30 setembro, 2017
FESTIVAIS DA CHINA | GOLDEN WEEK + FESTIVAL DA LUA OU DO MEIO DO OUTONO
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

Se você está na China, provavelmente, já está de malas prontas para viajar ou esperando seu trem/voo junto de milhões de chineses. Se não está, então tem um tempinho para descobrir o que está acontecendo num dos maiores países do mundo…

É que neste ano de 2017, dois dos maiores festivais nacionais caem na mesma semana! Ou seja, uma semana inteirinha para celebrar o GOLDEN WEEK + o MID-AUTUMN FESTIVAL! Para quem nunca ouviu falar, eu explico:

O 1º de Outubro é o Dia Nacional Chinês ou Chinese National Day {soa mais bonito em inglês, né!?}. Para celebrar essa data tão especial, o governo decreta um feriado nacional de SETE dias (!!) que é a chamada GOLDEN WEEK/SEMANA DE OURO/HUÁNGJīN ZHOU黄金周 (a gente é muito poliglota por aqui rsrsrs)… A China se tornou um país independente em 1949, mais precisamente no dia 21 de Setembro de 1949. Mas a grande cerimônia só aconteceu no dia 1º de outubro do mesmo ano, na gigantesca Tiananmen Square, em Beijing. Por isso, o 1º de outubro ficou sendo a data oficial. 

Até os dias de hoje, é realizado um evento solene na Praça Tiananmen em Beijing para comemorar a independência. Desde 2011, é colocado um enorme vaso com flores (artificiais, claro) no centro da Praça com o tema “Boa Sorte”. O vaso de 2017 tem 17 metros de altura e 50 metros de diâmetro. Coisa pouca…

golden week dia nacional china beijing pequim

Fonte: Xinhuanet

Os chineses tem alguns costumes comuns nessa data, mas viajar para destinos turísticos ou para visitar a família na cidade natal é a principal atividade. Não preciso nem comentar que as estações de trem e os aeroportos ficam lotados, né?! Bem importante se organizar com antecedência.

golden week viagens china multidao

 

Lotados, tipo assim. Porque né, estamos falando do segundo maior feriado do país mais populoso do mundo! Essa foto é de uma estação de trem em Beijing em 2014.

 

 

 

 

Já o MID-AUTUMN FESTIVAL,  o Festival do Meio do Outono, também conhecido como o Festival da Lua, sempre cai no 15º dia do oitavo mês do ano de acordo com o calendário lunar. Como o calendário lunar muda todo ano, a data desse festival, idem. E em 2017, cairá justamente no meio do feriado nacional e será celebrado no dia 04 de outubro. Esse é o segundo festival mais importante da China (depois do Ano Novo Chinês). Como o próprio nome sugere, a data celebra o meio do outono que, segundo os chineses antigos, é a melhor época do ano para a colheita. É nesse momento que a lua fica mais cheia e brilhante, por isso o festival também é conhecido como Festival da Lua.

As tradições principais da data são as reuniões familiares e as oferendas à lua, como forma de agradecimento. E a mais deliciosa delas?! Comer mooncakes!! Os famosos bolinhos são o maior símbolo do Festival do Meio de Outono. Para saber mais sobre o festival e sobre os deliciosos mooncakes, dá uma clique aqui!

mooncake festival do meio de outono china

Então, se você está na China, aproveite o feriado e não esqueça de comer alguns mooncakes. Segundo os chineses, traz sorte e fortuna! uhuulll

Zhōngqiū jié kuàilè 中秋节快乐 (FELIZ FESTIVAL DO MEIO DO OUTONO)

 

SaveMe!
21 julho, 2017
Shanghai Calling | Comédia romântica sobre a vida de um estrangeiro na China
DICAS, LIFESTYLE

O desafio de se mudar para um país como a China pode ser assustador para muita gente. Assim como foi para Sam Chao.

É verdade que a vida de um expatriado recém chegado na China pode não ser muito fácil, especialmente quando estamos falando da cultura, do idioma e das tradições do país. Num primeiro momento, tudo parece tão diferente e até estranho para nós. E Shanghai Calling ou O Chamado de Xangai, evidência exatamente isso: em meio a um enredo de comédia romântica clichê, o filme mostra, de forma divertida, os choques culturais que sofre um ocidental quando chega ao maior país do mundo. Sam Chao, na verdade, é o personagem vivido por Daniel Henney, um americano moderno que mesmo sendo de descendência chinesa, nada sabe sobre a China e muito menos sobre a cultura do país. Advogado de Nova Iorque, ele é transferido por seus chefes para fazer negócios em Shanghai e embarca para a China, totalmente contrariado, mas na esperança de cumprir o seu dever e ser promovido quando voltar à sua cidade natal nos Estados Unidos.

Shanghai Calling filme cultura China

Já no aeroporto de Shanghai, ele conhece a também americana Amanda (Eliza Coupe). Ela é responsável pela recolocação de expatriados na cidade e apresenta Sam à comunidade de Americatown (uma espécie de Chinatown ao contrário) e à dois expats americanos que tornam-se seus amigos ao longo da trama (um deles vivido por Bill Paxton). Na sede de sua empresa em Shanghai, Sam conhece sua assistente chinesa Fang Fang e o seu principal cliente – um americano que o procura pedindo ajuda para tratar de assuntos legais com um empreendedor chinês. É a partir daí que a história começa a se desenrolar e os problemas começam a surgir. Sam não faz o menor esforço para compreender e aceitar os costumes locais, o que torna os problemas ainda maiores – e o filme mais engraçado.

