artifícios são maneiras bem comuns de comemorar o Ano Novo. Aliás, são costumes, praticamente, obrigatórios para quem deseja um ano novo de muita sorte, segundo acreditam os chineses.

cultura chinesa ano novo vermelho lanternas luzes

Ano novo china fogos de artificio

 

Mas as superstições não param por aqui. Basta você pesquisar um pouco sobre o assunto, que vai encontrar inúmeros tabus do que pode e não pode fazer durante o Ano Novo Chinês e fica difícil saber exatamente quais costumes ainda estão em voga e quais já se perderam com o passar dos séculos. Mas vou citar mais alguns que ouvi dos próprios chineses, ou seja, são mantidos e seguidos a risca até os dias de hoje:

• Roupas

É totalmente inadmissível usar roupas brancas na noite de Ano Novo, porque o branco atrai fantasmas. A cor mais indicada é, claro, o vermelho. O vermelho é uma cor viva, que traz sorte e fortuna.

detalhe flor vestido vermelho delicado

• Limpar a casa

A casa pode ser varrida e limpa um dia antes do Ano Novo ou somente depois que termina o feriado, é até sugerido fazer isso, para varrer para fora as coisas ruins. Já limpar a casa durante o feriado de Ano Novo não pode, pois leva embora as boas energias trazidas pelo novo ano.

• Desejos

No primeiro dia do ano, é importante desejar aos familiares: Gōngxǐ gōngxǐ (Parabéns) ou; Xīnnián kuàilè (Feliz Ano Novo) ou; Gōngxǐ fācái (desejo fortuna). São sinais de sorte.

• Evitar costumes que trazem azar

Falar palavras com sentido ruim, chorar, quebrar louças e lavar o cabelo (?) são sinais de má sorte. Lavar o cabelo tem o mesmo significado que varrer o chão, leva embora as coisas boas trazidas pelo ano novo.

• Jantar da véspera

Uma das coisas mais importantes na noite de Ano Novo é a comida. Os chineses que moram fora de sua cidade natal, costumam retornar para casa nesta data e é hora de reunir a família na mesa e fazer uma grande refeição. Não pode faltar dumplings, que em português chamamos de guioza, peixe e nem vinho. Comer estes alimentos é mais do que uma tradição, é superstição. A guioza, por ter o formato de antigas peças de ouro e prata, traz fortuna. O peixe, que em mandarim é “yu” tem a mesma pronúncia que prosperidade, portanto, traz prosperidade. E vinho, que é “jiu”, tem o mesmo som que longevidade.  E próximo da virada de ano e nos dias seguintes, é hora de soltar os fogos de artifícios. Mas não são quaisquer fogos, não. Quanto maior a quantidade e quanto mais bonitos os fogos, mais sorte e fortuna para quem os soltou.

Bom, estes são apenas algumas superstições, dentre tantas. Chinês é um povo que leva a sério as tradições e, além de serem várias superstições, estas são bem intensas. Ah, é importante citar que, cada ano corresponde a um animal. O ano de 2015 foi o da ovelha e 2016 será o ano do macaco. Mas esse assunto eu deixo para o próximo post…

 

05 novembro, 2015
A última moda na China – galhos, plantas e flores na cabeça
Comportamento, LIFESTYLE, MODA, Tendências

Na semana passada, quando ainda estava de “férias” no Brasill, uma leitora me enviou o link de uma matéria de um portal de notícias que falava sobre a nova moda na China, que estava fazendo a cabeça dos chinesesusar plantas, flores, folhas e galhos de plástico na cabeça. Folhas e flores até tudo bem, porque as chinesas adoram usar coroa de flores como enfeite de cabelo. Mas nessa nova trend, o negócio é usar os adereços como se estivessem brotando da cabeça.

Eu achei a matéria meio exagerada e não quis falar sobre aqui no blog até ter certeza se era verdade ou não. Pronto, nos meus primeiros dias de volta à China, eu pude constatar – essa é a febre do momento! Aí eu me pergunto, todo esse tempo no país e ainda não entendi que aqui na China a gente vê de tudo?! hehehe

Não se sabe exatamente porque essa moda surgiu, mas os grampos e prendedores de cabelo com plantas começarem a ser vendidos em Beijing, uma das cidades mais turística da China, e logo se espalharam pelo país inteiro. Depois das plantas surgiram ramos de flores, frutas e até cogumelos fakes.

Comerciantes ambulantes e lojinhas de tranqueiras chinesas, de norte a sul do país, estão lucrando com a venda desses acessórios. O preço baratinho, de ¥ 2,00 a 5,00 yuans, provavelmente, é um dos motivos para que essa moda tenha se propagado a velocidade da luz. E foi um boom tão rápido e um sucesso tão grande que até a CNN fez uma matéria sobre esse estilo de acessório. Aí você pensa: que coisa mais bizarra! E foi exatamente o que pensei no início. É estranho, um tanto weird, mas quando você sai as ruas e vê as pessoas usando, se torna até divertido.

Jovens, entusiasmados, não perdem tempo ao ver um banquinha comercializando esse tipo de prendedor de cabelo. As meninas experimentam e logo pegam seus Iphones ou Samsungs (que mais parecem um tablet, de tão grande) para tirar selfies. Se emocionam, dão pulinhos, naquele jeitinho chinês fofo de ser. Eu mesma presenciei algumas cenas assim. E claro, também entrei no clima kkkk É uma coisa tão banal, que, provavelmente, será esquecido assim que surgir a próxima “moda do momento”, mas são coisas assim, novas e diferentes que trazem mais graça ao nosso dia a dia tão corriqueiro e estressante, não é!? E talvez por isso, essa tendência tenha feito a cabeça de chineses e de turistas de maneira tão rápida.