Mas deixando um pouco da história em si de lado, os confrontos do personagem principal com a cultura local e os “perrengues” que ele passa ao chegar na China são os fatos que deixam o filme mais interessante e divertido. E não há como qualquer estrangeiro que tenha se mudado para a China não se identificar com as situações que ocorrem no filme.

Algumas cenas são impagáveis, como: quando Sam dá de cara com a empregada doméstica (chamada em chinês de ayi), dentro de seu apartamento, e ela, sem qualquer descrição, desanda a falar em mandarim sem parar, enquanto ele não entende nada; e quando ele discute horrores com o taxista achando que ele está querendo tirar vantagem sua por ser estrangeiro e não falar o idioma, mas no fundo ele só está tentando ajudar; e a melhor: quando um chinês marca de encontrar Sam em um restaurante comum de comida chinesa e a cada momento senta um chinês na mesa deles, na maior cara dura e com um pote de noodles para comer. E Sam ainda fica preocupado que alguém ali poderia estar entendendo sua conversa secreta, sendo que ninguém sequer sabia falar inglês. Ok, falando assim até parece não ter muita graça, mas quem nunca passou por isso na China? Fazer uma simples pergunta em mandarim e receber uma resposta de 5 minutos, em que você não compreende absolutamente nada? Ou ter que lidar com a falta de privacidade do chinês que gosta de se intrometer em qualquer situação sua? Quando você se identifica e se dá conta que passou pelas mesmas situações do americano no filme, é inevitável segurar a risada.

Essas são situações engraçadas que a maioria dos estrangeiros na China já sentiu na pele… mas também há cenas interessantes que retratam mais detalhes da cultura chinesa. A importância de dar e receber o cartão de visitas com as duas mãos (assim como o dinheiro, o troco, a nota fiscal…) e o modo como os jovens chineses são recebidos pela família da amada, são algumas particularidades culturais mostradas no filme. E além da história, que tem seu toque divertido e charmoso, é importante destacar as cenas capturadas em Shanghai, que mostram uma cidade moderna (repleta de prédios arranha-céu), o The Bund e a Pearl Tower (dois dos principais pontos turísticos) e ainda o lado humilde e tranquilo dos locais.

O filme de Daniel Hsia, é de 2012, mas não deixa de ser bem atual. Pois acredite, todas as situações curiosas (algumas no mínimo, engraçadas) que Sam vive ao chegar na China, qualquer estrangeiro recém chegado ao país estará sujeito a passar. Até porque nada muda muito em cinco anos. No caso de Shanghai, “apenas” algumas dezenas de prédios gigantes a mais, para completar o moderno e grande horizonte da cidade. Um filme leve, engraçado e com toque de romantismo, que faz o telespectador mergulhar no entendimento de como pode ser a vida de um estrangeiro nessa louca e curiosa China.

shanghai calling comedia romantica china

Separa o saco de pipoca, acessa o filme no Netflix ou baixa no Youtube, pois vale a pena! Depois me contem o que acharam 😀

Zài Jian!

 

01 fevereiro, 2017
A importância do Ano Novo para as famílias chinesas e o reencontro entre pais e filhos
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

Bom, no próprio título do post já fica claro os dois assuntos que quero tratar nesse texto. Mas os que esses dois assuntos tem em comum? Na verdade, tem tudo a ver. 

Talvez muitos que estão de fora não compreendam a verdadeira importância desse feriado de Ano Novo para os chineses, também conhecido como Festival de Primavera. Eles esperam ansiosamente o ano inteiro por essa data. A China praticamente para: os restaurantes e lojas fecham, as empresas entram em recesso por alguns dias e a maioria da população se desloca. Ou seja, é o momento que os trabalhadores tem para descansar do trabalho puxado do ano inteiro. Mas mais importante do que isso, essa é a época do ano que eles conseguem reunir a família e rever os entes queridos. Pessoas importantes que, na maioria das vezes, moram muito longe.

familia chinesa tradição cultura ano novo

Isso porque, se você conversar com algum chinês que mora em cidade grande, como Beijing, Shanghai, Hangzhou, Chongqin, Xian, Guangzhou, Shenzhen e muitas outras, incluindo Xiamen, muito provavelmente ele não é dessa cidade, originalmente. 

A grande maioria da população que vive e trabalha nessas cidades desenvolvidas vem do interior. Eles vem para cá a procura de trabalho. A procura de dinheiro para sustentar a família, que mora no campo. Mãe, pai e até filhos. Porque na cultura chinesa funciona assim: enquanto os pais trabalham, as crianças são cuidadas pelos avós (paternos, geralmente) e se os pais tem que trabalhar em outra cidade, os filhos ficam com os avós na sua terra natal.

E aí entra a questão das crianças e jovens chineses serem conhecidos como egoístas. Uma porque são filhos único e outra por serem criados por avós, que na maioria das vezes não impõe limites e nem dão a atenção necessária que uma criança precisa (não é regra, mas acontece). 

Esses dias estava em um restaurante de Xiamen que costumo frequentar e a chinesa que sempre me atende sentiu-se confortável para desabafar comigo. Eu perguntei à ela se iria viajar no Ano Novo chinês e ela disse que iria para a cidade natal de seu marido, para ver sua filha de oito anos, que mora com os avós paternos. Infelizmente ela não poderia ver os seus pais, que moram em outra cidade. Afinal, ela precisava decidir entre a sua filha e os seus pais. 

Imagina, ela vê a filha apenas duas vezes por ano: uma no Ano Novo chinês e outra no feriado de Independência. E ela contou o quanto estava preocupada, pois a menina ia mal na escola e ninguém dava bola para a criança. Os avós cuidam dos outros netos que são mais novos (e homens!) e não dão muita atenção para a menina. Para nós pode ser uma surpresa saber que os pais só veem os filhos uma ou duas vezes ao ano, mas para os chineses isso é tão comum. Esse nosso papo me lembrou um trecho do livro Laoway, em que a Sônia Bridi relata o quanto ela ficou surpresa ao ver crianças soltas nas ruas do interior, sem qualquer supervisão de um adulto. (Aqui tem um review bem interessante desse livro, que por sinal, é ótimo). 

E a minha surpresa quando ela me perguntou: os ocidentais tem o costume de cuidar de seus próprios filhos, não é?! “É claro que nós cuidamos dos nossos próprios filhos, afinal, nós que escolhemos ter filhos e nós que colocamos eles no mundo” eu pensei na hora, mas a respondi apenas com um educado “sim”. 

Ela poderia trazer sua filha para morar em Xiamen, mas aqui as escolas públicas estão sem vagas e as particulares são caríssimas. Ela também poderia arranjar um emprego em Guangzhou (onde sua filha está) e morar lá, mas ela diz preferir o trabalho dela em Xiamen. Não há como julgar, mas enquanto ouço histórias assim, imagino o que eu ou qualquer outra pessoa criada na mesma cultura, faria em uma situação dessas. Para nós ocidentais é tão difícil pensar em colocar um filho no mundo e dar para outra pessoa criar, mesmo que sejam seus pais, mas na China ainda é muito comum os avós criarem os netos, muitas vezes longe dos pais. Alias, se você pesquisar no Google Imagens a frase “família chinesa” vão aparecer muitas fotos com um casal de idosos, um casal jovem e uma criança, pois os avós são parte muito presente no ambiente familiar. Sempre falo que adoro conhecer a cultura e as tradições deles e pensar em como podemos ser povos tão diferentes.

familia chinesa cultura ano novo chines

Assim como ela, já conheci outros chineses na mesma situação. Em um voo do Brasil para a China conversei com uma chinesa que morava no Brasil com o marido e tinha deixado os filhos na China. Quando perguntei porque, ela respondeu que a educação no Brasil era muito cara e que na China eles passavam o dia na escola e não era preciso se preocupar com alguém para cuida-los. Ela via os filhos a cada dois anos. Conseguem imaginar isso!? 

Quem tem melhores condições financeiras consegue trazer seus filhos e pais para morarem juntos no mesmo lar. No condomínio onde moro, todo dia vejo dezenas de avós cuidando dos netos, enquanto os pais trabalham, meus vizinhos de porta, inclusive. Mas no fim do dia, os pais estão de volta e podem curtir os filhos e dar a atenção que as crianças tanto precisam. Seriam eles sortudos? Acredito que sim. Pois na verdade, nem sempre isso acontece, já que a maioria dos idosos não querem sair do interior para morar na cidade grande e as creches e escolas infantis são realmente caras na China e claro, a maioria da população não tem como sustentar isso. A solução? Deixar as crianças com os avós no interior. 

Quando cheguei na China pela primeira vez e comecei a conhecer mais sobre a cultura do país, achei que histórias assim eram coisa do passado. Mas cada vez mais me convenço de que ainda faz parte da realidade de muita gente. E assim como para nós ocidentais, o Natal é tão esperado, é a época de reunir a família e agradecer, para os chineses, o Ano Novo Lunar tem o mesmo sentido e com um toque ainda mais especial, pois é o único momento do ano em que muitos deles podem voltar para casa e rever toda a família, a tão adorada família. 

12 janeiro, 2017
Ano Novo Chinês | O ano do Galo está chegando
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

Nǐ hǎo,

Primeiramente, desejo um Feliz 2017 à todos leitores!

Nós já estamos em clima de novo ano, mas para os chineses, 2017 ainda não chegou. O Ano Novo Chinês ocorre em uma data diferente a cada ano, pois é baseado no calendário lunar. Neste ano cairá no dia 28 de janeiro. Ou seja, o ano do macaco chega ao fim e dá espaço ao ano do galo. O animal do ano é definido de acordo com o ciclo do zodíaco chinês que conta com 12 animais diferentes (neste post eu conto como eles foram escolhidos, segundo a crença chinesa).

As comemorações começam no dia 27 de janeiro e normalmente duram de uma a duas semanas. Esse feriado – chamado de Chūnjié (春节) ou Festival de Primavera – é o mais longo da China e todo mundo se prepara para viajar. Agora, imagina: 1,4 bilhões de pessoas de um mesmo país se movimentando ao mesmo tempo! Os aeroportos, estações de trem e estradas ficam lotados, é um verdadeiro caos. Não é a toa que esse época do ano é considerada a temporada de viagens mais movimentada do mundo e os chineses tem até um nome para isso: Chūn yún (春云) que significa “movimento da primavera”. Segundo a imprensa internacional, no último ano foram registradas 2.9 bilhões de pessoas transportadas dentro da China. Tem noção do que é isso!?

chun yun ano novo chines

Ok, mas e como essa data é celebrada? Já contei as tradições neste post sobre o último Ano Novo Chinês, mas é sempre bom relembrar e compartilhar novos conhecimentos.

ano novo chines fogos de artificio cidade proibida beijing

• DECORAR AS RUAS, PRÉDIOS E CASAS: nas semanas que antecedem o Festival de Primavera já começamos a ver as ruas, casas, os shoppings e prédios comerciais enfeitados. Praticamente tudo a nossa volta recebe ornamentos vermelhos e amarelos e característicos ao animal do ano, nesse caso, o galo. O ornamento mais comum são as lanternas vermelhas, um dos símbolos da cultura chinesa. Além de dísticos e letreiros. Nest post eu explico mais sobre cada item de decoração usado pelos chineses.