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Agora quero saber de vocês, o que acharam dessa moda? Usariam ou não?

23 setembro, 2015
Tea time: a cultura e os benefícios do chá chinês
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

cha verde china culturaEsses dias estava assistindo um programa que falava sobre os benefícios do chá e fiquei pensando: qual o povo que mais gosta de chá? Não, não são os ingleses e seu famoso chá das cinco. Sim, são os chineses! O chá é praticamente uma instituição na China e ícone cultural do país. Esta bebida é muito mais importante para os chineses do que o café é para nós brasileiros. Também pudera, o chá surgiu na China há séculos antes de Cristo.

O chá (fala-se “tcha”), que em mandarim tem a pronuncia bem parecida com o português, é bebido antes e depois das refeições e durante o dia inteiro. É até engraçado, onde quer que você vá, sempre vai encontrar um ou mais chineses carregando um squeeze ou garrafinha com chá. Eles acreditam que a bebida ajuda a eliminar a gordura dos alimentos ingeridos. E olha, acho que faz todo o sentido, porque por tudo que eles comem e não engordam – quanto mais gordura na carne e mais óleo para fritar os vegetais, melhor – acredito que o chá deve trazer muitos benefícios para o sistema digestivo.

A cultura de tomar chá é tão forte que existem muitas casas de chá no país inteiro. Para mostrar respeito a uma pessoa, os chineses o convidam para tomar chá. É muito comum empresas levarem seus clientes (estrangeiros, principalmente) à casas de chá como forma de agrado.

O chá mais consumido no oriente é o verde, que tem pouca fermentação e muitas propriedades medicinais já comprovadas. Em Hangzhou fica a plantação do chá verde mais famoso da China, o longjing. Outro tipo de chá bem conhecido é o wulong ou oolong, que significa “dragão negro” em chinês. Também tem chá preto que, diferente do que o nome diz, sua coloração é mais puxada para o vermelho. E o chá branco, que dizem ter os mesmos efeitos medicinais que o verde. Os chás de flores, como crisântemos e jasmim, também são bem comuns. E aqui não tem essa de beber chá de saquinho ou da marca tal, é tudo bem natural. E alguns tipos de chás de boa qualidade, como o woolong, podem ser caríssimos.cha chines beneficios

Outra curiosidade que tem a ver com essa prática, é que os chineses sempre tomam água quente. E não digo quente na temperatura ambiente, mas a água é fervida para ser bebida, seja inverno ou verão. Imagina você chegar em um restaurante e te servirem com água quente? Na China é comum os estabelecimentos comerciais servirem água ao cliente, mas detalhe: a água é quente e da torneira. E quando você pede “bing de” (gelada), eles não entendem ou, se entendem, trazem um baldinho com gelo. E os bebedouros que encontramos por aí tem apenas água morna e quente. Lembro que certa vez estava na academia (academia, gente!!!), apertei o botão azul do bebedouro esperando sair água gelada para me refrescar. E nada. Saiu água morna. Apertei no vermelho para ver o que acontecia (vai saber, os chineses tem crenças  diferentes das nossas quanto às cores – leia aqui) e foi aí que queimei minha boca (!!!). A água estava fervendo. Agora, quem vai tomar água fervendo na academia?? kkkk Eles acreditam que a água quente é mais rápida na hidratação das células, uma vez que a temperatura normal do nosso corpo é 37 graus. Verdade ou não, a gente acaba se acostumando a tomar água morna. Algum bem deve fazer, não é? rsrsrs

Bom, os chineses tem fama de vida longa e saúde. E alguma dúvida de que os chás contribuem para isso? Quem aqui gosta?

02 julho, 2015
Baby butt, a tendência dos pequenos
Comportamento, Curiosidades, LIFESTYLE

Com a chegada do verão e dos dias quentes (lê-se: insuportavelmente quentes), tem uma tendência entre bebês e crianças pequenas que toma conta das ruas. É um fenômeno. Quer saber qual é?

amigos passeio roupa bunda de fora

É o baby butt ou bebês com a bunda de fora!

Quem é que não acha fofo quando vê a bundinha gordinha de um nenê? Nós achamos fofo de ver e os bebês chineses (ou pelo menos, seus pais) acham fofo de mostrar!

bebe viaja mundo bunda de fora

bebe no inverno calça comprida rasgada

Mas por que as crianças chinesas usam calça com a traseira aberta? Eu fiz essa mesma pergunta para amigas chinesas e elas simplesmente me responderam: porque é conveniente!

Não, não é por ser fofo, para arejar ou porque as fraldas são muita caras. Eu pesquisei, e não são. Os pais vestem as crianças assim porque na hora que o filho precisar fazer suas necessidades fisiológicas é só agachar e pronto! Fácil né?! Para os pais, mas não para quem tem que limpar depois. E os babys usam bunda de fora até no inverno! Como o bumbum não congela? crianças roupas bunda de fora rosa inverno

bebe colo brincando calça bunda de fora

E aí vem a parte NADA fofa. Não existe uma regra ou lugar propício para agachar e fazer. Quando bater a vontade, faz onde estiver. O número um (aka xixi) é bem comum acontecer bem ali, no meio da calçada e já vi o número 2 (aka.. ok, você sabe) em carrinho de supermercado e até no chão do shopping center.

xixi no chao calçada

É uma coisa totalmente cultural e os chineses não veem nada de errado com isso. São cenas do cotidiano na China e quem está no país deles que se acostume. E foi o que eu fiz!

E vocês, o que acham? Será que essa trend pega no Brasil? #ihopenot