REUNIR A FAMÍLIA NUM JANTAR ESPECIAL: essa é a época do ano que todo chinês volta para casa na sua cidade natal. Durante a noite de Ano Novo toda a família se reune em volta da mesa para fazerem juntos a refeição que eles consideram a mais importante do ano. Peixe e guioza não podem faltar de jeito nenhum.

SOLTAR/ASSISTIR FOGOS DE ARTIFÍCIOS: embora os fogos sejam proibidos na maioria das cidades chineses, devido á poluição, os shows de fogos de artifícios são dignos de comercial. Os chineses acreditam que o barulho dos fogos espanta os espíritos ruins e quanto mais bonitos e duradouros, mas sorte trarão ao novo ano. A comemoração oficial acontece em Beijing, em frente a Cidade Proibida e o show incrível de fogos é transmitido pela CCTV para todo o país.

ENTREGAR ENVELOPES VERMELHOS: os envelopes vermelhos recheados com notas de dinheiro simbolizam o desejo de boa sorte e fortuna. São entregues, principalmente, às crianças e jovens da família. Na era da tecnologia, há aplicativos com envelopes vermelhos simbólicos onde as pessoas podem trocar dinheiro de forma online.

LIMPAR A CASA: a tradição de varrer a casa antes da chegada do Ano Novo espanta as coisas ruins. Mas a casa deve ser varrida antes da noite de Ano Novo. Eles acreditam que limpar a casa nos primeiros dias do novo ano pode levar embora as coisas boas que recém chegaram.

O ANO DO GALO

ano novo chines galo ouro

O galo é o décimo animal do zodíaco chinês. Pessoas que nasceram nos anos: 1921, 1933, 1945, 1957, 1969, 1981, 1993, 2005 e 2017 são considerados galos. E por mais contraditório que pareça ser, a crença chinesa diz que o ano do galo não é um bom ano para quem nasceu no ano do galo. Se você é galo, aqui vão algumas dicas para atrair a sorte e evitar o azar.

Cores e números da sorte: amarelo, dourado e marrom; 5, 7 e 8.

Evitar cores e números: vermelho; 1, 3 e 9.

E já que estou na China, tento seguir as principais tradições (não custa nada né!? Vai que traz muita boa sorte no novo ano lunar…). E você, segue ou seguiria essas tradições chinesas?

21 dezembro, 2016
Dica de leitura | Laowai – Histórias de uma repórter brasileira na China
Comportamento, Cultura, Curiosidades, DICAS

Sabe quando o mundo vira de cabeça para baixo, quando você não conhece mais ninguém a sua volta, não compreende nada do que falam e o que sempre pareceu certo já não parece mais?! Foi exatamente assim que me senti quando cheguei pela primeira vez na China. Sabia que seria uma experiência MUITO diferente, mas é na vivência do dia a dia, lidando com os chineses e com a grande diferença cultural, que as coisas, até então, inimagináveis, acontecem. Ficava eu e Rodrigo nos questionando: será que isso só acontece com nós? Quem – na verdade, o que – me ajudou a responder essa pergunta foi o livro da repórter brasileira Sônia Bridi. Entitulado “Laowai – Histórias de uma repórter brasileira na China”, o livro conta as aventuras dela, do marido Paulo Zero e do filho, Pedrinho ao viverem deste lado do mundo. A família se mudou para a capital, Beijing, em 2005 para montar a primeira base da TV Globo no Oriente.

Eles moraram durante dois anos na China e o livro foi lançado em 2008, baseado nas experiências que a família viveu no país, desde situações comuns do cotidiano, como: alugar apartamento, encontrar escola para o filho, solicitar cartão bancário, se comunicar com os locais e com as autoridades, tirar carteira de motorista até os grandes choques culturais. Coisas simples, mas que na China podem se tornar uma história a parte, daquelas para contar para os filhos, netos e quem sabe, até escrever um livro – como Sônia fez. Btw, o livro não poderia ter um título mais adequado. Laowai significa “estrangeiro” em mandarim e se você for um ocidental na China, provavelmente vai ouvir alguém chamando-o assim.

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Em Laowai, a repórter conta de forma leve e engraçada histórias super interessantes, emocionantes e até chocantes. Muitas delas eu me identifiquei totalmente, pois já havia passado pelo mesmo. É engraçado pensar que já se passaram quase 10 anos que eles viveram na China e em uma região tão distante de onde moro e ainda hoje as histórias se repetem. Estrangeiro ter cartão de crédito em banco chinês ou celular de linha era inviável, segundo ela. E isso se estende até os dias atuais {aliás, se alguém souber o contrário, por favor, me conte}. O fato de os chineses evitarem se comprometer com respostas concretas era uma coisa que me tirava do sério no início da minha jornada por aqui e Sônia cita o mesmo. “Should be fine” era uma das respostas que ela mais escutava, nunca um “sim” ou um “não”. Alguém lidando com chineses se identifica?

Você sabia que a posição de descanso do chinês é de cócoras? Que eles preferem fazer as necessidades fisiológicas de cócoras a sentar no vaso sanitário? Que escarram e cospem nas ruas ou qualquer outro lugar público? Que eles acham super estranho cumprimentar outras pessoas com beijos e abraços? Que eles tomam água quente em qualquer estação do ano? E que as refeições são feitas em mesas redondas e giratórias e consideradas quase como um ritual sagrado? Essas são apenas algumas curiosidades citadas por Sônia e que nos deparamos no dia a dia vivendo na China. Além de outras que já comentei por aqui, como: as crianças que andam com bumbum de fora (leia mais aqui); a importância da família na sociedade chinesa e os diversos nomes dos membros familiares (aqui); o uso de sombrinhas para evitar a pele bronzeada (aqui) e; o chá visto como uma instituição (aqui). Por essas e outras situações, me admiro que em um país onde a economia é a que mais cresce no mundo atualmente, a tecnologia e a globalização invadem a todo vapor, muitas tradições milenares são mantidas ao pé da letra por tantos e tantos anos e gerações.

Além de narrar situações cômicas, Sônia conta também sobre as ameaças e dificuldades que ela e sua equipe passaram ao tentar gravar certas matérias e com o uso da internet, e ainda o preconceito que ela viveu em alguns momentos, por ser estrangeira. Situações que, felizmente, não acontecem com tanta freqüência hoje em dia. Em quase três anos de China nunca senti preconceito nenhum, pelo contrário, noto como os chineses admiram os ocidentais, seja pela estética ou pelo status que carregam. E não escondem a curiosidade quanto a nós. E isso, com certeza, torna a vivência por aqui mais leve.

Posso dizer que esse livro contribuiu para minha rápida adaptação neste país, o mais populoso do mundo e com costumes e tradições tão diferentes das nossas. Enquanto lia as palavras da jornalista, escutava a voz dela em minha mente narrando cada uma (daquele mesmo jeito que estamos acostumados a assistir no Globo Repórter) e imaginava veemente o cenário descrito por ela. Eu não só compreendi mais sobre a cultura chinesa, como também embarquei em uma viagem à cidades do interior da China, onde o povo leva uma vida muito mais simples e diferente e mantém as tradições muito mais enraizadas do que nas grandes cidades, onde nós expatriados estamos acostumados a morar. Embarquei também para a Índia, onde tive o prazer de saber sobre as experiências de Sônia ao entrevistar o Dalai Lama. E à outros países da Ásia, como Vietnã e Coréia do Sul.

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Eu super indico a leitura, pois além de ser um ótimo guia para os estrangeiros recém chegados ao país, esse livro tem humor, histórias interessantíssimas e muita informação sobre cultura, costumes, história, modo de vida e economia. Ela traduz em palavras humoradas como é a vida de um expatriado na China e a leitura é gostosa e fácil de compreender. Vem para a China, tem negócios com clientes chineses ou apenas se interessa pela cultura? Então já pode incluir o Laowai na sua lista de livros desejo. E boa leitura!

 

29 julho, 2016
Costumes chineses que qualquer estrangeiro vai estranhar quando chegar a China
Comportamento, Curiosidades, LIFESTYLE

Depois de passar algum tempo fora da China a gente até esquece um pouco de como é a vida por esse lado do mundo e as cenas “bizarras” as quais nos deparamos no cotidiano. Mas basta aterrissar em qualquer aeroporto internacional do país e ver aquele monte de gente de olho puxado e cabelo escuro na maior pressa para sair do avião ou quase atropelando uns aos outros para chegar bem perto da esteira de bagagens.  No meu caso, nem precisei chegar a China para dar de cara com eles, os chineses. Ainda no Brasil, no voo que peguei para ir de Porto Alegre à Guarulhos, havia dois chineses (chinês mesmo, conversando em mandarim). No terminal novo do aeroporto de Guarulhos eles aparecem aos montes e quase sempre em grupos. Eu sei que os chineses são a maior população do mundo e estão por todo canto, mas fico impressionada com a quantidade de chineses que costumo encontrar em GRU. Bom, na primeira etapa do voo, que era Brasil-Dubai, já veio um taiwanês do meu lado e uma chinesa atrás, ou seja, estava praticamente rodeada por eles antes mesmo de sair do Brasil. O que quero dizer é que nem precisei chegar na China para relembrar alguns hábitos chineses, que quem é de fora pode estranhar, e muito. Agora, que hábitos são esses?

Cuspir, arrotar, peidar…

Muita gente me questiona sobre os chineses: é verdade que eles arrotam e peidam por aí? No fundo, acho que a pessoa quer que eu responda “não”. Mas sim, é verdade. Cuspir é a coisa mais comum que você verá os chineses fazendo (fora comer). Eles cospem o tempo todo, na rua e as vezes até em ambientes fechados, como no metrô, no ônibus. O pior é quando antes do cuspe vem o catarro, que eles puxam lá do fundo da alma e depois expelem. No início é difícil não olhar e fazer cara de nojo, mas hoje em dia, já não ligo mais tanto.

Placa: por favor, não cuspa
Placa: por favor, não cuspa

Arroto tem também, viu. Eles arrotam sem constrangimento nenhum, porque isso tudo é muito normal. E quando alguém dá um arroto em público, ninguém liga. Eu já levei arroto na cara. E sabe quando acontece e você fica esperando a pessoa pedir desculpas ou ficar constrangida? Esqueça! Para os chineses isso é sinal de saúde.

E o pior dos costumes, o peido. Não vou dizer que não acontece com frequencia, mas Graças a Deus, não me lembro de ter passado por essa situação com chineses. Talvez porque as flatulências podem ser silenciosas e essas, vixi… são as piores.

Mas para explicar melhor: na cultura chinesa, o correto é eliminar tudo o que faz mal para o corpo e os chineses respeitam os sinais que o corpo manda e na hora que ele manda. Por isso, cuspir, arrotar e peidar não é sinônimo de falta de educação.

Falar alto…

Tá bom, não vou mentir. Eles não falam alto. Eles gritam!

Você pode até se assustar quando ver dois o mais chineses gritando um com o outro, achando que está rolando a maior briga. Mas na maioria das vezes, eles estão apenas “conversando” sobre o tempo, sobre comida ou outras coisas simples da vida. O costume de gritar falar alto, dizem vir dos tempos de ditadura, onde só quem gritava era ouvido (ou não, vai saber…). Além de falar alto, tem mulheres que falam com a voz tão aguda, que como dizem os gaúchos: parece uma taquara rachada. Chega a doer os ouvidos, mas tudo é questão de se acostumar ou de aprender a mandar baixar o tom rsrsrs

Andar com sombrinha em dia de sol

Imagina que você vai sair de casa, olha pela janela e se depara com um dia lindo de sol e céu azul. Você jamais vai cogitar pegar uma sombrinha, certo!? Pois na China, sol e sombrinha são inseparáveis. O acessório, como o nome já diz, é para fazer sombra, ou seja, ajudar a proteger do sol e do bronze. O uso da sombrinha pelas chinesas é um costume totalmente voltado para a estética, pois os orientais preferem pele branca à bronzeada. Nesse post eu conto mais sobre esse costume tão forte entre as chinesas.

sombrinha dia de sol habitos chineses

Bebes e crianças andam de bumbum de fora…

…e fazem xixi e otras cositas más onde e quando bem entenderem. Dá uma olhada nesse post, onde conto mais dessa “mania” fofa.

amigos pijama bunda de fora

Dormir em qualquer canto

Eles dormem em qualquer canto mesmo, em público, sem vergonha e sem cerimônias. No banco da praça em plena tarde, com um multidão de gente passando. Dentro do carro estacionado num sol de 40 graus a pino e sem ar-condicionado ligado. Em pé no metrô, escorado na mesa do restaurante e até acocado no meio da calçada. A hora do sono é tão sagrada para os chineses que já perdi as contas de quantas vezes fui em algum comércio ou empresa perto do horário de almoço, e peguei o funcionário dormindo. Tenho a impressão que é só dar uma escoradinha e eles já entram em sono profundo. É tão comum se deparar com cenas de chineses dormindo em qualquer canto e de qualquer jeito, que um estrangeiro até criou o site Sleeping Chinese, onde as pessoas postam cliques dos adormecidos.

dormir em publico costume china

habitos chineses dormir qualquer lugar

Agora confessa… tem gente que ficou com inveja dessa facilidade para pegar no sono, ein!?

E por último e talvez o hábito que mais me tira do sério…

Mastigar de boca aberta

E isso não é questão de classe social. Gente que frequente restaurante chic também tem esse hábito. Imagina que desagradável você em um restaurante com o(a) companheiro(a) conversando sobre qualquer assunto do cotidiano e ouvindo cada mastigada da pessoa ao lado!? Minha dica é: assim que chegar em um restaurante, preste atenção nas pessoas que estão sentadas próximas da mesa disponível. Se estiverem comendo de boca aberta, fuja (!) e procure outras mesas vazias.

Está com viagem marcada para a China? Agora já sabe o que pode encontrar pela frente…

 

28 maio, 2016
A celebração do casamento na cultura chinesa
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

Maio é conhecido como o mês das noivas e por isso, nada mais justo do que falar sobre o assunto por aqui. No post de hoje, vou contar curiosidades sobre a união entre casais chineses, as tradições e os costumes mais importantes.

Duas professoras de mandarim da escola onde estudo se casaram recentemente. E me contaram cada detalhe do casamento, desde os preparativos até o dia da celebração. E foi aquele tipo de conversa de ficar de queixo caído de tão surpresa, afinal, os costumes, mais uma vez, são muito diferentes do Brasil e do que estamos acostumados a vivenciar.
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Como comentei no post sobre as mães, a família tem um valor realmente muito importante na sociedade chinesa. Desde os tempos antigos, o casamento e o nascimento de um filho são os momentos mais significativos na vida de uma pessoa.
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A partir da Dinastia Qin (221 aC – 206 aC) até a Dinastia Qing (1644 – 1911) os casamentos eram arranjados. Formar uma família era muito mais importante do que encontrar a pessoa amada, por isso, os casamentos aconteciam de acordo com a vontade dos pais dos noivos. E a riqueza e o status social das famílias eram os principais quesitos a serem levados em consideração. Sendo assim, quando a família do noivo era rica, o jovem só poderia se casar com uma moça de mesmo nível social e uma jovem de família humilde jamais seria aceita em uma família com muitos bens.
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Nos dias atuais, há informações de que isso ainda aconteça nas famílias mais tradicionais e naquelas cheias do dinheiro. Na cultura chinesa, o casamento acontece cedo. Quanto mais cedo o jovem constituir família, mais respeito ele e seus pais terão perante a sociedade. Ou seja, quando o filho de família rica está ficando para titio, os pais tratam de arranjar uma esposa para ele, vinda de uma família de mesmo nível social, claro. E o casamento só sai após a família do noivo receber o dote da noiva. E quando duas famílias ricas se unem, a festa de casamento toma grandes proporções. Geralmente, são dois ou três dias de festa, com verdadeiros banquetes e muita pompa. Tudo pensado para mostrar o status e fortuna das famílias. Ostentação total.
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Mas nesse caso, estamos falando de uma pequena parcela da população chinesa. Segundo Ruby me contou, o casamento comum na cultura chinesa começa pelo noivado, que é uma etapa importante e geralmente acontece na cidade natal da noiva. Já o “grande dia” deve ser realizado na cidade natal do noivo, onde, provavelmente, boa parte de sua família ainda vive.
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Como a maioria esmagadora da população chinesa não é cristã, raramente uma cerimônia de casamento acontece na igreja. Se as famílias dos noivos são simples, o casamento pode acontecer na casa dos pais do noivo. Templos, hotéis e salão de festas são reservados para festas maiores. No caso da minha amiga Ruby, ela gostaria de fazer o casamento em um hotel, pois assim, a equipe de funcionários ficaria encarregada de várias questões importantes da organização. Mas acontece que a cidade natal do noivo é tão no interior da China, que não há hotéis na cidade (nós que somos de fora, acabamos conhecendo as maiores cidades da China, mas as cidades do interior, são ainda muito simples e pouco desenvolvidas, ou seja, nem hotel tem). O casamento, então, foi realizado dentro de um templo.
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E adivinha quem organizou todo o evento? A mãe do noivo! Na cultura chinesa é bem comum a mãe do noivo ficar encarregada de tudo: escolha do local, da comida, dos convidados e as vezes, até do vestido da noiva. E sem passar pelo consentimento da noiva, viu…
Ruby pôde escolher o modelo do seu vestido de noiva, mas a sogra quem escolheu a cor. A Ruby é uma chinesa de cabeça mais aberta, convive com muitos estrangeiros e já conhece diversas culturas. E ela queria usar um vestido branco no seu casamento, simples assim. Mas a mãe do noivo exigiu que fosse vermelho, a cor preferida dos chineses, pois representa sorte e fortuna. O vestido vermelho é ainda muito usado nos casamentos tradicionais da China e na maioria das vezes, o vestido de noiva é trocado pelo Qipao, o vestuário feminino característico da cultura chinesa.
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Para a cerimônia, além do vestido de noiva vermelho, ela usou muitos acessórios dourados. Essa cor representa o ouro e quanto mais ouro usar, mais sinal de riqueza e status. Durante a cerimônia, acontecem os rituais formais e os noivos pedem a benção aos deusese, aos ancestrais já falecidos, aos pais e parentes presentes.
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E a parte mais esperada pelos convidados é o buffet. Após a cerimônia, a festa se resume em muita comida, brinde dos noivos com os convidados e entrega dos envelopes vermelho para os recém-casados. O envelope vermelho é bem tradicional na China e é usado em casamentos e outras datas comemorativas para presentear com dinheiro.
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Em alguns casamentos, a família do noivo não permite que a família da noiva participe da celebração, afinal, a mulher, depois de casada, passa a fazer parte da família do marido e não pertence mais a sua antiga família. Imagina não ter seus pais presentes nesse momento tão especial?! No caso da Ruby, ela fez questão que seu pai e sua mãe participassem da cerimônia e os sogros dela concordaram. Segundo ela me contou, foram mais de 200 convidados, todos parentes e amigos da família do noivo. Os avós, tios, primos e outros parentes de Ruby não puderam ser convidados. E por isso, ela não conhecia a maioria dos convidados.
Falando em convidados, assim como no Brasil não é elegante os convidados usarem branco (a menos que o dress code peça), na China, o preto e o vermelho devem ser evitados: o preto é desrespeitoso e o vermelho é a cor da noiva.
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Culturalmente, os trâmites de casamento funcionam, mais ou menos assim, na China. Mas alguns costumes podem mudar de acordo com a região do país. O casamento da minha professora Susan, que é de uma região diferente da de Ruby, aconteceu na casa do noivo e o auge da celebração foram os convidados reunidos em uma mesa, jogando Mahjong, um tipo de jogo bem famoso na China. Assim como acontece no Brasil, a união é celebrada conforme o estilo dos noivos, suas condições financeiras e questões culturais da região. Mas uma coisa é certa nas celebrações chinesas: todos devem comer e se divertir muito.
09 maio, 2016
Como falar “mãe” e declarar seu amor em mandarim?
Curiosidades, LIFESTYLE

Família é a base de tudo, concordam?! E para a sociedade chinesa, a família tem um peso ainda maior do que imaginamos. O conceito de família é tão importante no país, que foi um dos poucos conceitos morais e ideológicos que permaneceram firme mesmo com o passar dos séculos e mesmo com a revolução que a cultura local sofreu.

Para se ter uma ideia da importância da família na cultura chinesa, em mandarim há um nome específico para cada grau de parentesco. Explico: por exemplo, não existe nome único para “irmão”. O irmão mais velho é chamado de “gege” e o mais novo de “didi”. O mesmo acontece com as irmãs. O avô e a avó por parte de pai são chamados de forma diferente dos avós maternos. A denominação para cada tipo de familiar é tão extensa que existe um dicionário chinês (grosso, bem grosso) com o nome de cada tipo de parente. Minha própria professora, chinesa nativa, me falou que é praticamente impossível decorar todos os nomes existentes para designar os familiares.

Mas claro que diante disso, MÃE, a palavra mais importante do meio familiar, não poderia ter apenas uma única pronuncia… Māmā é o mais comum deles. Se você está ou já esteve na China, provavelmente, já escutou a criançada pra lá e pra cá gritando “māmā, māmā…” o tempo todo.

dia das maes china

Mas segundo a Chen Xiaofen (uma chinesa fofa que dá aulas de mandarim no Brasil) em chinês existem três palavras diferentes para “mãe”.

Ela explicou cada uma delas, inclusive a origem do ideograma. Eu achei super interessante e aproveito que hoje é Dia das Mães para compartilhar essa informação com vocês, afinal, conhecimento nunca é demais. Olha só:

Mǔqīn (母亲)

O ideograma foi criado baseado na imagem de uma mãe amamentando e expressa o amor materno.

Niáng (娘)

O ideograma desta palavra é formado pelos ideogramas de “mulher (女)” e “boa (良)”. Expressa o coração bom e todas as qualidades de uma mãe.

Mā (妈)

Foi utilizado o ideograma do “cavalo (马)”, que tem o mesmo som e foi acrescentado o radical de “mulher (女)” para diferenciar um do outro. Essa junção foi feita para diferenciar a leitura do mā de cavalo para o mā de mãe.

Então, neste dia tão especial eu desejo:

Mǔqīn jié kuàilè (母亲节快乐) | Feliz Dia das Mães

E não esqueçam de declarar seu amor para suas mamães:

Māma, wŏ ài nĭ (妈妈,我爱你) | Mãe, eu te amo!

Feliz dia das maes mandarim chines

25 março, 2016
Como é celebrada a Páscoa na China
Cultura, Curiosidades, LIFESTYLE

A primeira pergunta que você deve ter se feito ao ler o título do post é: existe Páscoa na China? Um país onde boa parte da população segue os princípios de Confúcio, reverencia o budismo e o taoísmo e não acredita em Deus, muito menos em Jesus Cristo, por que celebraria a Páscoa?

ovos pintados de pascoa cultura chinesa

Mesmo não sendo todas reconhecidas pelo governo, a China abriga diversas religiões, incluindo a católica, a evangélica e a ortodoxa. Para os chineses cristãos, a data tem um significado religioso, assim como para nós ocidentais. Eles celebram a ressurreição de Cristo, vão à Igreja e assistem as missas. Sim, na China tem Igrejas Católicas espalhadas por várias cidades. Eu ainda não tive a oportunidade de visitar nenhuma, mas já conheci um chinês cuja família é católica.

Mas para grande parte da população, a Páscoa tem apenas o apelo comercial. Até alguns anos atrás, não se encontravam, nos supermecados, ovos de páscoa ou chocolates com formatos especiais. E muitos chineses não-cristãos nem sabiam que essa data existia. Mas com a “invasão” de estrangeiros, o mercado e as marcas não perderam essa oportunidade. E mesmo não conhecendo o real significado da Páscoa, o comércio chinês aproveitou a procura dos ocidentais por doces e chocolates que representassem a data, para vender mais. Hoje, algumas grandes redes de supermercado, como Carrefour e Metro, e outros mercados menores de importados comercializam ovos de Páscoa da Nestlé, Lindt, Ferrerro Rocher, entre outras marcas, e chocolates em formatos de coelho, ovinhos e até galinhas. Tudo costuma voar das gondolas dos supermercados, pois até os chineses se renderam a essas delícias ocidentais.

Muitos restaurantes de Shanghai, Beijing e outras cidades maiores aproveitam a data e promovem almoços especiais e ceias, tudo para atrair o público que tem o costume de celebrar a Páscoa. Em Hong Kong, essa data recebe uma atenção ainda mais especial, por causa da influência da cultura inglesa {leia mais sobre a colonização de HK pelos ingleses} e pelo considerável número de estrangeiros cristãos vivendo por lá. Os hotéis e restaurantes oferecem menu especial e alguns parques e atrações turísticas promovem eventos e brincadeiras.

Influênciada pela cultura ocidental, algumas crianças chinesas se divertem com a caça e pintura dos ovos de Páscoa, no domingo de manhã. E assim como o coelho, os ovos pintados e os de chocolate simbolizam a Páscoa no ocidente, na China estes também tem um significado importante. Os chineses acreditam que a vida começou do ovo, portanto, é comum que eles presenteiem familiares e amigos com ovos coloridos, tanto no Festival de Primavera quanto na Páscoa. Os ovos representam a renovação da vida. E os coelhos simbolizam o nascimento e a vida e são vistos com frequência na pintura dos ovos.

pascoa na china crianças chinesas coelho ovos

Para meus leitores eu desejo uma doce e abençoada Páscoa e um espírito de renovação e crescimento, especialmente por este momento que nosso Brasil e nós brasileiros estamos passando.

Fùhuó Jié Kuàilè 复活节快乐 (Feliz Páscoa)!

 

17 março, 2016
Novo post no Brasileiras Pelo Mundo – Modismos curiosos da China
LIFESTYLE, MODA

Toda vez que descubro alguma tendência curiosa e um tanto quando diferente despontando pelas ruas da China, trato logo de saber mais para contar para vocês. Aqui no blog já falei sobre o costume de usar sombrinha em dia de sol, a tendência do matchings outfit entre casais e amigos, entre outras. A mais recente foi a dos grampos de cabelo com galhos, plantas, flores e váaarios outros detalhes estranhos. Quem lembra desse febre? A notícia chegou até a mídia brasileira. Foi notícia no mundo todo, para falar a verdade.

ultima moda china plantas flores na cabeca

Agora eu reuni todos esses modismos chineses tão curiosos em um só post, que foi publicado na minha coluna do blog Brasileiras Pelo Mundo. Está muito interessante, para não dizer divertido!!

Clica aqui, confira o post e depois me conta o que você acha desses modismos. Pegaria ou não pegaria aí no seu país?

Zài jiàn, e não deixe de acompanhar. Mês que vem tem mais um post meu sobre o assunto “moda na China” no blog das brasileiras.